Wélerson Recalcatti @Welerson
Poema

Fofoqueira

No triângulo mineiro Uma pequena vila existia Comum cenário brasileiro Onde a história se escrevia Toda vez que uma novidade Por lá, acontecia Rapidamente pela cidade A notícia corria Ía de boca em boca Mas é sempre a mesma que inicia Uma mulher velha e louca Que de casa em casa batia Só pra espalhar boato Tinha muita ousadia Fazia da vila um teatro Mas a platéia não aplaudia Pois ninguém gostava do jeito Que ela se intrometia Foi então que o prefeito Uma ideia teria Fazer ela passar vergonha Que nunca mais falaria Como a cobra sem peçonha Que outro ser não picaria A mulher tinha uma filha Morena, por nome de Maria Dessas que o cabelo brilha Quando sai o raiar do dia Então alguém no seu ouvido Veio lhe contar com alegria Você ficou sabendo do ocorrido Com o filho da Dona Sofia? Ela toda espantada Disse que nada sabia Mas diga, não esconda nada Logo ela repetia Foi então que o sujeito Lhe disse com muita coragem O filho dela perdeu o respeito Anda no mato a fazer bobagem Ela então brilhou a vista E correu pra espalhar Tipo capa de revista Que gosta de se mostrar Chamou toda a vizinhança Para todos escutar Pois tinha a esperança De ver a mãe se envergonhar Você sabe comadre Onde teu filho vai todo dia? Sei sim cara comadre Vai pro mato com Maria Fez tremer a sua orelha As gargalhadas que se ouvia Ela ficou tão vermelha Que pra casa logo corria E depois daquele dia Ninguém mais fez fofoca Na vila houve calmaria Que até se ouvia estourar pipoca É assim que se educa Quem a vida dos outros quer cuidar A mulher parece até muda Nunca mais se ouviu falar Pois quis falar do filho alheio Mas tomou uma lição Pois a resposta que veio Fez o ego cair no chão Ao saber que o filho da amiga Que no mato fazia bobagem Levava a sua filha querida Sempre na mesma viagem

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