Cinza frio
Me sinto fraca. Ansiosa. A cabeça lateja, o estômago revira, o corpo pesa. Falta o ar. Até respirar dói. Vazia. Sozinha num mundo cheio de gente. Invisível, mesmo cercada de olhos. Olho no espelho e não me reconheço. Cadê a mulher que fui? A chama se apagou devagar… sem ninguém notar. Tô sem rumo, feito folha no vento, procurando alguém ou só tentando me reencontrar. Sinto saudades de mim mesma. De quando o sol me aquecia e os dias tinham sabor. Agora, ele não esquenta mais. O cobertor não é suficiente. Sinto frio o tempo todo. Por dentro e por fora. As lágrimas escorrem sem pedir licença. E a escuridão me corrói com fome, com pressa. Busco cor nesse nevoeiro cinza, um sinal de calor, alguma brisa que me lembre que ainda existo. E que, mesmo em pedaços, ainda sou.
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