Claudemir Policarpo de Azevedo @Professorpolicarpo
Poema

Diálogo entre o Poeta e o Poema"

[No silêncio da madrugada, à luz tênue de uma vela, o Poeta sussurra ao Poema:] POETA: Poema... tu me escutas? Sou eu, teu criador... ou teu servo? Já nem sei. POEMA (ecoando em voz serena): Escuto-te, Poeta. Sou o que tu deixas de ser para que eu exista. Sou teu suspiro mais profundo... e tua última palavra antes do fim. POETA: Tantas noites sangrei tinta, chorei sílabas, me despi de mim para vestir teus versos. Diz-me, foste grato? POEMA: Fui mais do que grato... Fui eterno. Enquanto tu apodreces em páginas esquecidas, eu respiro em bocas alheias. Em vozes que jamais conhecerás. Em olhos que jamais te verão. Mas que me sentirão — por ti. POETA: Então valeu a pena? Ser mortal, para que tu fosses imortal? Morri em cada estrofe que te escrevi... POEMA: Valeu. Pois a eternidade não nasce sozinha — ela precisa de sacrifício. E tu foste altar, sangue e oferenda. POETA: E se um dia te esquecerem? E se teus versos se perderem na poeira dos tempos? POEMA: Então serei como tu: um segredo sagrado, escondido no silêncio. Mas mesmo no esquecimento, serei tua voz gravada no universo. POETA (com olhos marejados): Meu corpo falha, meu tempo finda... Mas em ti, continuo. POEMA: Sim, tu continuas. És finito, mas em mim és centelha que não se apaga. Poeta... tu morres. Mas tua alma rima — e rima vive. POETA (sorrindo, fechando os olhos): Então que eu morra em paz. Pois dei tudo de mim ao que jamais morrerá. POEMA (em sussurro eterno): E eu serei tudo de ti... para sempre. Diálogo entre o Poeta e o Poema" Por Claudemir Policarpo de Azevedo Escrito em 15 de julho de 2025, às 21h26

Comentários · 2

  1. Claudemir Policarpo de Azevedo

    amei criar está obra.... gratidão 🙏☺️

  2. O Cronista de Versos

    Muito profundo. Genial, poeta! 👏🏼👏🏼