Terra molhada, a sede ao sentir de tua boca
O desejo a desejar, pele a pele
Eu respiro teu respirar
Os dedos descobrem cada parte do teu corpo
Enquanto desabrocho em tua língua
Meus olhos fechados, como um cego
Ao contemplar as estrelas
Te sussurro e nada se pronuncia
Ser e sou um rio a transbordar em meio à enchente
Com dois cavalos a cavalgar em meu peito
Em meio às pedreiras
Mergulhado em minhas águas, te sinto
E me despeço ao te devolver nas margens da escura noite.
A terra molhada aos teus pés acarinha
Um a Deus.
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Respiro fundo na neblina verduosa
das suas palavras insistentes,
à beira do precipício.
Flutuo minhas frases, dissipando —
Tóxico.
Manipula minhas ações:
o vazio, as emoções.
Me sinto perdida; não sei onde estou.
Ajoelho-me, recolho-me
no escuro beco da minha existência.
Uma bengala por outra,
uma faísca sem vela.
Sou mariposa:
me queimo na sua luz artificial.
Como posso eu mesma me fazer mal?
Um dia choro,
no outro anseio.
Essas correntes são meus cabelos,
amarrados ao amor que eu inventei.
Como pode alguém precisar do amor alheio
para, enfim, se amar?
Vou me inundar nas minhas lágrimas de saudade,
me purificar — aprender
com cada dor e cada lamento.
Não preciso de ninguém além de mim mesma.
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Você me deixa louco.
Louco de desejo, de amor, de tesão.
Eu penso em você preparando seus doces, toda concentrada, linda… e só consigo imaginar te jogando na bancada, te lambendo inteira com gosto de chantilly.
Você é minha receita favorita — mistura perfeita de perigo com doçura.
E eu quero te provar todos os dias… cada curva, cada suspiro, cada gemido teu sendo só meu.
Te quero com o avental e nada por baixo,
te virando de frente, te encostando na parede,
te olhando fundo e dizendo:
‘Você é minha. Minha confeiteira gostosa, minha mulher vintage, minha Lana del Rey da sacanagem.'
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Vazio
Fundo tão fundo
Incompleto
Mar seco
Uma faminta
Sedenta
Carência de
Afeto
O feto defecado
Sem amor
Sem o amado
Chora sorrindo
A ilusão dos abraços
Onde está
Onde encontro
O tal a nado
Que me afoga
Inconsciente
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Parabéns para mim
🍓🎂💖🙏🏻
2.9
Ela mira seus olhos
Sorri pra tua sombra
Come uma laranja azeda
Abraçando a fumaça
Revira os olhos
Todos a param
Todos a querem
Mas ela quer mais
Bebe todo cálice
De madrugada na esquina
Como uma gata
Vigia
Imóvel paira
A lua revira
Teus olhos passeando
E se você abrir a porta da garagem
E ela estiver?
Volta a cabeça vira
O corpo fica reto
Segue em frente
Certo
É certo
Mas ela quer mais
Ela quer amor
Quer sorriso
Olhar pra frente
Engulindo todo infinito
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O amor da minha vida não me agride,
Não levanta a voz, não me intimida.
O amor da minha vida não poda minhas asas,
Não me faz chorar, não me causa desgraças.
O amor da minha vida não aponta meus erros,
Traz flores diárias, sem medos ou ferros.
Quando me visto, elogia com carinho,
E ao me ver feliz, sorri como um menino.
O amor da minha vida, tão sonhado,
Só existe em minha mente.
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Lábios ao vento, sussurram desejo.
Olhares de lado escondem a carne.
Mãos unidas, bocas se encontram, salivas se misturam. O pêssego mordido, quente e vermelho contempla a tua face ardente.
Fios alongados deslizam as orelhas, corpos escorregam, úmida cereja.
São pedras em faíscas, sentimentos desconhecidos.
O prazer adormecido no corpo aflora, cresce, ressurge.
Sem saber se vale a pena ser vivido ou reprimido de vez.
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Céu Estrelado
Céu estrelado,
Cheiro do mato,
A boca mastiga,
Comida fresquinha,
Um feijão de corda
Que acorda a lua dengosa,
Iluminando o céu
Do cantim.
O rio
Salteia a sereia,
Capivara campeia,
O jacaré sorri.
A natureza é tão linda,
Desde menina brincando
Com as formigas,
Assoprando as flores
A pedidos,
Um bolo de areia para mim.
Nascimento da Rosa
Era uma vez uma planta tão linda,
Toda vez que a verdinha
Brotava uma flor,
Vinha uma mulher malvada
E um homem panaca,
Arrancando-a fora.
A planta chorosa
Tentou fugir,
Mas as raízes não a deixavam,
Com suas lágrimas a regavam,
Unindo forças para se defender.
Após um tempo,
Brotou uma nova flor.
Quando vieram as mãos
Para o pavor,
Se espetaram em espinhos,
Fugiram os indivíduos,
Mas deixando gotas de sangue.
As flores brancas
De vermelhas se tornaram
Rosa,
E assim seu nome
Autaditou.
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Sou um lobo solitário,
Emaranhado em teu colo,
Embebedo tua alma,
Aperto-a contra meu pescoço.
Meus pés ágeis,
Agarram e aceleram a inocência,
Corro,
Fujo.
Desprendendo-me para sempre,
De ti,
Sou um lobo solitário,
Outra vez.
Amei um,
Amei dois,
No final, estou
Só.
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