Foto de Noelia Martinez

Noelia Martinez

@NOELIAMARTINEZ · desde 2025

Era uma vez....

20 poemas 28 seguidores 36 seguindo

Seguir

Poeta

Sou a mulher que transforma dor em poesia — e isso é poder.

Quarta feira comum

Era uma quarta-feira qualquer em uma rua comum, desses dias que não ficam para prosperidade, que o tempo esquece de contar. Nem chuva, nem sol forte - apenas o azul morno de um céu que não promete nem ameaça. Olhei para cima como quem folheia um livro sem capítulos: tudo estava acontecendo, mas nada acontecia. E então entendi o milagre anônimo: ser qualquer, em qualquer lugar, aqueles dias que não ficam para prosperidade - e ainda assim sentir que a vida é um presente até no seu dia mais comum. --- Noélia Martinez

Continuar lendo

Tenha

Tenha uma relação. Tenha um carro, uma casa, uma moto – talvez. Tenha sempre uma boa palavra para compartilhar e, também, um puta palavrão (para usar com moderação, claro). Tenha medo do consumo desfreado, mas não tenha paciência com gente grossa. Tenha coragem para defender seu tempo como um tesouro. Tenha sempre um motivo para agradecer, um dia que valha a pena, um momento só seu. Tenha, acima de tudo, seu ser – cru, inteiro, sem pedir licença.

Continuar lendo

Mulher - livro - flores

Ela está parada, uma mulher com livro e flores. O livro — pesado de vozes, histórias que sangram nas margens, segredos que dobram as páginas. (Quantas noites ele carrega o fardo de precisar ser uma boa história?) As flores — leves, mas com raízes no útero do mundo. Seu perfume é memória: cheiro de terra molhada, de Gaia abrindo-se para dar luz ao subterrâneo, ao que cresce no escuro antes de romper a superfície. E a mulher? Ela é o eixo quieto entre o peso e o perfume, entre a tinta e o pólen. Parada, mas com raízes Nas palavras escritas e o das flores colhidas.

Continuar lendo

Na Beira

Com sangue no olho, continuo na beira. Com a garra de quem quer sair, luto, devoro os dias por uma vida melhor. Sonho com o dia em que o dinheiro virá, e poderei comprar um pote de manteiga sem olhar o preço na prateleira. Sonho com estudo, com tempo de qualidade. Não sou rica de dinheiro, mas minha riqueza está nos elogios, naquela palavra que chega como um abraço invisível, que aquece o peito e me lembra que ainda sou humana. Os elogios são moedas que não pagam contas, mas alimentam a alma. São sementes que planto no chão árido da beira, e que, um dia, florescerão. Todos os dias estamos na beira de algo. Na beira, seguimos vivendo nossos sonhos e desejos: uma casa, um carro bom, e, claro, comprar manteiga sem ver o preço. Mas, enquanto isso, os elogios me mantêm de pé, me lembrando que, mesmo na beira, eu sou inteira.

Continuar lendo

Inicio do fim

O desejo por poder te cega. Você usa a foto do filho doente para ganhar visualização e curtidas, e ainda comemora. Usa o corpo, usa o intelecto, usa as palavras para ganhar dinheiro. Vende livros vazios, sem poder. O fluxo mental vira produto. Hoje, você é consumidor, não ser humano. Não existe humanidade no horizonte, apenas o início da terceira guerra no horizonte do poder. Noélia Martínez

Continuar lendo

Sutil

Ao acordar, sinto o vento batendo na janela. Na mesa, o pão caseiro e o doce de leite te aguardam. O vento adentra pela porta e janela, sempre sutil, mas sempre presente. Naquele momento, tudo está ali: a conversa na mesa, o celular ao lado, a xícara posta, esperando a sutileza da água quente para o chá mate ser feito. E assim, entre o vento e o silêncio, a manhã se desdobra, sutil e infinita. . Martinez

Continuar lendo

Escuridão

Venha, chega mais perto. Me toca, sente meu calor, arrepiando a minha nuca. Toca minha boca, deixa teus dedos deslizarem sobre o mapa da minha pele. Meu sabor fica em tua boca, mas meu olhar não te vê. Apesar de toda intimidade, ainda somos apenas escuridão e sombra. Martínez

Continuar lendo

Beijo

Desejo, a flor da pele. O suor escorre, os cabelos ondulados dançam, os olhos permanecem fechados. O sabor de degustar o outro, sem conexão, apenas carnaval.

Biografia

Nascimento

Está nascendo uma poeta. As palavras, agora, são nossas amigas. As vírgulas estão sem saída, sentem que serão usadas. As letras estão felizes pelo encontro, os verbos, ansiosos para serem conjugados. A linguagem, a maior manifestação humana, está presente. Está nascendo a poeta. Sua primeira palavra: era uma vez... e assim começa tudo o que ainda será. . . . Martínez

Continuar lendo