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Claudemir Policarpo de Azevedo

@Professorpolicarpo · desde 2024

Prof. Policarpo: Educador, escritor e poeta. Pai e avô dedicado. Apaixonado por Sandrinha. [email protected]

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Quem ama cuida!

Ao vê-la lá fora, além da moldura, de um vidro embaçado de uma porta calada, meu peito doeu com ternura escura, como quem teme a perda não anunciada. Não era posse, nem ciúme feroz, era o silêncio gritando em minha voz, era o querer estar quando não se está, o medo de o tempo não mais voltar. Quem ama, cuida! não com correntes, mas com gestos simples, olhos presentes. Com o frio da ausência que corta a pele e a urgência do toque que o amor revele. Cuida com silêncio e com escuta, com a alma que na outra alma labuta, com a prece muda de quem só deseja que a vida seja leve quando o amor esteja. Quem ama, cuida e se entristece, quando vê por um vidro que o tempo esquece, que o instante escapa, que a distância pesa… Mas ainda assim, ama. E cuida. E reza.

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Poema

Diálogo entre o Poeta e o Poema"

[No silêncio da madrugada, à luz tênue de uma vela, o Poeta sussurra ao Poema:] POETA: Poema... tu me escutas? Sou eu, teu criador... ou teu servo? Já nem sei. POEMA (ecoando em voz serena): Escuto-te, Poeta. Sou o que tu deixas de ser para que eu exista. Sou teu suspiro mais profundo... e tua última palavra antes do fim. POETA: Tantas noites sangrei tinta, chorei sílabas, me despi de mim para vestir teus versos. Diz-me, foste grato? POEMA: Fui mais do que grato... Fui eterno. Enquanto tu apodreces em páginas esquecidas, eu respiro em bocas alheias. Em vozes que jamais conhecerás. Em olhos que jamais te verão. Mas que me sentirão — por ti. POETA: Então valeu a pena? Ser mortal, para que tu fosses imortal? Morri em cada estrofe que te escrevi... POEMA: Valeu. Pois a eternidade não nasce sozinha — ela precisa de sacrifício. E tu foste altar, sangue e oferenda. POETA: E se um dia te esquecerem? E se teus versos se perderem na poeira dos tempos? POEMA: Então serei como tu: um segredo sagrado, escondido no silêncio. Mas mesmo no esquecimento, serei tua voz gravada no universo. POETA (com olhos marejados): Meu corpo falha, meu tempo finda... Mas em ti, continuo. POEMA: Sim, tu continuas. És finito, mas em mim és centelha que não se apaga. Poeta... tu morres. Mas tua alma rima — e rima vive. POETA (sorrindo, fechando os olhos): Então que eu morra em paz. Pois dei tudo de mim ao que jamais morrerá. POEMA (em sussurro eterno): E eu serei tudo de ti... para sempre. Diálogo entre o Poeta e o Poema" Por Claudemir Policarpo de Azevedo Escrito em 15 de julho de 2025, às 21h26

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Entre o ontem e o hoje

Entre o Ontem e o Hoje Teve um dia em que o ontem brilhou mais que o hoje, em que os beijos diziam mais que mil palavras, e os abraços eram refúgios onde o mundo se escondia. Havia riso, havia calor — havia você. Ontem, o tempo era brando, corria leve, como vento que acaricia o rosto. O coração dançava sem medo, e cada segundo parecia eterno no seu olhar. Hoje... Hoje só restam as sombras do que fomos. A fome voltou — não de comida, mas de você. A ansiedade lateja, morde, grita o seu nome nos cantos mais silenciosos da minha mente. O brilho se apagou como vela ao vento, e o amor virou lembrança vestida de saudade. O tempo, que antes voava, agora rasteja como quem carrega o peso de um amor que ficou... no ontem. Mas mesmo na dor, há beleza. Pois o que foi real, permanece. E se o ontem foi tão bom, quem sabe... o amanhã não traga de volta o que hoje parece perdido?

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Travessia

Travessia Quando a vida parecer deserta, E o chão que pisas for pó e dor, Lembra-te: a alma é sempre alerta, E há mais que sombra ao redor. O deserto não é casa ou abrigo, É ponte feita de fé e coragem. Não se mora onde falta o trigo, Mas se aprende em cada passagem. Os ventos cortam, a sede aperta, Mas há promessa em cada alvorada. Mesmo a noite mais fria e incerta Carrega a luz de uma estrada. Siga, mesmo com os pés feridos, Mesmo sem ver o oásis chegar. Quem cruza os vales sofridos, É quem mais forte vai se tornar. Não temas a poeira que cega, Nem o silêncio que fere o ouvido. O céu, mesmo quando se nega, Prepara um tempo mais florido.

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"Talento é Ser Humano" (Inspirado em atitudes simples que fazem a difere

Não é preciso dom nem dominação, Para agir com alma e com o coração. Basta querer fazer o bem, E tratar com respeito a mais alguém. Ser pontual é ter consideração, É chegar no tempo com dedicação. Avisar antes, com clareza e cuidado, Mostra que o outro também é lembrado. Agradecer — gesto tão pequeno, Mas carrega um afeto pleno. Dizer “por favor” com humildade, Abre caminhos de humanidade. Cumprir o que foi combinado, É ser leal, é ser honrado. Reconhecer o esforço alheio, É calor no peito em forma de anseio. Ser ético — sem precisar saber tudo, É andar direito num mundo mudo. Falar a verdade, com leveza, É vestir a alma com nobreza. Dar satisfação, ter respeito, É entender que ninguém é perfeito. E responder com educação, É cultivar paz no coração. Não é talento, é atitude, É viver com mais virtude. Porque ser grande, na real, É escolher ser um ser essencial. Policarpo

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ALEXANDRE (Poema-acróstico em homenagem à memória e ao infinito)

As vezes, a vida sopra forte demais, Leva consigo os bons — ou os maus. Em cada ausência nasce um novo olhar, Xilogravado no tempo, difícil apagar. Alcançam o céu como quem volta ao lar, Não como fim, mas recomeço no ar. Das cinzas lançadas ao fundo do mar, Renascem memórias que vêm nos tocar. E o amor, esse, nunca deixará de estar.

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Eu habito em silêncios

Deixo cortinas leves, dançando com o vento, pra que entre um pouco de mundo. A porta? — Tranco com poesia. Só a chave da alma abre. Caminho pelos cômodos das lembranças, arrumo os quadros do passado nas paredes do peito. Na sacada, converso com as estrelas, e às vezes até com a saudade. Mas… as caixas? Ah, as caixas... Ainda não sei desfazê-las. Têm memórias demais para caber na sala. Se abro, temo que eu acabe me guardando lá dentro.

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Sua paz vale muito

Sua Paz Vale Muito 🌿 Não carregue o que é do outro, Nem vista o fardo do mundo. A paz que habita em seu peito É tesouro mais profundo. Não tente ser o encaixe De moldes que não são seus. Escolha o seu caminho, Mesmo que doa aos olhos alheios. Respira... Afasta o peso, a cobrança, a confusão. Silencie por dentro. Ouça seu coração. Se algo te tira o sono, Te aperta o peito, machuca a alma, Dê um passo pra trás, Escolha a sua calma. A leveza não é fuga, É coragem de se escolher. É saber que se amar É também saber dizer: “não vou me perder”. Então lembre, por favor, No meio do caos e do barulho: Você vale mais do que tudo isso. E sua paz… vale muito. 🕊️

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Deixo ir...

Deixo Ir... Deixo que falem, que inventem histórias, que pintem memórias com tinta que não é minha. Deixo que pensem, que achem o que quiserem, que pesem meus passos sem saber de onde vim. Aprendi que a vida é vento — não se prende, não se molda, e tentar agradar o mundo é esquecer de ser quem sou. Se em silêncio me abraço, se em calma me escuto, então já sou abrigo mesmo quando tudo é ruído. Estar em paz comigo é mais que suficiente. É liberdade serena, é amor permanente.

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Vazio

Vazio Há um eco dentro de mim, feito espaço sem jardim. Silêncio que grita calado, um coração despovoado. Mas no nada que me invade, mora a chance da verdade: de me encher de novo inteiro com o que for verdadeiro.

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