Pastor do Ódio Digital
No púlpito grita com ar de profeta, Mas carrega na língua uma guerra secreta, Não fala de amor, nem da compaixão, Prefere o rancor, o ódio e a segregação; Se diz seguidor de Cristo, o homem da paz, Mas julga quem ama, quem reza e quem faz, Seu verbo é espada, sua fé, um tribunal, Transforma o evangelho em uma arma letal; Na rede social, vocifera sem piedade, Insulta, esbraveja e nega a desigualdade, Esquece o perdão, que é base cristã, Para defender um Deus com fúria de titã; Faz da doutrina escudo, revólver e lança, Enquanto a justiça perde a esperança, Do alto da tela, em seu paletó luxuoso, Excomunga quem não compactua com seu engodo; Cadê o Jesus dos braços abertos, Que andava com pobres e corações despertos? Você trocou o amor por curtida e audiência, E o Reino dos Céus por vil influência; Silas, pastor, tua voz é só pelo alarde, Tua mensagem endurece, esperneia, mas não arde, Quem semeia o ódio só colhe o rancor, E nunca conhecerá o verdadeiro amor. Rafaela Fernanda Lopes
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