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Sara Oliveira

@Saraa · desde 2019

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Sobre querer que a dor vá embora

Sobre querer que a dor vá embora Queria que a dor simplesmente… sumisse. Como uma sombra que se desfaz ao amanhecer. Queria dormir — um sono sem sonhos, sem peso, sem esse aperto que mal cabe no peito. Queria voltar a ver a vida colorida, como antes, quando o riso era leve, quando o mundo não parecia um borrão cinza, quando eu me reconhecia no espelho. Mas agora… o peito aperta, a alma corrói por dentro, silenciosa, como quem rói as bordas da esperança. O corpo… tão cansado… mas funcional. Cumpre tarefas, levanta, prepara, limpa, resolve — sobrevive, mesmo quando a alma implora por um segundo de alívio. A vida passa diante dos meus olhos, rápida, indiferente, e eu estou aqui… não vivendo, apenas resistindo. Peso morto. É assim que me sinto, às vezes. Um corpo que ocupa espaço, mas não encontra propósito. Inútil. Mesmo quando sei, racionalmente, que não sou. Mas a dor mente. E eu, cansada, quase acredito. Só queria… que a dor fosse embora. Que o mundo voltasse a ter cor. Que eu pudesse, enfim, viver — e não apenas… suportar.

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Te imaginei em mim III

Te imaginei em mim — Parte III (Depois do limite) Eu já não era eu. Era o eco do teu toque não dado, Era a pele arrepiada por promessas, Era o centro do desejo, em brasa viva. Montei tua ausência como se fosse presença, Encaixei teus gemidos nos meus, E senti tua respiração quente Soprando pecados entre minhas pernas. Chamei teu nome com a boca molhada, Com o quadril em desespero, Com os dedos marcando território Na carne que sonha por ti. O espelho me viu inteira — Dobrada, entregue, implorando, Fêmea, flor, faísca e vulcão, Toda tua… mesmo sozinha. E gozei. Gozei como se você me visse. Como se tua mão estivesse aqui. Como se tua boca dissesse: “Te quero assim.”

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Te imaginei em mim II

Te imaginei em mim — Parte II (Entregue ao fogo) Deitei-me nua sobre o lençol do desejo, E teus olhos me queimaram sem estar. Meus dedos já não eram meus, Eram teus — famintos, vorazes, sem pressa. Me abri. Com a entrega de quem suplica, Com a ousadia de quem domina, E deixei que a lembrança tua me possuísse. Teu nome escapou entre gemidos, Teu gosto, inventado na boca, Teu peso, sentido nas coxas abertas, E o gozo... Ah, o gozo, foi todo teu — Mesmo sem estar. Fui tua, mais do que antes. Mais do que posso ser. Mais do que deveria. E ainda assim, desejei mais.

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Te imaginei em mim

Te imaginei em mim Hoje caminhei pelas minhas curvas Com os dedos da saudade, Toquei minha própria umidade E encontrei teu nome em cada arrepio. Suspirei — Mas não foi o ar que me faltou, Foi teu toque, tua boca, teu cio. Minha mente te desenhou em mim, Pele contra pele, Fome contra desejo, Silêncio quebrado por gemidos contidos. Meu corpo chamou o teu Em cada tremor, Em cada impulso que nascia do centro, E morria no eco do teu nome. Vem. Não me deixes só com a lembrança. Meu corpo ainda pulsa No compasso da tua ausência.

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O sol

O sol brilha, mas não toca O abismo dentro de mim. A manhã parece oca, Sem começo, meio ou fim. O beija-flor, tão vaidoso, Canta ao vento sua dor. Mas seu canto, tão formoso, Já não fala mais de amor. Corações em descompasso, Tocam ritmos de ilusão

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Silêncio na estrada

O sol brilha, mas não toca O abismo dentro de mim. A manhã parece oca, Sem começo, meio ou fim. O beija-flor, tão vaidoso, Canta ao vento sua dor. Mas seu canto, tão formoso, Já não fala mais de amor. Corações em descompasso, Tocam ritmos de ilusão. E o vazio traça o espaço Dentro de cada pulsação. Grita a alma, em eco lento, Mas ninguém quer mais ouvir. Nem a paz busca alento, Nem o tempo quer sorrir. Tudo é sombra, tudo é nada. Mesmo a luz se faz ausente. Sou silêncio na estrada, Sou saudade permanente.

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Cinza frio

Me sinto fraca. Ansiosa. A cabeça lateja, o estômago revira, o corpo pesa. Falta o ar. Até respirar dói. Vazia. Sozinha num mundo cheio de gente. Invisível, mesmo cercada de olhos. Olho no espelho e não me reconheço. Cadê a mulher que fui? A chama se apagou devagar… sem ninguém notar. Tô sem rumo, feito folha no vento, procurando alguém ou só tentando me reencontrar. Sinto saudades de mim mesma. De quando o sol me aquecia e os dias tinham sabor. Agora, ele não esquenta mais. O cobertor não é suficiente. Sinto frio o tempo todo. Por dentro e por fora. As lágrimas escorrem sem pedir licença. E a escuridão me corrói com fome, com pressa. Busco cor nesse nevoeiro cinza, um sinal de calor, alguma brisa que me lembre que ainda existo. E que, mesmo em pedaços, ainda sou.

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Me queira sem pudores

Amor, Não quero ser apenas teu costume, teu dia a dia repetido. Quero ser tua vontade urgente, tua loucura preferida. Quero teus beijos que não pedem licença, teu toque firme que me reivindica. Quero teus olhos cravados em mim, como quem vê não só o corpo, mas a alma nua, pulsante, sedenta. Quero teu cheiro grudado na minha pele, teu desejo arranhando o tempo, nos fazendo esquecer do mundo lá fora. Não quero amor tímido. Não quero toque contido. Quero tua fome, tua sede, tua entrega suada, tua boca faminta. Quero teu corpo exigindo o meu, como se só eu bastasse para te salvar do vazio. Somos mais que pais. Somos fogo contido demais. E eu estou pronta pra incendiar. Me queira, amor. Sem medo. Sem limites. Sem pudores. Me tome tua. Com o corpo, com a boca, com a alma. Eu sou tua. E te quero assim: inteiro, insaciável, meu.

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NÃO TE PERTENCEREI

Não Te Pertencerei Desejar - me, Desejar - me por vaidade, Um desejo sem alma, sem verdade. Tocando o que não sabes, Vendo o que não conhece, Mas o que não me entrego, não será teu. Deseja minha pele, Quer minha carne nua, Mas há em mim algo que não se alcança, Uma essência que não se toca, não se muda. Minha alma é um segredo, Meu coração, um abismo profundo, E, por mais que você me queira, Nunca será meu, nunca será seu. Eu sou minha, E meu ser não se desfaz em desejo, Não será por vaidade, não será por sedução, Que vou me entregar a um amor que não tem fundamento.

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Sonho em pele

Sonho em Pele Essa noite, sonhei com você, Com teus lábios, com teu prazer. Teu cheiro, suave tentação, Invadiu meu peito, minha paixão. Senti teus dedos, leve ousadia, Desenhando minha pele com poesia. Acariciando cada curva que te implora, Cada célula minha por ti ainda chora. Teu corpo colado no meu, a combustão, Dois mundos num só coração. E uma intensidade úmida, arrebatadora, Tomou meu ser, feito onda devoradora.

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