Sobre querer que a dor vá embora
Sobre querer que a dor vá embora Queria que a dor simplesmente… sumisse. Como uma sombra que se desfaz ao amanhecer. Queria dormir — um sono sem sonhos, sem peso, sem esse aperto que mal cabe no peito. Queria voltar a ver a vida colorida, como antes, quando o riso era leve, quando o mundo não parecia um borrão cinza, quando eu me reconhecia no espelho. Mas agora… o peito aperta, a alma corrói por dentro, silenciosa, como quem rói as bordas da esperança. O corpo… tão cansado… mas funcional. Cumpre tarefas, levanta, prepara, limpa, resolve — sobrevive, mesmo quando a alma implora por um segundo de alívio. A vida passa diante dos meus olhos, rápida, indiferente, e eu estou aqui… não vivendo, apenas resistindo. Peso morto. É assim que me sinto, às vezes. Um corpo que ocupa espaço, mas não encontra propósito. Inútil. Mesmo quando sei, racionalmente, que não sou. Mas a dor mente. E eu, cansada, quase acredito. Só queria… que a dor fosse embora. Que o mundo voltasse a ter cor. Que eu pudesse, enfim, viver — e não apenas… suportar.
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