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fany˖⁺‧₊

@PoucasPoesias · desde 2019

"fosse eu uma metáfora somente escrita nalgum livro insubsitente dum poeta antigo, de alma em outras gamas"

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dónde vivís vos (otra versión)

Sos mi desvelo, mi repetición, vivís en mi mente, sin explicación. Te pienso de día, te sueño al dormir, y aunque no llame, te oigo venir. Vivís en mis ojos, en cada reflejo, sos la figura detrás del espejo. En cada paisaje te vuelvo a mirar, como si el mundo supiera nombrar. Vivís en mi pecho, latido y corazón, En un chiquito, pero tibio rincón, Te guardo en secreto, aunque sin querer, ya que todo lo bonito me hace ver(te). Vivís en mis oídos, en voz y en viento, sos melodía en todo momento. En cada silencio, ahí estás vos, como un susurro que habla de los dos. Y aunque no vengas, y aunque no estés, seguís siendo el eco de todo lo que es. Mi mapa, mi norte, mi punto de fe, la casa invisible donde habita el porqué.

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reserva

Eu despejo em ti e tenho contigo Uma reserva do meu ser, da minha essência. Pra que nunca me falte mais de mim no meu peito (e que eu não me falte nunca mais). Te deixo um pedaço sem peso, um sopro guardado na tua memória, um eco de mim no teu riso aceso, um rastro invisível na tua história. Deixo no teu peito um abrigo, um fio da minha canção, feito gota que escorre contigo umedecendo a tua mão. Deixo em teus olhos a estrada, e na tua boca o meu calor, deixo em teu riso a alvorada, e em teu sono, o meu rumor. Te entrego a sede e a fonte, a lembrança e a invenção, pra que, ao buscar minha própria fronte, me encontre viva na tua mão. Se o tempo for rude e disperso, e eu esquecer quem sou por descuido, bastará que respires meu verso, pra que eu retorne de tudo o que fujo. Se um dia me faltar o alento, me buscarei no que deixei: em ti, serei o movimento de tudo aquilo que amei. Te despejo o que sou, sem medida, te confio o que é meu por raiz, pra que a ausência vire vida e eu me reencontre feliz. E assim, mesmo longe ou calada, serei tua – e serei minha também: um pedaço de alma ancorada no espaço onde mora o que vem.

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Carta pra não enviar

Se te escrevo, é porque ainda ouço o eco da tua presença. O teu nome, embora distante, reverbera no silêncio dos meus dias, como um vento que passa sem ser notado, mas que, ao seu toque, desorganiza tudo à sua volta. Eu te conheci quando o coração ainda acreditava em certezas, mas, ao te encontrar, aprendi que algumas pessoas existem para ensinar a dor. E, ainda assim, houve algo em ti que se aninhou em mim, uma ternura que agora se mistura com as sombras e que, embora não queira, ainda me faz pensar em você. Dizer que te detestei seria de longe mentira, mas como posso explicar a tristeza que trouxe tua presença? Você, que tanto me deixou em silêncio, e que, em cada gesto, fazia com que eu me perguntasse se o amor é capaz de ser uma ferida aberta, ainda quando não se vê. É estranho, sabe? Porque a tua ausência ainda dói, mas a tua presença me pesa de um jeito que não sei definir. Eu te dei tudo o que podia — e me vi com as mãos vazias, em troca de algo que nunca soube como aceitar. Por que ainda te escrevo, então? Talvez para que as palavras, ao menos, me libertem do que ficou preso aqui dentro. Talvez para que o silêncio entre nós não seja mais pesado do que aquilo que nunca falamos. Eu não te culpo — nem mesmo tento entender por que a nossa história foi assim. Mas a verdade é que, mesmo agora, o pensamento em ti sabe como desarrumar meu peito. E isso, de algum modo, te mantém comigo, sem que eu queira, sem que eu possa fugir. O que ficou foi só amargura, e talvez, só agora, perceba que foi isso que me moldou. Fica com o que ficou. Fica com tudo o que não pude te dizer. Mas fica longe, onde eu possa, finalmente, respirar sem existir em você. Você nunca saberá desta carta. Ela é minha — isso você não me tira! — e em sua solidão, me liberta. Talvez, no fundo, eu tenha aprendido que há amores que são, sim, apenas dor, mas que, mesmo assim, eu chamei amor.

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Maturidade

poesia segredo

você já sabe. mas mesmo assim, te penso como quem admira o que é belo sem precisar entender. me habitas no silêncio, sem ocupar nenhum canto. mas moras nos meus olhos e tudo em volta te lembra tanto. o mundo tem o teu rosto espelhado nas esquinas. no vento que passa, nas cores, nas dobras das cortinas. te encontro nos detalhes, na brisa, no movimento. e sem dizer o teu nome, tu me preenches o pensamento. mas não te escrevo para que leias — há beleza só em ter sentido. este poema não quer ser achado, quer apenas ter existido. escrito este que te engloba, mas evita te encontrar tão cedo. em cada traço que se desdobra, se revela: poesia segredo.

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entre paralelos

hay distancias que no alejan, y encuentros que parecen nacer de mapas invisibles. vos y yo — vecinos de origen, y vecinos otra vez, del otro lado del mar, como si el azar supiera mantenernos cerca. hay en vos una fuerza tranquila, que entiende al mundo como quien ya ha caminado muchos campos. un consejero con alma de artista, capaz de hacer reír y pensar con la misma frase. sos un caminante de tierras y pensamientos llevás la luz puesta en los gestos y dejás belleza por donde pasás. me gusta tu manera de existir: presente sin esfuerzo, serio y suave al mismo tiempo, conociendo el peso de la vida, pero eligiendo, siempre que puede, la risa. sos como una brisa que entra sin aviso, y deja que entre un poco de cielo. incluso de lejos, tu presencia le pone pausas lindas... al tiempo. sabés escuchar el mundo y responder con el alma. gracias por tu presencia constante aunque a veces solo se note en las pausas. solo quería dejarlo por escrito: mi vida es más bonita con vos en ella. y aunque el tiempo pase, espero que lo que tenemos siga cabiendo en las palabras, en los silencios y en las entrelíneas. me alegra coincidir con vos en esta vida. para vos, porque me haces bien. y eso ya es mucho decir. siempre cerca ~ Fany

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Amor

Amor sem métrica

Te amo sem régua, sem compasso, descompasso até — meu sentimento não cabe em linha reta, não segue rima certa, e ainda assim, é inteiro. Eu não sei medir o que sinto, nem quero. Se o amor é verso livre, te amo em liberdade. E que importa se tropeço na cadência, se a rima não chega ou se escapa? O que nos une não pede licença, não se curva a regras que o mundo traça. Te amo no que sobra e no que falta, nos silêncios que rimam com seu toque, no caos doce de sermos nós, sem tradução exata. Não conto sílabas quando te olho, não reviso o coração quando te sinto. De que valem formas perfeitas, se o que pulsa entre nós é infinito? Se o tempo tenta medir a gente, ele se perde em passo incerto. Porque amar você é andar num traçado disperso sabendo que, de algum jeito, sempre chegaremos no mesmo lugar. E se me perco na sua presença, é porque em você não há fim, nem ponto, nem vírgula que baste — um poema inacabável que eu quero escrever assim: livre, torto, verdadeiro.

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Silêncio

Ecos do abismo

Um pesar inconcebível Finca o marulho em meu peito. Soam o corpo estilhaçado E sua forma neste leito. Naufragando no abismo, Enquanto a alma se resvala, Remoendo um velho sismo Num eco que me avassala. A memória, em brilho inclemente, Que teima em jamais se extinguir, Reluz-se num silêncio insondável. Persegue a razão, vagamente, Esvaindo-se ao me sucumbir, Cravando o meu vazio imutável.

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Sobretudo lembranças

Lembro que nos reencontramos depois de um tempo. Você vinha sorridente em minha direção, Correndo, correndo, correndo. . . . Eu gelei quando senti você num abraço Só queria chorar e não sair nunca desse laço Lembro da última vez em que nos vimos, Sem direito a uma longa despedida. Você me deixou com marcas de mordidas Na bochecha, no braço, na mão... Me deixou com marcas de mordidas, E eu sei que não foi em vão. Me deixou com um anel e a promessa de um retorno, Com a ilusão de um reencontro. E eu sei que não era sua intenção, Mas as coisas mudaram de direção. Se calhar eu que pretendi demasiado com que estivesses a minha espera, Ou se calhar o tempo é que passou muito depressa, Ou se calhar nós mudamos tanto que a nossa nova versão Já não está uma para a outra como estava até então Se calhar toda a gente tinha razão.

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ora não fosse a existência

sinto como se nada fosse ( ) como se nada fosse de verdade como se nada fosse ter consequência como se eu fosse levantar de uma cadeira e ver exatamente o que eu vejo agora, mas muito menor e na palma da minha mão projeção ( ) parece que o chão não é o chão e que a porta não vai me levar lá pra fora e que a janela não dá vista pro céu e que eu tô no alto âncora ( ) parece que o solo vai se desfazer assim que eu confiar em meus pés parece que eu posso sair andando quando tenho meus olhos vidrados no vazio e minha visão escurecendo cada vez mais e mais mas a bula diz que esse é um dos efeitos colaterais alucinação ( ) eu tô viva, isso é real ou não?

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só metade

Pertencer a esses dois lugares é uma das grandes dores que eu já experimentei, e vivencio. É também das dores mais bonitas, das mais doídas. O querer ir pra casa mas já estar em "casa", porque meu lar deixa de ser 100% meu, e lar... passa a ser metade. E metade de mim está aqui enquanto a outra está lá, metade de mim em metade do que é o meu lugar. Eu fico deslocada, só quero voltar, mas voltar não resolve. Eu preciso me encontrar, encontrar a garotinha chorosa empacotando suas lembranças, empacotando memórias e, com um aperto no peito e lágrimas no rosto, decidindo o que é importante de mais ou bom de menos pra se empacotar, porque não posso levar tudo de mim. Eu passei a ser metade quando comecei a fazer as malas, essa metade se dividiu em mais uma parte quando cheguei aqui, que dessa parte, surgiu uma mais quando me encontrei nesse lugar e.. daí... Nunca mais fui completa, inteira, cheia. Sempre em pedaços, fragmentos, meio vazia... Mas só meia. Só metade

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