O jardim
Naquela hora uma era inteira passou, Derivei da realidade como um carro que escapa de uma curva e voa lindamente antes de despedaçar num impacto violento. Eu me espanto com a facilidade com que aceito um fim que nunca chega... "É agora? Não, ainda não..." As pessoas estão morrendo lentamente, Não posso carregar mágoas e ressentimentos, eu guardo a distância. Eu durmo criando estórias, em todas estou só. Eu me recuso a ser visto, sinto que sou uma fraude. Desenhei nas estrelas uma deusa que não me ama, e de algum jeito, eu sei que não amarei ninguém dessa forma que imaginei... Sinto que tenho tão pouco para oferecer, ao mesmo tempo que não espero mais do que um abraço e um instante de presença. É que geralmente me encontram quando algo vai mal, não retribuem, dizem que sou um cara legal, a ajuda que Deus mandou... Falta algo Sempre faltará Tentar preencher essa falta Só irá me fazer sofrer. Eu varro folhas no jardim, Eu empurro as folhas e o vento as leva, não por mim, mas sempre num mesmo sentido, Não o que eu quero, mas seria um esforço absurdo e cômico varrer folhas contra o vento... Naquele momento, uma era em um minuto, me vi tão distante de tudo... "É agora? Não, ainda não..." Eu tento escrever, rimar e não falar de mim... "Só sei falar de mim" Eu chego em casa e tem café, Isso é bom, muito bom! Tudo é sempre a eminência de coisa nenhuma, nada e algo acontecem mas não é um acidente ou um sonho... São meus olhos procurando meios para satisfazer um desejo que agora nem sei se é meu... Haverão folhas amanhã? Não sei
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