Quando o Amor se Cala
Em uma dança de palavras, ele cambaleia, Alheio à melodia que vibra em meu íntimo, Seu olhar, é um labirinto de julgamentos, E eu, uma flor murchando em ritmo desconhecido; Ele não escuta o sussurro da brisa, Nem o canto que em meu peito floresce, No silêncio árido do seu mundo insano, Meus sentimentos morrem, sem direito à prece; Tentei sentir os versos através dos seus gestos, Fui o olhar que buscava uma conexão, Mas ele só enxergava a si mesmo, E suas palavras feriam, como a lâmina de um facão; Agora, à beira do abismo me encontro, E o meu amor se desmancha em poeira fria, Ele, um vulto perdido no ontem, no passado, E eu, mulher que procura um novo dia; Livre, deixo suas sombras pra trás, E voo, sem medo, rumo ao inexplorado mistério, O que senti anteriormente, hoje é pó ao vento, E a mulher que fui, hoje é uma flor no deserto. Rafaela Fernanda Lopes
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