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Rafaela Fernanda Lopes

@RafaelaFernandaLopes · desde 2022

A poesia nada mais é, Do que a forma que eu encontrei, De expressar o que a alma, Não quer deixar transparecer.

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Pastor do Ódio Digital

No púlpito grita com ar de profeta, Mas carrega na língua uma guerra secreta, Não fala de amor, nem da compaixão, Prefere o rancor, o ódio e a segregação; Se diz seguidor de Cristo, o homem da paz, Mas julga quem ama, quem reza e quem faz, Seu verbo é espada, sua fé, um tribunal, Transforma o evangelho em uma arma letal; Na rede social, vocifera sem piedade, Insulta, esbraveja e nega a desigualdade, Esquece o perdão, que é base cristã, Para defender um Deus com fúria de titã; Faz da doutrina escudo, revólver e lança, Enquanto a justiça perde a esperança, Do alto da tela, em seu paletó luxuoso, Excomunga quem não compactua com seu engodo; Cadê o Jesus dos braços abertos, Que andava com pobres e corações despertos? Você trocou o amor por curtida e audiência, E o Reino dos Céus por vil influência; Silas, pastor, tua voz é só pelo alarde, Tua mensagem endurece, esperneia, mas não arde, Quem semeia o ódio só colhe o rancor, E nunca conhecerá o verdadeiro amor. Rafaela Fernanda Lopes

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A Guerra que o Mundo Aplaude

Dizendo que é defesa, lançam explosões, Prometem a paz, mas aumentam as tensões, Por trás das desculpas, a verdade escapando, É retaliação! E a guerra segue avançando; O Irã apoia quem sofre mas segue lutando, Israel responde, no jogo de opressão, Com a Palestina na mira, o sangue jorrando, Com fogo e aço, impondo uma reação; Não é por medo, não há coerência, Estão punindo toda e qualquer resistência, Entre discursos, a guerra segue fria, Com pretextos usados como fantasia; O povo paga o preço da ganância e obsessão, Vítimas invisíveis, sangrando no chão, Enquanto líderes escondem o real motivo, No tabuleiro do medo, o jogo é incisivo; Entre bombas, silêncio, desespero e dor, Fica claro o que move o terror: Não é pela segurança, o recado é contido, Do genocídio claro, que pelo mundo é permitido. Rafaela Fernanda Lopes

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Gaza Ferida

Choram os céus sobre Gaza ferida, Terra sem pão, sem cor, sem guarida, Catorze mil berços num fio de agonia, Calados pela fome, sem luz, nem fantasia; O leite secou, a mãe já não canta, O silêncio do mundo é tudo o que espanta, Israel fecha a porta, a ajuda é negada, E a ONU clama para que sejam salvas; Tão leves os corpos, tão densa a aflição, De um povo esquecido, sem pão, nem perdão, A guerra é um jogo de homens no trono, Mas quem paga o preço, é o berço em abandono; Balançam as mãos com panelas vazias, Gritam as vozes que sofrem pela tirania, O trigo estocado atrás da barreira, E o tempo correndo, é morte certeira; Cadê tua fé, humanidade cega? Teu Deus se cala ou também carrega, A dor dessas mães que só pedem por suas vidas? Não querem armas, nem sangue, só a paz merecida. Rafaela Fernanda Lopes

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Espelho Quebrado

No reflexo do espelho, um monstro me encara, Uma falha invisível que ninguém mais reparou, A pele que carrego parece uma casca falha, E dentro desse corpo, um inferno se instalou; Meus dedos vasculham cada curva, cada linha, O nariz torto, a pele manchada, o cabelo escasso, O mundo ri de mim, mas a culpa é só minha, Por carregar um peso que não cabe no compasso; Escondo-me em sombras, me sinto uma piada, Roupas largas camuflam o que parece imperfeito, Cada olhar alheio vira uma espada afiada, E um labirinto de angústia que esmaga o peito; Repito rituais: maquiagem, bisturi, tudo no esquema, Na esperança vã de apagar o que me consome, Mas o defeito persiste, é uma chama que queima, Transformando meu quarto num cárcere infame; Dizem que sou linda, mas não vejo verdade, Só um quebra-cabeça de partes desiguais, A mente me engana com sua fria crueldade, E o coração ouve desrespeitos fatais; Por trás do sorriso, há um choro engasgado, Uma guerra silenciosa entre o eu e a ilusão, Mas busco na escuridão um fio de cuidado, Para curar essa dor que corrói a razão, Se um dia eu encontrar luz nesse abismo, Talvez veja além do que o espelho omitiu, E saiba que a beleza não é um mecanismo, Mas um eco da alma, de que o TDC mentiu. Rafaela Fernanda Lopes *Tema: Transtorno Dismórfico Corporal

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A Angústia Que Me Reflete

A ansiedade me habita, me consome, Ela chega sem convite, sem aviso, No silêncio da noite, sem saber o meu nome, Ecoando no peito, como um grito infinito; Toma o lugar da angústia que eu tento evitar, Num jogo de esconde-esconde, para me torturar, E quando tento fugir, ela me agarra, Tão forte, tão certa, prendendo minha alma; O medo é o espelho que me reflete, Mas não enxergo o que ele me promete, E a tristeza que eu me recuso a encarar, Se transforma em ansiedade, a me devorar; Olho pra dentro, mas o medo me impede, E a paz que busco, inconscientemente cede, A essa sombra que insiste em me acompanhar, Que não permite que eu possa me libertar; A angústia se dissolve quando busco ajuda, Mas enquanto não a encaro, o peso não muda, Ansiedade é o reflexo do que não quero enxergar, O fantasma do armário, que me recuso a enfrentar. Rafaela Fernanda Lopes

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Folhas ao Chão

Caiu uma folha numa manhã de outono, Já não era a mesma... Agora amarelada... Antes esverdeada, agora sem vida e descorada, E jaz no chão, em um triste, mas singelo abandono; Caiu uma folha numa manhã outonal, Será que doeu quando se partiu? Parece melancólica, despida pelo tempo, Talvez com saudade, ainda presa ao vento; A folha caída, de repente, não está sozinha, Outras folhas jazem ao seu redor, Velhas amigas em círculo, suas vizinhas, Formando um véu dourado, cada vez maior; Então, a pequena folhinha caída, Neste ritual do outono ao amanhecer, Já não sente a dor da partida, Pois não está só em seu perecer. Rafaela Fernanda Lopes

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O Legado de Francisco

Francisco chegou com sorriso e humildade, Rompeu as paredes da hipocrisia e da vaidade, Com gestos tão simples e palavras sinceras, Trouxe à Igreja uma nova primavera; De Roma às longínquas terras sofridas, Abraçou os que choravam, as almas aflitas, Regeu com ternura, coragem e luz, O pontífice que apontou ao amor de Jesus; Falou de paz, de justiça e esperança, De um mundo que sonha com mais segurança, Levantou a bandeira dos pobres, dos sofredores, Disse que Jesus andou no meio dos pecadores; Com fé inabalável e olhar compassivo, Lutou por uma igreja mais acessível, E ensinou que Cristo, em seu coração, Habita em quem serve com devoção; Francisco foi ponte entre o céu e a terra, Sua voz foi um canto que hoje se encerra, O Papa que pregou com alma e verdade, Semeou bondade, fraternidade e equidade; Que o tempo jamais apague seus traços, Nem cale a força dos seus abraços, Pois sua missão, com amor tão fecundo, Guiou com ternura o rebanho de todo o mundo. Rafaela Fernanda Lopes

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Poesia

Quando o Amor se Cala

Em uma dança de palavras, ele cambaleia, Alheio à melodia que vibra em meu íntimo, Seu olhar, é um labirinto de julgamentos, E eu, uma flor murchando em ritmo desconhecido; Ele não escuta o sussurro da brisa, Nem o canto que em meu peito floresce, No silêncio árido do seu mundo insano, Meus sentimentos morrem, sem direito à prece; Tentei sentir os versos através dos seus gestos, Fui o olhar que buscava uma conexão, Mas ele só enxergava a si mesmo, E suas palavras feriam, como a lâmina de um facão; Agora, à beira do abismo me encontro, E o meu amor se desmancha em poeira fria, Ele, um vulto perdido no ontem, no passado, E eu, mulher que procura um novo dia; Livre, deixo suas sombras pra trás, E voo, sem medo, rumo ao inexplorado mistério, O que senti anteriormente, hoje é pó ao vento, E a mulher que fui, hoje é uma flor no deserto. Rafaela Fernanda Lopes

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Poesia

A Tinta e o Vácuo

Na intensidade que constantemente me aprisiona, Sinto a angústia que em minha alma clama, Mãos invisíveis, em um aperto frenético e sombrio, E a escrita pairando, consumindo o vazio; Na velha máquina, letras silentes, Refletem a dor, a solidão e os medos presentes, Um brilho em meu peito, fraco e fugaz, Lutando na sombra, buscando intensamente a paz; Ao meu redor, os livros, mudos guardiões, De histórias silenciadas, por tolas ilusões, No chão, os papéis, repletos de ideias dispersas, E a minha alma oprimida, em lágrimas imersa; Mas mesmo na noite que me consome, Há um tênue desejo que em mim habita, Que a cruel tempestade, não possa findar, A força que em mim reside, pronta para lutar. Rafaela Fernanda Lopes

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No Abismo do Silêncio

No Abismo do Silêncio 10/04/2025 Depressão... Chega mansa, calada, sorrateira, Se esconde no peito, é traiçoeira... Quase ninguém vê, quase ninguém se importa, Mas ela habita o coração que desmorona; Por que só notamos quando tudo desaba? Quando a alma chora, quando a luz se acaba? Será que faltou um olhar, um gesto de amor? Ou fomos cegos diante da dor? Há quem grite... sem fazer barulho, Há quem viva... em eterno mergulho, Buscando um abraço, um simples colo, Mas o mundo com pressa, só deixa o abandono; As pedras lançadas em forma de crítica, Ferem mais do que qualquer dor física, O coração sangra, enfraquece a mente, E o peso da dor, cada vez mais crescente; Só entende quem já enfrentou a noite escura, Quem já sentiu na pele a dor mais dura, Quem já lutou com os próprios pensamentos, E chorou sozinho em seus lamentos; Quem precisa de ajuda... nem sempre encontra, Num mundo que passa, ignora e afronta, Almas sensíveis são quase uma raridade, Perdidas na correria, da fria sociedade; Então, dizem que é apenas frescura, E quando o peito cansa da luta dura, Muitos se vão... em silêncio, em pranto, Deixando no ar, saudade e espanto; Mas os julgamentos não param de vir, Cruéis, tardios, prontos para ferir... E a família chora em dor e lamento, Por não terem percebido o sofrimento; Por não terem visto aquele olhar cansado, Por não terem dado um abraço apertado, Por não notarem o pedido de atenção, Escondido no silêncio do triste coração; Por isso, escute... observe... abrace com calor, Antes que o grito se cale na dor, Seja presença, seja luz, seja compreensão, Às vezes salvar alguém, é simples, Um singelo sinal de carinho, sem depreciação. Rafaela Fernanda Lopes

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