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Wélerson Recalcatti

@Welerson · desde 2020

Wélerson Recalcatti 26 anos Catarinense Poeta Dramático Lábios Tristes

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Poema

Acomodados

A juventude padece aos conceitos Da sua própria acomodação Quando as mentes se deitam aos leitos E fazem do tempo, um colchão Buscam o caminho menor E ignoram a estrada mais turva Mas não sabem que a sabedoria é um nó Que desata ao dobrar de uma curva Poucos desfrutam da regalia De poder ler, e ter estudado Que outrora apenas se dava a burguesia Enquanto não podia, o proletariado E que mesmo já tendo este livre acesso Ainda se vê tão pouca leitura Padece a gramática, triste eu confesso! Que morre nas teclas, a literatura E sofremos buscando encontrar solução Resgatar a fome pelas palavras escritas Tentando ensinar a interpretação Que nos dias atuais, se mostra finita Buscamos então, trazer grandes mudanças Através do trabalho, aqui implementado Tornando leitores, estas crianças Para que deixem de ser acomodados

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Poema

Até o Próximo Voo

Poema : Até o Próximo Voo Autor : Poeta Wélerson Recalcatti Homenagem a Lito Sousa Quero começar este poema Tirando meus pés do chão Contar como num filme de cinema Voando nas asas de um avião Vendo as belezas do céu E as nuvens que parecem de algodão Que esta homenagem sirva como troféu Para aquele a quem nos mostra a direção Que com suas palavras de calmaria Torna a mais terrível tempestade No mais lindo e ensolarado dia Nos mostrando e ensinando a verdade Mas que hoje sofre uma turbulência E luta com muita fé e força de vontade Contra aquilo que afeta a sua consciência E lhe trás tanta dor e dificuldade Mas jamais desiste desta batalha E luta firme, com coragem e amor Como um avião que passa por uma falha Mas segue vivo, não desliga o motor Quero então por meio das minhas palavras Desejar uma recuperação com vigor Escrevi este poema em lágrimas Pois considero-te como amigo, não seguidor E que Deus conceda este milagre E logo tudo possa melhorar Que a ti, as bençãos ele consagre E a turbulência possa se acalmar Você é um herói brasileiro Muito ensinou e ajudou quem temeu Fez o mais amedrontado passageiro Voar sem medo, depois de ver um vídeo seu Muito obrigado Lito, e que logo tudo passe Encerro agora este poema de consolo Que agora mesmo o Brasil inteiro te abrace E todos digam : Até o próximo voo

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Amor

Os Heróis Penduraram o Giz

É com grande orgulho no peito Que presto esta homenagem Àqueles que merecem todo respeito Ouçam agora esta mensagem Vou falar daqueles que tanto ensinaram Transmitiram suas palavras e seus valores E muitas pessoas educaram Formaram dentistas, médicos, escritores Sempre ensinando com o mais puro amor Formaram artistas, advogados e doutores A eles todos hoje presto este louvor Muito obrigado meus queridos professores Vocês construíram a sua história Página por página que foi escrita Por isso merecem esta dedicatória Que este poeta, agora, vos recita É meus amigos Os anos foram se passando Mas com alegria eu vos digo Vocês continuam ensinando Afinal, um professor é um herói O mais amado, desde a nossa infância Pois é o professor, que a educação constrói E destrói, as algemas da ignorância Hoje estes heróis e heroínas Estão calvos, brancos e cansados Mas jamais abandonam a disciplina E jamais deixam o ofício de lado Vocês ensinaram com tamanha maestria E tornaram o mundo, muito mais feliz Encerro agora esta minha poesia Em honra aos heróis que penduraram o Giz E que mesmo desfrutando da aposentadoria Não deixa de dizer com tanto amor E com orgulho imenso e alegria Que um dia, também foi um professor

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Poema

Fofoqueira

No triângulo mineiro Uma pequena vila existia Comum cenário brasileiro Onde a história se escrevia Toda vez que uma novidade Por lá, acontecia Rapidamente pela cidade A notícia corria Ía de boca em boca Mas é sempre a mesma que inicia Uma mulher velha e louca Que de casa em casa batia Só pra espalhar boato Tinha muita ousadia Fazia da vila um teatro Mas a platéia não aplaudia Pois ninguém gostava do jeito Que ela se intrometia Foi então que o prefeito Uma ideia teria Fazer ela passar vergonha Que nunca mais falaria Como a cobra sem peçonha Que outro ser não picaria A mulher tinha uma filha Morena, por nome de Maria Dessas que o cabelo brilha Quando sai o raiar do dia Então alguém no seu ouvido Veio lhe contar com alegria Você ficou sabendo do ocorrido Com o filho da Dona Sofia? Ela toda espantada Disse que nada sabia Mas diga, não esconda nada Logo ela repetia Foi então que o sujeito Lhe disse com muita coragem O filho dela perdeu o respeito Anda no mato a fazer bobagem Ela então brilhou a vista E correu pra espalhar Tipo capa de revista Que gosta de se mostrar Chamou toda a vizinhança Para todos escutar Pois tinha a esperança De ver a mãe se envergonhar Você sabe comadre Onde teu filho vai todo dia? Sei sim cara comadre Vai pro mato com Maria Fez tremer a sua orelha As gargalhadas que se ouvia Ela ficou tão vermelha Que pra casa logo corria E depois daquele dia Ninguém mais fez fofoca Na vila houve calmaria Que até se ouvia estourar pipoca É assim que se educa Quem a vida dos outros quer cuidar A mulher parece até muda Nunca mais se ouviu falar Pois quis falar do filho alheio Mas tomou uma lição Pois a resposta que veio Fez o ego cair no chão Ao saber que o filho da amiga Que no mato fazia bobagem Levava a sua filha querida Sempre na mesma viagem

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Morte

O Caderno

Meia noite o ponteiro marcava Naquele relógio antigo Na encruzilhada um homem estava Uma voz veio e lhe chamou de amigo E seguiu dizendo assim Ao pé de um velho Juazeiro Quem aqui cavar primeiro Encontrará riqueza enfim Ele estava com muito medo Mas daquilo guardou segredo E pra sua casa partiu No outro dia bem cedo Levantou correndo E pra lá, ele seguiu Ao cavar no Juazeiro Achou um baú cinzento E no mesmo instante abriu Dentro havia um caderno Velho, todo empoeirado Na capa negra retratado O cenário ardente do inferno Na primeira folha havia uma inscrição " Tudo o que aqui for escrito Pela palavra da maldição Vai se tornar real, esse é o veredito Mas quando na última folha chegar A morte virá visitar E te levará para o fim " Pra casa, ele correu E logo já quis testar Quando a primeira palavra escreveu Tudo começou mudar " No sétimo dia Do mês de novembro Eu ainda lembro Ganhei na loteria " Os dias foram passando Ele tanto se empolgou Cada coisa que foi anotando O caderno realizou Mas da inscrição esqueceu E quando se deu conta Ao ver a última folha pronta Na porta, alguém bateu Foi então que a morte Pegou o caderno e levou Deixando no mesmo Juazeiro As páginas ela apagou Para que outro descuidado Um dia também possa encontrar E queira vencer na vida Fácil, sem batalhar Mas que no fim pagará o preço E um dia o seu endereço A morte vai ir visitar

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Poema

A Cabeça do Cavalo ( Causo do Roberto Abreu )

Um fato agora eu vou contar Asseguro não ser brincadeira E quem quiser escutar Sente-se numa cadeira Pois é coisa de cinema O que agora vou falar Nas estrofes deste poema Que escrevi e fiz rimar O fato que será contado Fala de um grande bailão Quando o bigode era respeitado E todo homem tinha um facão Falarei de um amigo meu Conhecido pelas trapaças O grande Roberto Abreu Temido por onde passa Que numa certa feita Pegou um cavalo " emprestado " Foi na época da colheita Nos festejos do meu estado E partiu para o bailão Já torto de embriagado Na cinta o três oitão E no bolso dinheiro amassado Já tava querendo briga Antes mesmo de chegar Pois mais de dez intriga Ele disse que ía arrumar Mas de tão bêbado que estava Em vez de entrar no pavilhão A porta ele não notava E foi parar lá no porão O cavalo com medo do escuro Um salto pra cima deu É um cavalo ou é um burro? Esbravejou Roberto Abreu O cavalo foi empinando E meu amigo então caiu Um barulho foi escutando Causou um grande arrepio Pois viu o cavalo quebrando O teto daquele porão E a cabeça então entrando Bem no meio do salão Houve grito, berro e oração De quem viu a cabeça entrando E o povo que tava dançando Quase morre do coração O cavalo assustado Relinchava igual um louco De tão desesperado Saiu daquele sufoco E olhando Roberto calado Sentado em um pequeno toco O disse muito zangado Por que não bebe mais um pouco? Roberto caiu desmaiado E logo depois foi acordar Acreditava ter sonhado Pois nunca viu um cavalo falar Mas o povo daquele bailão Jura até hoje ter escutado Um cavalo correndo na escuridão Cantando e dizendo, estou libertado

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Poema

As Catarinas

Das raízes europeias Que aqui um dia chegaram Construíram suas ideias E seus costumes ensinaram Honrando a sua criação O berço que às deu vida Ostentam os calos da mão Do dia a dia na lida A sua grande vontade Sustenta a agricultura E a sua humildade Embeleza a literatura Pois todos os seus feitos Trazem história pra contar As lutas por seus direitos Não cansam de batalhar Sempre em prontidão Para enfrentar qualquer problema Escrevo com meu coração Para elas, este poema É uma curta homenagem Àquelas que formam gerações Que sempre mostrando coragem Enfrentam até leões São mulheres de valores Que ao campo traz tanto orgulho Elas são belas como as flores Mas duras como o pedregulho Por isso eu digo agora O que sinto no meu peito Que todas essas senhoras Merecem o meu respeito Pois honram a tradição Com muita força e disciplina Plantando a semente no chão Da nossa Santa Catarina Muito obrigado agricultoras Que alimentam nosso Brasil Vocês são tão lutadoras Vocês valem mais que mil

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Poema

Eu Conheci Uma Garota

Ó minha cara escuridão Que sorrateira me visitas todo dia Descendo seu véu pelo meu portão E atentamente ouve a minha poesia Sente-se ao meu lado aqui agora E ouça essas rimas que recito Tenha calma ó sombria aurora Eu garanto que tais versos são bonitos Eu conheci uma garota tão linda Mais linda do que a noite tão escura Numa beleza tamanha que não finda Quão sublime me aparenta tal criatura Mais linda que o cemitério em dia de finados Mais linda que um buquê de rosas turcas Mais linda que um Di Bondone autografado Mais linda que o negro mórbido da burca O seu jeito agitou meu coração Os seus cabelos eram lindos como o mar E a sua face, em profunda tentação Como era belo, aquele seu obscuro olhar A sua boca, quão chorosa em solidão Pois os seus lábios não tinham outros pra beijar Pois notei, não haver na sua mão Uma aliança, para o dedo adornar Eu conheci uma garota tão incrível Que com seu jeito, me pôs a imaginar Como deve ser uma vida horrível Daquele que a sua face nunca pôde olhar Pois era doce, como a melodia de um violino Quando as negras cordas tocam o coração A sua voz, encanta qualquer menino E leva homens tolos, à perdição Mas era linda, como a arte de Grimshaw Era linda, como o pôr do sol da sexta feira Mas era calada, como o silêncio de um funeral Quando a vida, se mostrava ser passageira Não sei se a verei novamente Talvez no dia em que eu possa ter sorte Ou então, talvez que ela esteja presente Quando enfim, presenciar a minha morte Eu sei apenas, que beleza igual àquela Jamais verei, em toda eternidade Não sei seu nome, nem de onde vem ela Só sei que nunca, vi ninguém igual nesta cidade

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Política

Política Paralítica - O Jeito "Certo" de Roubar

Vivo num país Onde o certo é errado Onde se planta a raíz Em solo mal adubado Onde o ladrão é protegido Pela " justiça " brasileira E o honesto é perseguido Por defender sua bandeira Vivo num país Onde se pune o trabalhador Onde querer ser feliz Ofende o sofredor Onde qualquer piada Vira crime e processo Mas toda verba desviada Não se discute no congresso Não tenho lado nenhum Não sou do A e nem do B Pois pra mim, político algum Merece que eu vá defender Vivo num país Onde se omite a verdade E pro bandido a lei diz " É vítima da sociedade " Vivo num país Que diz ter ordem e progresso Mas já vi até juíz Virar um réu confesso Onde todo dia o crime cresce Pelas grandes capitais Mas é o carnaval que aparece Nas manchetes dos jornais Vivo num país Onde é frágil a educação A realidade não condiz Com a arrecadação Onde o imposto é cobrado Se dá retorno, eu não sei! Mas se um centavo for sonegado Você cai nas garras da lei Vivo num país Onde há miséria e fome Onde o rico vai pra Paris E o pobre quase nem come Onde andam os magnatas Os pobres nunca tem vez E muitos que usam gravatas Valem menos que os de camisa xadrez Vivo num país Onde a violência é propagada Onde há a cicatriz Das mulheres assassinadas Onde não se valoriza a cultura Das tantas raças misturadas E morre a literatura Em páginas nunca folhadas Onde o valor ético e moral Foi ofuscado pela crítica E o efeito colateral É essa política paralítica Que vive sobre muletas E manca ao caminhar Pois a humildade é obsoleta E a mídia gosta de alienar Enganando o cidadão Para seu voto conquistar Ensinando o brasileiro então O jeito certo, de roubar

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Amor

Cordel da Cruz

Hoje vou contar a história De um homem que sofreu tanto Que viveu cá neste mundo E derramou seu sofrido pranto E com o seu triste final Causou muito espanto Ele era tão humilde Um poço de bondade Alegre e cativante Alegrava a cidade E por onde ele passava Só falava a verdade Mas por homens sem coração Ele foi tanto perseguido Maltratado e machucado Seu corpo ficou ferido O trataram como animal E o julgaram ser bandido Mas mesmo assim não desistiu De pregar a palavra sagrada E por todo esse planeta A sua voz foi escutada Que até hoje muitos seguem As leis, por ele implantadas Viveu com simplicidade E humilde de coração Sem nenhuma vaidade Pregava sempre a união Juntou doze amigos Pra ajudar na sua missão Mas o ódio era tão grande E os homens eram cruéis Que convenceram um deles E inverteram os papéis Tirando a sua vida A troco de trinta réis Ele foi tão castigado Seu sangue se derramou Foi muitas vezes açoitado Tantas lágrimas chorou E numa cruz ele foi pregado No dia em que mais rezou Pedindo perdão a Deus Para quem o condenou Foi o maior dos atos seus Quando pra morte, se entregou Naquela cruz ele morreu E o mundo todo parou A terra toda tremeu Que até o soldado falou Era mesmo o filho de Deus Foi o que se escutou Na mesma hora choveu E o seu sangue lavou Entregando-se de corpo e alma Para trazer a nossa libertação E até hoje há quem não acredite Ou não dê muita atenção Mas basta não fazer o mal Que encontrará a salvação Eu termino este cordel Cujo fim já foi previsto Vou pegar o meu corcel As minhas roupas eu já visto Hoje mesmo quero chegar no céu E abraçar a Jesus Cristo

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