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Will _ Firebill

@Will_Firebill · desde 2020

Alguém lê isso?

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O jardim

Naquela hora uma era inteira passou, Derivei da realidade como um carro que escapa de uma curva e voa lindamente antes de despedaçar num impacto violento. Eu me espanto com a facilidade com que aceito um fim que nunca chega... "É agora? Não, ainda não..." As pessoas estão morrendo lentamente, Não posso carregar mágoas e ressentimentos, eu guardo a distância. Eu durmo criando estórias, em todas estou só. Eu me recuso a ser visto, sinto que sou uma fraude. Desenhei nas estrelas uma deusa que não me ama, e de algum jeito, eu sei que não amarei ninguém dessa forma que imaginei... Sinto que tenho tão pouco para oferecer, ao mesmo tempo que não espero mais do que um abraço e um instante de presença. É que geralmente me encontram quando algo vai mal, não retribuem, dizem que sou um cara legal, a ajuda que Deus mandou... Falta algo Sempre faltará Tentar preencher essa falta Só irá me fazer sofrer. Eu varro folhas no jardim, Eu empurro as folhas e o vento as leva, não por mim, mas sempre num mesmo sentido, Não o que eu quero, mas seria um esforço absurdo e cômico varrer folhas contra o vento... Naquele momento, uma era em um minuto, me vi tão distante de tudo... "É agora? Não, ainda não..." Eu tento escrever, rimar e não falar de mim... "Só sei falar de mim" Eu chego em casa e tem café, Isso é bom, muito bom! Tudo é sempre a eminência de coisa nenhuma, nada e algo acontecem mas não é um acidente ou um sonho... São meus olhos procurando meios para satisfazer um desejo que agora nem sei se é meu... Haverão folhas amanhã? Não sei

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Conto da Carochinha.

Uma barata entrou na caixa do remédio, onde já não estavam as cartelas dos comprimidos, somente uma bula meticulosamente dobrada, a posologia indicava intervalos de 8 horas entre as doses, de preferência antes das refeições, se ao menos alguém tivesse lido... Nas contra indicações estava escrito que gestantes não deveriam fazer uso do medicamento, e que o uso com bebidas alcoólicas poderia provocar reações adversas e ampliar os efeitos psicoativos causando náuseas e enjôo, e muito frequentemente sono, uma combinação fatal... A barata saiu da caixa e caminhou por um quarto escuro. Alguém bateu na porta, já era a quarta pessoa que chamava por Etienne. A barata já não se assustava tanto, ela desceu por detrás da cômoda e rapidamente passou por baixo da porta sanfonada do banheiro, uma sacola da farmácia era algo novo, um sabonete, um enxaguante bucal, um creme hidratante, um teste de gravidez, uma tintura para os cabelos, uma nota fiscal amassada onde havia um número de telefone anotado à caneta, cor azul. O chuveiro às vezes deixava uma gota cair, e quem sabe quantas baratas conseguiriam sobreviver com uma gota d'água por noite? Principalmente numa noite tão tranquila, geralmente o quarto nº 16 era muito visitado. A barata passou por trás de um pequeno cesto de roupas, separou suas antenas e às limpou por algum motivo, saiu do banheiro, dirigiu-se até uma lixeira próxima a porta do quarto, muitos plásticos, farelos e migalhas variados, quatro latas de energético, mas a barata não estava com sede... Continua... Talvez!

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Narciso de Gelo.

Como vou te segurar aqui? Como vou te explicar que o amor não é nada demais e que eu vou amar quem me amar e deixar ir quem quiser ir? Você não terá provas nem presentes! Eu vou estar aqui e vou manter a minha vida em ordem, vai parecer que você é uma visita incomoda. _ Eu vou fazer café, você quer? Ninguém faz esse tipo de pergunta, Você faz o café e chama a pessoa para a mesa. É como se eu dissese: "Devo me preocupar com você?" Sempre que eu te encontrar eu vou dizer: "Tudo bem?" Esse é o seu momento, não pense que eu vou ler nas entrelinhas e insistir. Eu sou capaz mas não vou te permitir esse costume. Eu não irei resolver os seus problemas e não quero que você levante um dedo por mim, não barganhe afeto comigo, eu não gosto disso. "Quanto tempo você pretende ficar?" Hum! Até logo!

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Estático

Eu tenho pensado neste silêncio... Minha vida é um silêncio vigiado... Não há sucesso, nem amor, nem beleza ou ambição, só silêncio e pensamentos que surgem e desaparecem... Se um dia alguém se apaixonasse por mim, Seria bom e terrível. Eu não tenho nada para oferecer além do meu tempo e meu silêncio. Todos os dias eu penso nessa vaidade que faz algumas pessoas irem à academias, levantarem pesos e stories... Eu poderia ser assim? Eu não pagaria uma mensalidade para erguer um alter na segunda... Eu tendo a desmontar essas fantasias até chegar na impossibilidade. O amor e a felicidade são coisas inventadas pra você sair correndo atrás de outras coisas que você não precisa, minha mente diz baixinho. Eu não saio para beber, Nem gosto de música ao vivo. Sou chato, terrivelmente chato, Mas eu gosto de mim. Sempre penso na vida... Minha vida é boa, Mas já pensei em por um fim... Mas sempre há pelo menos duas vozes dentro de mim, uma é o contraponto da outra, na maioria das vezes, nesse caso essa outra voz disse: você não tem motivos para isso e como tem coragem de cogitar essa hipótese mas não pensar em resistir? Um dia ela virá e tem dias que passam tão rápido, por que precisa ser agora? Eu vou meio que sem vontade... Eu penso no que pode ser além da morte, Eu espero que seja como uma anestesia geral... O amor só ganha peso se for levado a esses termos, eu acho... O tempo está passando e o que temos é isso, sem garantia alguma de que haverá um paraíso para nós...

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Entrega.

Em outra, pega uma rua Errada, Esquina, parada obrigatória, tem medo da rotatória, Entra na contramão Estaciona na frente de um portão. Entrega a encomenda Encerra o pedido Envia mais um relatório. Enxerga dois em uma moto, Engano, nada de mais. Enrola, não quer simplesmente voltar para casa. Exita, mas o corpo implora e Exclama, anseia por um banho E vai, em outra, apenas segue o plano.

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Você não é problema meu.

Não se ofenda, A poesia virou essa lixeira das coisas da nossa vida, todas as palavras bonitinhas para falar de amor e pílulas de sabedoria copiadas de outro autor, doses de tristeza e lá no fundo um chorume de ressentimento e desejo frustrado. Ai, como a vida é sofriiiiida... Diga que você quer um problema pra manter a sua neurose sob controle, porque a tua libido é fogo de artifício que quando acende explode e some. Diga que você tem vergonha, mas quer mesmo assim, tenha coragem! Só assim a poesia nasce, deixe de alucinar com anjos, e torça seus sonhos no mesmo balde onde está o pano de chão, talvez eles se tornem mais viáveis e deixem de ser essa fantasia que te atormenta, talvez haja algo que preste nessa ilusão. E por favor, pare de dizer que o mundo é essa coisa fútil e esotérica, você está tentando fazer algo com alguém e precisa mesmo deste maldito prelúdio? Eu lanço o meu repúdio, mas me pego pensando: Você não é problema meu. Você só está trilhando o mesmo caminho que todo o mundo. E eu às vezes caio nessas mesmas armadilhas, é que romances são um tipo de tragédia, mas nós não aprendemos com a desgraça alheia, tem essa esperança maluca de que na nossa vez a coisa vai dar certo, e é aí que o pato berra. No fim das contas eu queria ter um bom argumento para te fazer deixar a poesia de lado e ir amar verdadeiramente alguém, mas se eu estou escrevendo isso, que hipocrisia da minha parte, não é? Eu tenho esse costume de me ferir com a verdade e querer ferir os outros no processo. Por fim, eu declaro a minha derrota, um moinho de vento que eu achei que podia vencer e só o que eu consegui foi por mais trigo pra moer, enfim... Quem me pôs neste ciclo de culpa e penitência? Ora, vá, ame, viva e veja!

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O malandro.

O malandro sorriu e ela caiu, Pra uns é tão fácil que parece mentira... É que tem gente que não leva o próprio sofrimento à sério, ela soube desde de o primeiro momento, a mãe avisou, o pai, a irmã, e até o cachorro também, mas foi paixão, que azar! Tem gente que sustenta a relação pra não assumir o erro, mas o malandro vai colecionando pensões atrasadas, pede até dinheiro emprestado pra outra namorada, esquema de pirâmide perto dele parece piada! E o homem fala, ri e gosta de pagode, não empreste dinheiro pra ele, é calote! É que a gasolina tá cara e ele precisa agradar Ana, Rosana e Charlote. E o carro nem é dele... Veja só que por falta de dinheiro o malandro já pensou num plano: Vai virar pastor, depois vereador, um ou dois esquemas e vida feita Trinta filhos e nada pra receita! É o que tá tendo, como diz a boca miúda, Que o homem não perdoou nem a muda! É capaz que ele consiga mesmo fazer sucesso aparecendo em noticiário... Ou obituário... É que a vida do malandro é naturalmente curta, e quando termina muita gente ainda se assusta... É que o malandro promete demais e se descuida, uma hora ele roda... Mas por enquanto ele é foda!

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Para Vivian.

Eu não te escrevo faz algum tempo, sinceramente, pensei em não te escrever mais. Então, esta será a minha despedida, como as flores deixadas em um túmulo. Nunca vou esquecer esse jeito fácil de gostar que abraça e se permite todo o tipo de afeto e depois voa com o vento. Eu penso que não há como te odiar, que todas as vezes que você retornou, eu sorri de surpresa e que de alguma forma eu estava me tornando o seu porto seguro. Mas e agora? Eu sinto que você pode chegar a qualquer hora e vamos conversar na varanda tomando café e jogando cartas, mas não sinto a sua falta e ao mesmo tempo não me importaria em estar com você pelo resto da minha vida. Não é estranho? Pode parecer que estou mentindo, mas já se passaram 6 anos, não é? Você me fez uma pergunta antes de ir embora e a resposta é a seguinte: Eu criei raízes neste lugar e as coisas por aqui são monótonas e tranquilas e eu amo isso, eu não trocaria isso por nada. Eu sempre irei pensar em você com muito carinho, mesmo sabendo que não somos mais como antes e o tempo ainda vai nos mudar bastante, por isso não vou te incomodar mais. Eu vou estar aqui, não estou te convidando, Café, baralho e meus ouvidos é só o que eu tenho. De alguma forma eu sei que você não virá mais, está tudo bem. Na sua última carta você me perguntou se eu havia encontrado alguém em especial, Você sabe que não há ninguém que seja assim. Eu só quero deixar de pensar que eu preciso te prender aqui, e por isso eu não vou mais te escrever. Adeus, Vivi!

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Oração sincera.

Ei, Amigo! Eu sei que eu não preciso te contar das coisas que eu vivo. Nem das desconfianças que sempre tive das coisas que me diziam, e hoje em dia nem sei em qual livro vive essa versão que fizeram de você... Mas quando estou só, sinto essa vontade de sair à tua procura, Me banhar na chuva fria e me esconder na noite escura, E me deixar de vez em quando nessa loucura De te dizer planos insanos, sonhos e tantos outros rascunhos... Eu não te encontro, Nem em igrejas, muito menos em catedrais, Pois onde muitos passam, sempre apagam os teus sinais, Por que a ganância sempre quis te possuir, te inventando nomes para ter de quem estorquir e rejeitar quem não se deixa dominar Pela fraqueza que habita cada coração. Hoje eu penso assim, amanhã talvez não... Mas eu queria deixar mais este recado na tua caixa postal, vou explanar teu endereço, não me leve a mal, é que tem muita gente precisando por aí... Rico como tú és Não há como fugir... Então deixe de bancar o sacana, Tem gente te usando pra lavar uma grana, Transformando buteco em casa de oração. Criando o problema pra vender a solução, Comprando terreno no céu com o jogo do tigrinho. E nos deixando cada vez mais mesquinhos... Mas pra quem espera, teu endereço é a paz O silêncio e uma oração sincera.

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A chuva que me habita.

Há algum tempo que eu vivo cansado, É que chove dentro, nos espaços entre meus Pensamentos. Eu penso no tempo, num espírito que olha todas as coisas passarem como a água turva de um rio num dia de monção. Pelos dias de dor, um momento de ausência me faz sorrir. Eu já morri, eu acho...