Weldeilton Policarpo de Deus @PolicarpodeDeus
Lágrimas

A última luz

E eu, templário de uma guerra sem nome, vejo nas lâminas do sol as espadas que incendeiam o horizonte, como se os céus anunciassem a última batalha dos homens. Trago no peito as marcas de mil combates, e nos olhos, a dureza de quem aprendeu a caminhar entre as sombras sem se ajoelhar diante da morte. Mas que ironia cruel a dos destinos: posso enfrentar o aço, desafiar as trevas, atravessar os campos onde a morte floresce, mas não encontro defesa para o teu olhar. Meu escudo, forjado para deter espadas, é inútil contra a tua ausência. Minha armadura, invencível diante dos homens, não resiste ao menor gesto teu. E assim permaneço, guerreiro diante do sol, prisioneiro diante do amor, esperando que teu coração abandone a fortaleza em que se esconde. Pois de que me serve vencer todas as guerras, se não tenho coragem de atravessar a distância que separa tua alma da minha? Que o sol erga suas espadas. Que os céus anunciem o fim dos tempos. Eu, que jamais temi a morte, temo apenas que o mundo acabe e nos encontre imóveis, cada qual em sua própria solidão, sem que nossos corações tenham ousado a única batalha que valia a pena vencer: a de nos aproximarmos antes que a última luz se apague. Esrito por, Weldeilton Policarpo de Deus

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