Foto de Adailson poeta

Adailson poeta

@adailsons · desde 2024

https://blogversosdoinfinito.blogspot.com/?m=1 https://www.instagram.com/reel/C_13pxSN27L/?igsh=MTVnYjdiZmdkNXVzeQ==

104 poemas 54 seguidores 286 seguindo

Seguir
Amor

Poema- céu dos noivos

Quando te vi pela primeira vez, meu coração ficou espraiado em claridade; havia em tua presença uma aura dulcífera que adoçava até o silêncio ao redor. Tua garridice aureolada reluzia com tão rara graça que intuí, sem resistência, que meu espírito se pendoaria ao teu encanto — pois algumas belezas não se explicam: apenas se sentem. Em teu ser fulgura uma agalma celeste, uma formosura tão sutil que o horizonte reconhece; teus gestos derramam suavência e magnopulcritude, como se o próprio tempo inclinasse sua serenidade para contemplar-te. És minha auriflâmula, meu farol de celsitude, a límpida presença que exala benquerença e virtuluz; teu olhar possui o dom da inefância, e tua voz carrega a doçura da mais pura dulcídia. No toque que me ofertaste, sinto a eternância florescer, broto de luz que nenhuma noite consegue desvanecer. Em tua alma habita uma miraluz infinda, claridade que repousa em mim com brandura antiga e inesgotável. És magnolímpida, és pleniáurea, és serenídea; cada passo teu deixa um rastro de auridez, e cada palavra tua reacende o lume da minha humanidade mais profunda. Se o amor possui um templo, teu nome é o seu altar. Pois em ti encontro altiplácida candura, delicadeza que enleva, acalma, eleva. E assim declaro, diante da vida e do firmamento: que meu coração te escolhe em perpetuidade, que cada aurora será tua, que cada suspiro será de lealdade ardente. Que este poema seja nosso hino, ecoando em votos, enlaces e promessas: pois amar-te é minha glória sereníssima, e caminhar contigo é minha mais alta e eterna beleza.

Continuar lendo
Amor

Poema- Cântico a Dulcífera

Quando te vi, dulcífera donzela, meu peito ficou espraiado, como um albor que desperta após longa noite em languidez. Teu olhar possui garridice, uma alvura de auriluz que me faz pendoar as sombras do mundo e buscar teu regaço de brandura. És néctarea, saudosa, etérea, como uma sílfide de auréola cintilante. Teu sorriso é alvíssimo, tua voz é melíflua, teu gesto é suave como aragem. Teu andar tem gentileza, tua presença é primor, tua alma é adamantina, cheia de exímia candura, um mimoso fulgor de delicadeza. Meu coração te vê como inamissível, peregrina do encanto, uma auriluzida flor, plena de meiguice, ternura, formosura, venturosa graça. Tua pele tem alabastro, teus olhos guardam luminescência, teu perfume é inebriante, quase sideral de tão inefável. Quisera eu ser teu vassalo amoroso, render-te láudias, te envolver em querência, dengo, afeição perene, para que saibas que meu espírito vive em fascinação, e minha alma, outrora lassa, tornou-se jubilosa, auriverde, ao tocar a tua presença hipnótica, angélica, estelar. És minha volúpia serena, meu deleite arcano, meu diamantino enlevo, minha quimera benfazeja, meu amor vetusto e sempre-renascido, minha eterna harmonia do éter.

Continuar lendo

Poema- Canção da mata

Por entre as veredas longas onde o vento se deita, ergue-se o dia lento, qual velho camponês curvado, e a terra, vermelha e viva, abre o peito ressequido para acolher o suor do homem que nela põe seu fado. Nas brenhas que o sol coroa, canta o sabiá sereno as folhas, de tão antigas, guardam segredos do tempo, e o rio, que nunca apressa, leva em suas águas mansas as dores de quem labuta e o amor de quem é atento. Eu, filho destes sertões, que o mato abraça e consome, carrego o peso da enxada como quem carrega o nome. Mas quando a tarde desmaia num tom de ouro e púrpura, meu peito se firma e canta — pois é em ti que a alma pulsa. Ó minha doce senhora, flor que Deus plantou na sombra, teu olhar é brisa leve sobre o rosto de quem sofre; e teu riso, fonte clara onde até a saudade dorme, é consolo para o homem que vive entre céu e os rochedos. Aqui, onde o chumbo das nuvens ameaça as madrugadas e o trovão, senhor antigo, açoita o rancho de barro, amo-te com força brava, tal qual o vento das matas que rasga folhas e troncos, mas nunca perde o passo. Se a vida, por vezes, pesa — qual saco cheio de milho — tu és o alívio doce que ponho sobre o ombro. És o canto que me guia pelas sendas do destino, és o lume da esperança quando o mundo fica assombro. E juro, diante da lua, testemunha das distâncias, que hei de te amar, minha bela, enquanto o campo florir, enquanto houver rio que corra, e o sabiá tenha canto, e o roçar da noite antiga lembrar-me de te sentir. Pois ainda que o tempo passe, e a roça tome meus dias, teu nome, qual prece antiga, minha alma há de repetir. E quando o sol, já cansado, encerrar minha jornada, serás tu, minha morena, meu derradeiro sorrir.

Continuar lendo
Felicidade

Ela é o segredo

Quando Deus quis mostrar o que é amor, ele não escreveu um livro, não pintou um céu, nem acendeu uma estrela. Ele pegou uma lágrima e uma centelha da própria alma e moldou a mulher. Ela não veio do pó da estrada. Veio do lado da costela. Porque Deus não queria que ela fosse menor, nem maior, mas feita para andar com o homem, lado a lado, na vida, na dor, na aquarela. O homem foi feito para o campo, para a lida, para a força. Mas a mulher. Ah, a mulher foi feita para o céu. Para gerar esperança, curar feridas, multiplicar o que é bom e calar o que é cruel. Ela escuta com o coração. Chora com os olhos da alma. Ela sangra em silêncio, mas ainda assim canta. Ainda assim ora. Ainda assim acalma. Ela tem o dom que só Deus tinha: criar vidas dentro de si. E enquanto o mundo gira sem rumo, ela planta o futuro mesmo quando está por um fio. Ela é a que educa, sustenta e resiste. É a mãe sozinha na periferia, a mulher do campo com mãos calejadas, a preta guerreira ignorada, a menina que sonha em ser livre, mesmo sendo silenciada. O segredo que Deus escondeu do mundo está ali, na simplicidade dela. Os homens olham, mas não veem. Porque o segredo não está na forma mas no que ela contém. Ela não é só carne. Ela é poesia em movimento. Ela é oração sem palavras. Ela é o amor no seu estado mais puro. Ela é o céu no chão. E é por isso que, quando Deus quis explicar tudo que faz sentido, Ele simplesmente criou a mulher.

Continuar lendo

O mar de correntes

Todos admiram o preto no palco, mas poucos suportam ver a pele preta na rua. Apreciam a força, o ritmo, o talento, mas rejeitam a verdade que a pele carrega. Colocaram correntes em quem já tinha asas. Roubaram nomes, apagaram línguas, silenciaram os deuses. E ainda disseram que estavam “civilizando”. Não eram escravos. Eram reis, rainhas. Guardiões do saber antes que o mapa tivesse contornos. Hoje dizem Foi no passado. Mas o passado nunca partiu. Apenas aprendeu a se disfarçar. Veste farda, veste terno e veste silêncio. O chicote virou estatística. A senzala virou periferia. O navio negreiro virou sistema. E a escravidão, oportunidade negada. O corpo negro é confundido com perigo. A palavra negra ainda vale menos. O sangue preto seca antes de escorrer nas manchetes. A história negra foi editada com tesoura branca. A mulher negra? Foi usada. Depois esquecida. Mas carrega nos ombros os filhos do mundo e ainda sorri com dignidade que o mundo não reconhece. Quem defende meritocracia nunca começou a corrida com os pés acorrentados. Nunca precisou ser duas vezes melhor para ser visto como quase igual. Negro não é moda. É cicatriz exposta em vitrine de indiferença. Negro não é tendência. É eco do que tentaram silenciar por séculos. Não se trata de vingança. Trata-se de justiça. De memória. De coragem para parar de fingir que está tudo bem quando ainda se morre por ser negro. Quem não sente nada ao ler isso já escolheu o lado da omissão. Mas quem engole em seco, quem  cala diante da dor, quem chora em silêncio, ainda pode ser salvo. Negro não é cor. É prova viva de que o ouro pode habitar a pele e ainda ser tratado como poeira.

Continuar lendo

O avião das 09h:

O Avião das 09h: O avião das nove riscou o céu do sertão, como se fosse um sonho escrito em luz. De cá, fiquei só de pé, no chão olhando o sol nascer por trás da cruz. Leva no ventre um punhado de gente, cada um com seu rumo, sua fé, seu talvez. Uns fogem da fome, outros da mente, outros só buscam o que nunca se fez. Nunca entrei num avião confesso. O vento me basta, a terra me entende. Já viajei sem mapa e sem endereço, pelos caminhos que o tempo acende. São Paulo, dizem, é cidade que engole, de tanto brilho e tanta pressa. Mas o sertão, mesmo quando dói, consola é dor bonita, é luta e promessa. O avião das nove leva esperança, leva o amor de um povo inteiro. Lá vai o sonho, lá vai a mudança, lá vai o futuro num céu estrangeiro. A mulher na janela enxuga o rosto, com o mesmo pano que cobre o pão. E pensa será que ele chega disposto? Ou volta cansado da ilusão? O menino corre e aponta o dedo Olha, mãe, o passarão de ferro! E o pai responde, num tom de segredo Quem sabe um dia, filho, eu espero. O chão é quente, o tempo é lento, mas o coração arde, pulsa, insiste. Cada rosto do sertão é um monumento de quem vive e ainda resiste. E lá de cima, quem voa não vê, que o mundo é maior do que o mapa mostra. O sertão cabe em qualquer nascer, em qualquer alma que seja nossa. São Paulo é pedra, fumaça e ponte, mas também tem gente que sonha e sente. Enquanto aqui, o sol no horizonte ensina o homem a ser semente. O avião das nove virou lembrança, um risco branco no céu vazio. Mas dentro de mim ficou a esperança, como um lampejo, suave e frio. E eu penso, calado, olhando o ar um dia, talvez, eu vá também. Mas se um verso puder me levar, então eu já voei e fui além.

Continuar lendo
Amor

Quando o céu abrir

Chove... e é como se o mundo soluçasse comigo, as gotas descendo lentas, feito lembranças do teu olhar. O vento passa e leva o resto da minha voz, como se quisesse te chamar lá onde o tempo não pode voltar. O trovão geme dentro do peito, e o relâmpago rasga o céu igual tua partida um clarão, um fim, um vazio… e depois, o silêncio da vida. O rio corre, e nas águas eu te vejo dançar, tuas mãos leves, teu riso que se perdeu nas margens da saudade. Ah, se eu pudesse remar contra as horas, voltaria ao instante em que foste eternidade. O sol tenta nascer, mas se esconde atrás da montanha, com medo de ver-me tão só, tão quebrado. Até as flores fecharam suas pétalas pra não ver o amor sendo sepultado. A lua, coitada, assiste à minha confissão noturna, pálida como minha esperança que se desfaz. E as estrelas, cúmplices do impossível, me ouvem dizer que ainda te amo e nada mais. Ah, mulher que o tempo levou e a alma ficou esperando, teu nome é uma tempestade que não passa… Eu sigo amando-te como os poetas antigos, com o coração em ruínas e a alma em brasa.

Continuar lendo
Poema

Poema- o sol que não nasce-Adailson Pereira Sales

7 de setembro, bandeira no céu. Mas nossa independência É só papel. Foi grito, foi pose, foi teatro, foi cena. O povo aplaudia mas a dívida já nascia. Do Ipiranga à City de Londres o grito virou contrato e o contrato virou corrente  corrente invisível elegante, porém permanente. Paga aqui, refinancia lá juros sobe, esperança cai o nome é bonito soberania Nacional. Mas no extrato. Dependência Global. Diziam Somos livres, somos bravos, somos gigantes. Mentira elegante! Escravos modernos, pagadores constantes. Dois milhões de libras e um século inteiro de promessas quebradas de um lado a coroa caía. Do outro, o povo segurava as algemas douradas. Se fosse hoje? Dois bilhões quem se importa? O problema não é o preço. É o ciclo. É a porta que nunca se fecha, é a dívida que nunca morre O banco não te mata ele te deixa vivo Pra pagar. Independência ou morte!  gritou Dom Pedro. E a Inglaterra respondeu assine aqui, parceiro. Enquanto o povo gritava o banqueiro calculava. Enquanto a criança nascia a dívida já a registrava. E aqui estamos exportando vida Importando miséria. Riqueza some na bolsa e volta na fatura bancária. A bandeira tremula mas quem segura é o vento da ilusão. Somos livres na música somos livres no hino mas escravos na prestação. 7 de setembro é só desfile É só fumaça pra esconder que a independência nunca chegou. E talvez nunca vá nascer.

Continuar lendo
Amor

Mapa do infinito-Autismo

Titulo: Mapa do infinito-Adailson Pereira Sales E se algum dia te chamarem de confusão Lembra que há ordem nas estrelas também e que eu, mesmo em silêncio, gritei teu nome bem baixinho, só pra ninguém ouvir mas pra você saber que eu tô aqui quantas luas dormem dentro de um olhar? Quantos segredos cabem num respirar? Você é a pergunta sem resposta que me fez parar de buscar Já não me importa se o mundo não vê ás vezes, o que eu sinto, ninguém vai dizer mas eu sei que você sabe, quase sem querer que eu sinto o mesmo que você tenho andado com os olhos nos detalhes e a alma aberta pra tentar te decifrar você corre como quem busca abrigo num mundo que vive a te julgar falam demais, olham de menos querem consertar o que nasceu perfeito mas eu só vejo estrelas em movimento num céu que ninguém teve o direito e se ninguém entende o que você sente talvez seja porque não sabem sentir mas eu aprendi a escutar o silêncio e ali dentro você começou a existir você não é problema, é poesia fora do compasso um som que só os puros conseguem ouvir e eu, quase sem querer, me vi querendo ser o seu espaço não precisa mudar, só precisa florir e quem não vê, nunca vai descobrir que amor de verdade é deixar existir tem dias que você gira como o tempo e eu fico parado só pra te acompanhar mesmo sem palavras, diz tanto em um gesto e eu me encontro só de te olhar não sou mais tão criança pra fingir que amar é só quando é fácil de entender. Às vezes, o que eu sinto é como o que você sente e a gente se entende sem saber por quê você me ensinou que ser diferente é ter coragem de ser inteiro e eu só quero te proteger do mundo mesmo sem roteiro você não é atraso, é um milagre em construção um jardim que ninguém podou um grito de luz, um sim sem razão e eu, quase sem querer, te amei sem perceber como quem ama o som do coração mesmo sem entender.

Continuar lendo
Poema

Neblina

Quando a luz apagava no quarto e o vento fazia barulho na janela a gente jurava que tinha um monstro no canto, até ouvir a voz da mãe Tá tudo bem, eu tô aqui. Ela sentava na beira da cama fazia carinho no cabelo e de repente o medo virava sono e o sono virava sonho de um lugar onde tudo era seguro. Teve aquele dia lembra? O pai levou a gente pra ver o mar ou uma cachoeira, ou só uma praça cheia de pombos. E a gente pensou Como pode o mundo ser tão bonito assim? Teve o primeiro tombo de bicicleta o joelho ralado e o mundo desabando, mas depois veio o sorvete e aquele abraço que curava tudo. Teve a primeira professora, com cheiro de giz e perfume doce que ensinava a escrever o nome como se estivesse nos dando o mapa da nossa própria existência. Teve o primeiro beijo meio torto, meio tímido coração acelerado como se o universo inteiro tivesse parado pra assistir. E teve gente que se foi. A vó que fazia café com cheiro de lar o tio engraçado que sumiu da mesa, o amigo de infância que virou lembrança. Mas cada um ficou em algum canto da alma, feito fotografia que nunca desbota. Hoje a gente é adulto mas ainda tem aquele medo às vezes. E daria tudo pra ouvir de novo Tá tudo bem, eu tô aqui. E mesmo que ninguém fale mesmo que o mundo pareça duro há um menino ou uma menina dentro de cada um de nós que só quer correr descalço e ver o céu ficar rosa no fim da tarde. Então feche os olhos. Respira. Se lembra. Você é mais forte do que pensa porque carrega dentro do peito tudo aquilo que já viveu. E o passado, quando é feito de amor é o que mantém a gente inteiro.

Continuar lendo