Subiu pela coluna o meu frio na espinha
Me estremeceu inteira
Fiquei sem um pingo de base
Chorei na (farinha?)
No meu domingo acabado
O meu coração sofrendo
Meu amor desmontado
Se acabou sem remendo
E sem nada pra salvar
No meu domingo cansado
O dia pra viver
À noite pra tentar
Você sabe bem o quê
Não, não me orgulho
De me sentir assim, tão burra
Tão dependente de outra pra me garantir
Com vontade de viver
Nos seus presentes sem embrulho
Eu mesma enfeitava a caixa
Pra te encaixar na minha história
Continuei o meu delírio
Nos seus sinais
O meu colírio
Pra tudo parecer mais brilhante
Mais significativo
Mais apaixonante
Mas você nunca me amou
E acho que nunca te amei também
Eu amava a sensação
De ter alguém pra amar
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Nunca leia essa merda
Aquela lá que muito escrevia e não saía nada se atirou de uma ponte e tentou se descolar de si mas falhou nisso também; acumulava agora um tantão de falhas e fracassos que mal sabia o que esperar do futuro, ainda que só lhe restasse algo muito próximo de uma vida totalmente triste. Se olhava no espelho, ia correr, gritava pela rua, queimava as páginas; como era doida aquela tortura de sempre precisar de alguém pra ver o quanto sofria, vagabunda, merecia, esse cerco todo pegando fogo era é pouco; ela que aprendesse, ao menos alguma vez, a viver a própria vida. Nunca mais fale comigo, por favor, desapareça; nunca te conheci e quero fingir que não conheço de verdade, suma da minha frente ou eu vou precisar te matar, é, eu vou te matar. Parece até algum personagem 2D, sem profundidade alguma, sua filha da puta. Morra, morra, morra, morta. Se joga de um prédio, ah, aqui não tem. Queima essa merda. Taca fogo, você não é porra nenhuma além de alguém em encher de porra(da), corre pra bem longeń eu te pego, anda, vai, senta, levanta, eu mando agora, você some, me esquece, e aí volta achando que vou te aguentar de novo, pois saiba que eu quero que você morra, sim, nunca conheci um único ser que eu quisesse tanto a morte quanto você; é, tinha fulano, mas fulano era idiota, não é culpa dele que você é essa escrota, pedaço de cocô, se mata, caralho, desaparece, volta no tempo, NÃO FODE a minha vida. Por favor, para de chorar, eu não aguento mais, de verdade; vivo num sofrimento velado que quase não deixo sair, só às vezes, tipo um cachorro que levo pra passear, por favor, por favor, por favor, pega a arma e atira no espelho, eu quero morrer, você pode continuar por aqui, eu não me importo, só por favor, por favor, eu tô implorando, ouviu?, e vou continuar pedindo, eu mereço a morte, mereço. Não, tem razão, não mereço, eu não deveria é ter nascido, como é triste. Eu me odeio. Me amo, sou foda pra caralho. Eu sou uma grande merda. Morra, viva, sonhe, conquiste, morra.
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Agora você quase me faz escrever
essas coisas sem crase
que de tanta a minha pressa
eu não posso parar pra pontuar
todas as coisas que amodeio
em você
que são coisas tão minhas
que mal posso esperar
pra te encontrar
e me ver
refletida nos teus olhos
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É pra doer que eu volto aqui
Do vão do mar
Que escorre
Cria caqui
De fruta
Sete e meia
Vejo o relógio bater
Fico olhando pra janela
Nada de você
O sufoco passou
Penso que não vai perceber
Que isso aqui
Eu fiz, nem sei porquê
Queria poder dizer
Porra
Não me deixa em paz
É mais um tanto faz
Fico pensando
Que tô na onda
Tranquila
Às sete e meia
E lá vai
Fica aí
Brincando
Achando que não vou ver
Pois ora, rapaz
Não pense que vai ficar livre tão fácil
São sete e meia
Teu sorriso ainda é dócil
Coisa de cachorrinho
Abandonado
Vê se não pensa
Que eu vou desistir
O relógio pode cansar
Bater o quanto quiser
Vou ficar por aqui
Até deixar de doer
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Fico vendo essas meninas magras e desejo muito ser como elas. Olho um pão quentinho e perco a vontade. Como o pão. Como mais um. Mais dois. Como a culpa junto. Me como de culpa por inteira. Como tanta culpa que fico cheia e não como mais nada. Uma hora. Duas horas. Dez horas. E eu ainda estou cheia de culpa. Deito, cansada, tonta, girando igual em festinha junina, na minha infância quando eu não ligava pra minha barriga. Vou pensando, na vida, tudo tonta, tonto, ainda cheia de culpa. Penso na vida, durmo, desmaio, a fome da vida. Não tento mais comer, é nojento. Mastigar bicho, batata, tanta gente botou a mão. O prato na minha frente parece uma obra abstrata, um vômito, algo estranho, nunca vi, parece qualquer coisa, menos comida. Não como de novo. É tão fácil ficar sem comer, difícil mesmo é começar. O pior já passou, a gente pensa. E aí desmaia de novo porque essa coisa não tem fim. É aquela coisa, sempre. Come muito, se enche de culpa, não come mais. Emagreço dois ou três quilos numa dessa, me sinto magra, bonita, olho no espelho e não vejo. Todo mundo vê, menos eu. Mas dizem que estou bonita, antes eu estava muito gordinha, então devo estar melhor. Mas não é suficiente, devo continuar? Não vai me custar nada pular uma refeição ou outra. Aguento a tontura, eu vou acostumando. Tonteei e cai. Pior é que talvez seja pra sempre da próxima vez.
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Tenho um coração tão vazio
que só o que sabe fazer
é bombear sangue
Hoje atingi o ápice da loucura e não pude, nem por um segundo, cogitar voltar à sanidade. Sanidade é olhar pra dentro, é pensar, questionar, viver, e eu prefiro a loucura. Prefiro fingir que não vivo, que não existo e que posso me encolher tanto a ponto do meu estômago me autodigerir. Eu não sou inteira, sou de tantas partes e tantos lugares que não pertenço a mim, eu sou de todo mundo, e tenho sido tantas eu's, tantas utilidades e tantos alguéns que já não sobra nada de mim mesma. Eu fui embora e o resto de mim ficou aqui. Eu fiquei aqui e fui embora. Nunca fui tantas em uma noite só, e amanhã eu olhei o teto e me vi na branquitude imensa e tão rasa. Eu sou rasa. Nada me perfura ou boia, nada permanece ou navega, eu sou rasa e ninguém pode perfurar o concreto do meu teto. Não sou cronista, contista, feminista, me perdi nos rótulos já tem tanto tempo que sem rótulo eu não sei de nada de mim. Abri o Instagram, o Facebook e o Twitter e mostrei a minha nudez, o meu eu, a forma humana e tão crua. Esperei o "puta" e "vagabunda" que nunca veio, apareceu, em vez disso, uns "gostosa" e "mostra a bucetinha"; no meu chat, coisas que eu não queria ver, igual aquele cara lá, daquela vez, que não consigo nem pronunciar o nome estranho. Era indiano, ou muçulmano, eu não sei. Tem diferença de assédio dependendo da nacionalidade? Eu esperava sem saber o que esperar. Queria que os elogios, os xingamentos, atenção, fosse o que fosse, preenchessem o buraco tão grande que pesa no meu peito, mas nem mostrar o seio adiantou. Eu tiro a roupa, pego o espelho e me arreganho pra ver se encontro alguma coisa além do meu cadáver ainda vivo. Eu me esfrego, me possuo, experimento ser minha por pelo menos um momento, e então não sinto nada. É assim me(ter)? Eu sou vazia a ponto de não me encher como estoque de porra? Eu ando sem caminhar e vou rolando pela terra. A física me carrega, a Terra me embala, noturna, taciturna, quieta, mas a cidade não para. Eu não paro. Abro os olhos e acordo uma cidade inteira.
(crônica incompleta)
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Rebate na parede
Na parede bate
O peito que late
Nesse meu batente
Dia de expediente
A carência vem em frente
A vida:
Enfrente!
Esse tempo de sede
Seca, e seda a(o) reverendo
Tropica na preda(ria)
Zoando com a gente
Fazendo algazarra
Com a barra que vem sendo
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Bati a cara no piano e a única nota que saiu foi dó
A única certeza que me resta é a de saber que não sei nada