Sou o fantasma interior do meu obscuro passado.
Descanso nas trevas das manhãs sem aurora.
Exposto ao vento de lamentações e lágrimas.
Perdido nos fragmentos de um amor despedaçado.
Sou um anjo de pedra aos pés de uma fria lápide.
No silêncio dilacerante de uma oração eterna.
Mas nunca tive resposta ...só tempestades.
Gotas de orvalho nas cinzas de um coração ressecado.
Nos meus olhos cerrados...desespero e mágoa.
No quadro a musa sorri imortal e emoldurada.
E o adeus inevitável jaz na névoa naufragado.
A paixão e o delírio são ruínas de sonhos esquecidos.
Os lábios da amada foram doces cálices de absinto.
Mesmo acorrentado nestes amargos dias de novembro.
Ainda alçarei o vôo derradeiro com minhas asas machucadas.
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Observo em silêncio.
As faces do mundo.
Puras, inocentes.
Belas, encantadoras.
Iluminadas como o sol.
Traiçoeiras, perversas.
Medonhas, falsas.
Assombradas pela lua nova.
O que ainda faço aqui?
Dilacerante questão mal resolvida.
Mas sei a resposta.
Ainda que não a sinta mais.
Ainda que não a mereça mais.
Ainda que não a tenha mais.
Algumas pessoas enxergam a luz
Que dizem pulsar límpida.
Nos meus olhos.
Então continuo
André Paolucci.
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Anjo distante.
Olhos do passado.
Atmosfera impalpável.
Ela não sabe mais o que sente.
Parecem apenas palavras ao vento.
Esporádicas em meio ao silêncio.
E segue confusa e pensativa.
Tenta reviver a juventude que se foi.
Ele está calado, misterioso.
Lutam suas próprias batalhas.
Longínqua realidade sonhada.
Talvez ela prefira lembrar daquele amor
Sonhos despedaçados.
Ele toma um café.
Contempla o céu de fevereiro.
E o nascer do sol de verão
Ela não pode ver.
O que ele se tornou.
Mas talvez possa sentir.
Que a chama ainda arde.
Apesar das tempestades.
André Paolucci
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Distraídos olhos verdes.
Discreto sorriso escondido.
Reflexo de um sonho bom.
Sentada na areia de Ipanema.
Cabelos cacheados brincando ao vento.
Ele caminha distraído.
Perto dela e ainda longe do coração.
Pele morena de sol.
Cabelos loiros como um anjo vadio.
Olhos escuros da tempestade que vai chegar.
Ela não buscava ninguém
Só a paz de um dia de verão.
Ele desejava o caos das ondas do mar.
Não suportava mais a solidão.
Ela não conseguiu desviar o olhar.
Do menino do Rio.
E da música que ela inspirou.
Nas cordas daquele violão.
André Paolucci.
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Nebuloso futuro.
Em constante mudança.
Incertezas.
Pode trazer o passado de volta.
Enevoado sonho.
Ou uma nova esperança.
Sopro de vida.
Incontrolável.
Destino traçado.
Nada é por acaso.
Impalpável realidade.
Palavras escritas na areia.
Engolidas pelo mar.
E pelo descompasso.
Do meu coração.
André Paolucci.
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Eu sorrio.
E sob meus olhos noturnos.
Reina a dor e o sofrimento.
Mas entrego ao mundo a luz
E o sorriso de menino.
Eu sorrio.
E recebo seu olhar inesperado.
Emoldurando os lábios carnudos.
Estrela mulher.
Aparição do futuro.
Eu sorrio.
Noite adentro.
Vinho e delírios.
E minha risada é confusa.
Nasce fácil e sem explicação.
Eu sequei as lágrimas.
Quando alguém me pediu um presente.
Um pedaço da alegria estampada.
Num sorriso perdido
Gravado na memória.
Em forma de amor.
André Paolucci.
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Chuva no rosto
Sol de verão.
Pele bronzeada.
Beijo doce da pessoa amada.
Abraço apertado.
Sorriso espontâneo.
Novo amor.
Amor antigo
Primeiro amor.
Amor interrompido e reatado.
Caos da juventude.
Coração em chamas.
Alma livre.
Sem paradeiro.
Sem dono
Sem ninho
Aparição única.
Que não deixa pegadas
André Paolucci.
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Noite qualquer.
Janela fechada.
Ela não ouviu a serenata.
Nem jogou as tranças da Rapunzel.
Ele vai embora.
Violão nas costas.
Sem versos e nem beijos.
Noite suja.
Absinto, charutos e alucinações.
Sarjeta do botequim.
Na luz opaca do poste, pirilampos!
Ele ainda rabisca versos de agouro.
Escárnio e maldizer pela musa temporária.
E vai em frente na vida
Sozinho, incompreendido e taciturno.
Numa meia-vida boêmia.
Encurtando os dias.
Alongando as noites.
Nos braços da fada verde
André Paolucci.
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Ele caminha sem destino.
Ouve vozes nas trevas.
Olhos vermelhos espreitam.
Nas encruzilhadas.
Sussurros incompreensíveis.
Tenta lutar contra o mal.
Sussurros lúcidos chegam pelo vento.
Ainda compreende a língua dos anjos.
Então num altar em ruínas.
Ajoelha-se em silêncio.
Brilho fantasmagórico das velas.
Imagem de Deus, braços abertos.
Para o amparo e o colo esperado.
Sente a força voltar.
A presença do Pai.
Curar seus tormentos.
Afastar os demônios do presente.
E os fantasmas do passado.
É guerreiro da luz.
Herói sempre.
André Paolucci.
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Na pista de dança.
Ela baila misteriosa e sozinha.
Luzes misturadas com seus olhos de dor.
Vestida de luto.
Pelos amores que nunca teve.
No balcão do bar.
Uma dose de uísque e dois cubos de gelo.
Olhos noturnos, jaqueta de couro.
Versos no guardanapo.
Pela inspiração que ela despertou.
Ainda não sabe.
Mas já é musa platônica.
Sonho efêmero.
Paixão febril.
Imortaliza a música qualquer.
No balanço do corpo.
E nos sorrisos que não são pra mim.
André Paolucci.
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