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Weldeilton Policarpo de Deus

@PolicarpodeDeus · desde 2020

Os mortos Há um silêncio que respira lento, como se velasse a própria eternidade, e cada flor que desfez no pó conta uma história sem voz.

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Lágrimas

A última luz

E eu, templário de uma guerra sem nome, vejo nas lâminas do sol as espadas que incendeiam o horizonte, como se os céus anunciassem a última batalha dos homens. Trago no peito as marcas de mil combates, e nos olhos, a dureza de quem aprendeu a caminhar entre as sombras sem se ajoelhar diante da morte. Mas que ironia cruel a dos destinos: posso enfrentar o aço, desafiar as trevas, atravessar os campos onde a morte floresce, mas não encontro defesa para o teu olhar. Meu escudo, forjado para deter espadas, é inútil contra a tua ausência. Minha armadura, invencível diante dos homens, não resiste ao menor gesto teu. E assim permaneço, guerreiro diante do sol, prisioneiro diante do amor, esperando que teu coração abandone a fortaleza em que se esconde. Pois de que me serve vencer todas as guerras, se não tenho coragem de atravessar a distância que separa tua alma da minha? Que o sol erga suas espadas. Que os céus anunciem o fim dos tempos. Eu, que jamais temi a morte, temo apenas que o mundo acabe e nos encontre imóveis, cada qual em sua própria solidão, sem que nossos corações tenham ousado a única batalha que valia a pena vencer: a de nos aproximarmos antes que a última luz se apague. Esrito por, Weldeilton Policarpo de Deus

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Biografia

A metade das Minhas Cicatrizes

A metade das minhas cicatrizes tem o tamanho da minha infância, guarda a memória de um menino que desconhecia a palavra medo e desafiava o mundo com a coragem da ignorância. Fui criança levada, dessas que não conheciam limites, que faziam da rua um universo e das aventuras, seus convites. Caía, levantava, seguia em frente, com os joelhos feridos e a alma sorridente. Não tinha medo do escuro, nem das sombras pelos corredores. Não temia almas, demônios ou histórias de terror. Enquanto alguns fechavam os olhos, eu procurava descobrir o que se escondia por trás do pavor. E assim fui crescendo, entre tombos, travessuras e ousadia. O tempo mudou meu rosto, mas não levou toda aquela rebeldia. Hoje, carrego no corpo as marcas de um menino que não se rendia. Metade das minhas cicatrizes não aparece diante do espelho.São lembranças de uma infância inquieta, de um coração sem paradeiro, de um garoto que enfrentava o mundo sem saber que o mundo, um dia, também o enfrentaria por inteiro. Agora sou homem, mas ainda existe um menino em mim. Um sobrevivente das próprias aventuras, alguém que aprendeu que a vida nem sempre é um caminho sem fim. Não preciso mais desafiar a noite pra provar que não tenho medo. Conheço os monstros que vivem nas sombras e aqueles que se escondem em segredo. Porque os anos me ensinaram que nem todo demônio tem chifres, nem toda assombração vem do além, e que existem feridas profundas que não se enxergam em ninguém. Mas, se me perguntarem quem fui, responderei sem hesitar: fui uma criança destemida, que nunca aprendeu a recuar. E, se me perguntarem quem sou, direi que ainda estou aqui, com metade das minhas cicatrizes contando a história de onde vim. E a outra metade me lembrando de tudo o que ainda há por vir. Algumas cicatrizes não são sinais de fraqueza, são as assinaturas do tempo na pele de quem viveu sem pedir licença ao medo. Weldeilton Policarpo de Deus. 12/10/2026

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Amor

Amor Sofisticado

Hoje acordei em algum lugar no tempo futuro, onde as horas apodrecem nos relógios da eternidade, e os sonhos, como cadáveres de um passado obscuro, vagueiam sem destino pelas ruínas da saudade. Senti um amor sofisticado, dessas raras loucuras que a razão não compreende, um sentimento de requinte, no peito encarcerado, uma chama que nem a morte apaga, nem o tempo prende. Havia algo de sublime naquela estranha sensação, um perfume de absinto, de rosas e de morte, como se Deus, embriagado pela própria criação, tivesse escrito nosso encontro nas páginas da sorte. E eu, que tantas vezes fui amante da desilusão, que beijei os lábios frios das minhas próprias quimeras, descobri que o amor também pode ser maldição, uma primavera nascida no ventre das crateras. Ah, tempo miserável, velho carrasco dos meus dias, que vestiste de eternidade os meus breves momentos, alimentaste minha alma com promessas vazias e sepultaste meus amores nos teus frios monumentos. Enfim, descobri que foste tu quem me enganou. Não foi o amor, nem a carne, nem a loucura. Foi o tempo que me prometeu aquilo que nunca entregou, deixando em minhas mãos os destroços da ternura. E agora caminho por esse futuro sem idade, com um amor sofisticado a florescer no coração, enquanto a morte, paciente, contempla a eternidade e o passado ri de mim, escondido na escuridão. Pois talvez amar seja isto: ser eternamente enganado pela beleza do instante, carregar no peito um paraíso nunca visto e morrer de saudade de um futuro ainda distante. Versos de Policarpo de Deus

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Humanidade

Depois que a vida vai embora

Depois que a vida vai embora, ninguém precisa ter mais do que tem agora. O ouro perde o brilho, os cofres se calam, e os títulos se tornam apenas nomes escritos no tempo. A morte despe a vaidade, iguala reis e mendigos, e ensina, no seu silêncio, que a maior riqueza nunca coube no bolso, mas no coração de quem soube amar. Porque, depois que a vida vai embora, ninguém leva a casa, o carro ou a fortuna. Leva apenas a lembrança que deixou nos outros, o bem que fez, o amor que repartiu e a saudade que será capaz de vencer o esquecimento. Escrito por, weldeilton Policarpo de Deus

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Drama

O viúvo

Era um dia de muito dilúvio. A chuva desabava sobre os telhados, escorria pelas calçadas e transformava as ruas em rios sem destino. Foi então que eu vi lágrimas nos olhos do viúvo. Ninguém percebeu. Talvez porque, naquele dia, o céu chorasse mais alto do que os homens. Ele caminhava devagar, com os ombros curvados pelo peso de uma ausência que não cabia dentro do próprio corpo. A água corria pelo seu rosto, mas havia algo que a chuva não conseguia esconder. Era a saudade. Aquela saudade antiga, que não diminui com o tempo; apenas aprende a viver em silêncio. Os anos haviam passado. As fotografias haviam amarelecido. As flores sobre a lápide já tinham morrido muitas vezes. Mas o amor permanecia ali, respirando entre as ruínas da memória. O viúvo olhou para o céu como quem procura um rosto entre as nuvens. Talvez quisesse uma resposta. Talvez apenas desejasse ouvir, mais uma vez, a voz que o tempo levou. E enquanto o mundo corria apressado para se proteger da tempestade, ele permaneceu imóvel. Porque existem dores que não procuram abrigo. Existem amores que continuam vivos mesmo depois da morte. Então, pela primeira vez, ele sorriu. Um sorriso pequeno, quase invisível. Como quem finalmente compreende que a morte não levou tudo. Levou a presença, mas não levou o amor. Levou a voz, mas não levou as palavras. Levou os dias, mas não levou a eternidade que dois corações construíram juntos. E naquele instante, entre a chuva e o silêncio, o viúvo entendeu que não caminhava sozinho. Pois aqueles que amamos não desaparecem. Transformam-se em estrelas para as noites escuras, em coragem para os dias difíceis e em esperança quando a alma se cansa. A tempestade continuou caindo sobre o mundo. Mas dentro dele, depois de tantos anos, finalmente amanheceu. Escrito por, Weldeilton Policarpo de Deus

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Biografia

Espírito aprisionado

Quando a luz me abandonou, restaram apenas o silêncio e o som dos meus próprios passos. As correntes que me prendiam não eram de ferro, mas de medos antigos, de sonhos enterrados e de feridas que o tempo se recusava a fechar. Foi na escuridão que descobri o peso da alma. Ali, onde ninguém via minhas lágrimas, aprendi a conversar com os fantasmas que habitavam meu peito. Cada noite era um abismo, cada amanhecer uma batalha contra o vazio. Mas as trevas também ensinam. Elas revelam a força escondida nos que sobrevivem. Mostram que até a mais frágil centelha pode desafiar a noite infinita. E assim, o espírito aprisionado compreendeu: não foi a luz que o fez viver. Foi a escuridão que o ensinou a existir. Escrito por, Weldeilton Policarpo de Deus /Escrito no mineirinho/

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A cidade que nunca existiu

Dediquei grande parte da minha vida à busca de uma cidade que jamais existiu. Suas ruas eram construídas de memórias, suas janelas se abriam para antigos sonhos, e suas praças permaneciam iluminadas por sóis que nunca nasceram. Percorri caminhos marcados pela incerteza e pela esperança, guiado por mapas desenhados pela saudade. A cada horizonte alcançado, acreditava estar mais próximo de encontrá-la. Entretanto, a cidade sempre se afastava, como uma miragem distante, escapando com a mesma discrição com que certas ilusões se desfazem ao longo do tempo. Com o passar dos anos, compreendi sua verdadeira natureza. Ela não se encontrava além das montanhas, nem ocultava entre os anos perdidos. A cidade que eu buscava era composta por tudo aquilo que não aconteceu. Pelos amores que não se concretizaram. Pelas palavras que permaneceram por serem ditas. Pelos caminhos que abandonei antes de conhecer seu destino. Era um reino edificado sobre ausências, cuja singular beleza residia justamente no fato de jamais ter pertencido à realidade. Hoje, já não a procuro. Ainda assim, em algumas noites, quando a escuridão se estende sobre os telhados e o silêncio envolve o mundo, consigo vislumbrar suas luzes ao longe. Elas brilham como estrelas destinadas a existir apenas na distância, belas demais para serem alcançadas. E então sorrio. Porque algumas cidades existem apenas para habitar os sonhos e algumas mulheres, talvez, para admira-las sem jamais possuí-las. De. Weldeilton Policarpo de Deus

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Poesia

Peregrino das Sombras

Um dia procurei um lugar para ser feliz. Atravessei ruas onde a noite mastigava os postes e o vento carregava nomes esquecidos. Bebi da água de muitas fontes, mas a sede permanecia. Confundi miragens com destinos, despedidas com liberdade, silêncio com paz. Então compreendi que a felicidade não era um lugar. Era um incêndio breve. Uma ave ferida riscando o céu antes da tempestade. Um raio de sol perdido entre ruínas. Desde então, não a procuro mais. Caminho ao lado dela como quem atravessa um campo de fantasmas, sabendo que tudo passa. E é justamente por passar que tudo se torna belo. Escrito por, Weldeilton Policarpo de Deus (meu diário)

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Auto-estima

Inventário das Ilusões

Revirei cidades, rostos e promessas como quem procura uma joia perdida entre os escombros. Colecionei horizontes, acreditando que a próxima curva da estrada guardava aquilo que me faltava. Mas cada chegada era apenas outra despedida disfarçada. Então comecei a fazer um inventário das minhas ilusões. Cataloguei os sonhos que não sobreviveram ao amanhecer, as palavras que o tempo enferrujou, os amores que partiram levando consigo pedaços de estações inteiras. No fim das contas, encontrei apenas um homem diante do espelho. Cansado, mas de pé. Ferido, mas inteiro. E percebi que a felicidade nunca esteve no destino. Era apenas a luz breve que, por instantes, iluminava o caminho entre uma perda e outra. Escrito por, Weldeilton Policarpo de Deus (Meu Diário)

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Biografia

Entre Versos e Estradas

Hoje acordei com o sol batendo como um violão aberto em Minas, e o tempo esse trem mineiro passando devagar dentro do peito. Sou da esquina onde a vida dobra, onde a conversa vira canção, onde o silêncio escreve versos no guardanapo de um pub qualquer. Trago nos bolsos poeira de estrada, alguns sonhos amassados, e aquela coragem que nasce quando a gente não tem mais volta. Cresci entre pedras no caminho, mas fiz delas degraus, e cada tropeço virou refrão que só eu sei cantar. Hoje não sou o mesmo sou soma de noites longas, de risos altos, de acordes distorcidos e poesia sussurrada no ouvido do mundo. Minha jornada não tem mapa, tem estrelas improvisadas, tem esquina que vira destino, tem voz que insiste em continuar. Hoje agradeço a vida que me veste, mesmo com o peito em desalento, meu pai virou silêncio e memória, mas caminha comigo no vento, entre lágrimas e gratidão aprendo a seguir neste momento. E sigo… ,,, ,, com o coração em tom maior, um verso no horizonte, e a certeza de que a vida ainda está afinando minha canção. Escrito por, Weldeilton Policarpo de Deus Pirapora MG 03,04,05 de Abril

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