Will _ Firebill @Will_Firebill

Conto da Carochinha.

Uma barata entrou na caixa do remédio, onde já não estavam as cartelas dos comprimidos, somente uma bula meticulosamente dobrada, a posologia indicava intervalos de 8 horas entre as doses, de preferência antes das refeições, se ao menos alguém tivesse lido... Nas contra indicações estava escrito que gestantes não deveriam fazer uso do medicamento, e que o uso com bebidas alcoólicas poderia provocar reações adversas e ampliar os efeitos psicoativos causando náuseas e enjôo, e muito frequentemente sono, uma combinação fatal... A barata saiu da caixa e caminhou por um quarto escuro. Alguém bateu na porta, já era a quarta pessoa que chamava por Etienne. A barata já não se assustava tanto, ela desceu por detrás da cômoda e rapidamente passou por baixo da porta sanfonada do banheiro, uma sacola da farmácia era algo novo, um sabonete, um enxaguante bucal, um creme hidratante, um teste de gravidez, uma tintura para os cabelos, uma nota fiscal amassada onde havia um número de telefone anotado à caneta, cor azul. O chuveiro às vezes deixava uma gota cair, e quem sabe quantas baratas conseguiriam sobreviver com uma gota d'água por noite? Principalmente numa noite tão tranquila, geralmente o quarto nº 16 era muito visitado. A barata passou por trás de um pequeno cesto de roupas, separou suas antenas e às limpou por algum motivo, saiu do banheiro, dirigiu-se até uma lixeira próxima a porta do quarto, muitos plásticos, farelos e migalhas variados, quatro latas de energético, mas a barata não estava com sede... Continua... Talvez!

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