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Luis Rodrigues

@LuisRodrigues · desde 2021

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Rogai por nós

Deitado no passo fundo, Espero o canto do galo, Gaiato no meio mundo, Sem muito, menos que falo, A lua bem prateada, Convidada de meu descaso, O dedo que fura bolo, Me aponta no meio passo, Caminho na pele humana, Do troco, nenhum centavo, Sou pouco bem de meu pai, Que pouco me deu laço, Sem rédeas vem de menino, Matuto, fio e fiapo, Sou pouco pra todo mundo, Sou luto dos embaraços, - Comida tenho de pouca, A sanfona toca no rastro, De antes menino lindo, Hoje pele de homem chato, Que beira aos 4 cantos, Do canto nem tem quadrado, Do mundo, a bola redonda, Da chuteira de um pé furado Aos 20 tantos de anos, Que passam como chumaço, O fumo que não fumava, É banquete pra 100 pedaços O belo que era gracejo, É rosto de simulacro, Um crime à própria vida, Sumindo entre os bagaços - Deitado sobre o palanque, Palhaço chora no palco, Plateia dai-me aplausos, Teatro descomungado, A Deus que me olha alto, No choro, gato pingado, Rogo a ti que me perdoe, Da face grita pecado.

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Amor

Depois de um ano

Já não sei se volto tarde, Ou se isso é heresia, se essa dor no meu peito arde como fantasia, agonia atormenta, A saudade aniquila, Se isso era pra sempre... Quem diria... Nunca vinha Quem é que me alivia? Se a aliança foi partida, Memórias e dividas deixadas na última vinda, Que marcava com o perfume, doce... das suas carícias, Cabelo encaracolando na minha triste despedida, Foram abraços e band-aids, os dois grudam nas feridas, Entre o amor e o ódio, a triste dicotomia, Não deixava mais você, a raiva bem na minha mira, Desgrudo do telefone pra não se perder na linha, Suas faces eram facas, Cortando nas entrelinhas, No começo escrito em rosas, E o final era cobiça, Ego manchando a prata, O dedo que me apontava, Virou ponta de adaga, Cravadas em outras rimas, Verdades foram pra vala, As cobertas mais vazias A paixão que a boca cala, O fogo que virou cinzas, Te encontro em outras praças, Te procuro em outras vidas, O vento me assoprava que o passado me visita, Vejo uma bela casa, Um suspiro de uma brisa, Sua mão que me afagava, Mas os olhos não te viam, Seu nome foi como tempo, A velhice permitia, Ouço o silêncio da porta que levemente se abria Só o calor do momento, Que talvez me voltaria, O sabor da juventude e a boca que me cabia Foi com o passar dos anos Que as pegada se esvazia, Parei de deixar migalhas Pro caminho da forquilha Na mesa restam lembranças, E com cadeiras vazias, Ouço claro as promessas, Que um dia foram minhas 4x -------------

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Biografia

Manicômio 2002 (Música)

Um brinde, Pega o champanhe, Camisa de força branca, E um capacete, Trás os remédios na bandeja, Põe seu colete, Isso daqui é uma guerra, Dá seu bilhete, Já ta escrito na cena, Mais um pra lista, Esse aqui vai virar uber ou balconista? Põe um número na chave...astalavista, Não pediram pra nascer...ra! Quem diria? ...... Mano a mano, vai você... luta pela vida, Um soldado de guerrilha, na sala 4, Entre paredes e sobrados Nasceu na pista, Aqui foi dada a largada, Jogo do estado... ............ Manicômio 2002 Pelas 2 da manhã, Onde estoura a bolsa dela, Abre alas do galã, Correria da ladeira, Onde foi consagrado, Nascido e batizado, Historias de Conrado, .... Contextualiza o filme, Corpo fechado, Já nasceu sem falar muito, Choro velado, Quem ali presenciava petrificado, Aqui começa nosso enredo, Fica parado, .... Mais um fadado de são Paulo, Pulmão tragado, A mãe visada, desemprego E o pai trancado, Sua vó vai de heroína, Salva do bairro, E a igreja da esquina, Louvando o passo, Pastor orai pelo meu filho amargurado, Não tenho chance de cuidar, peço que me entenda, Peço pra deus uma saída, me traga bença, Ontem a noite foi doída, vivo de prenda, Olhando a cruz a sua cabeça , jesus olhava, Tudo que lhe aguardava na 7 chaves, Com 7 anjos que cantavam em cima do palco, E assim vos lhe entregavam falsos olhares, O que vai ser dessa criança? E acaba o mundo Vai enrolado na caçamba, Do viaduto, A sombra ia te chamando, Um novo produto, Carne fresca do banquete, Pro submundo, É o Kiriku chabaiaba chabaiabagu Tesouro de pedra bruta, Terror da Sul, Onde assim vos colocava saldoso nome, Esse aqui vai ser pancada, sujeito homem, Encontrado na esquina da madrugada, Por uma bela dama da noite chamada marta, E assim que começava a nossa história do manicômio, o abre alas, foi indo embora .... Pra ala 2002

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Lágrimas

29 de Junho

-------------- Olhar para mim é um veneno: gélido, opaco, intrépido. Não me encaixo na via — Mudo em um mundo paralelo. Ideias em disparates de um crânio pérfido, mãos que não acompanham o intermédio. Pernas correm no ciclo ártico: Artificial, sem mérito. O grão no punhado fétido, Me comparo ao pior dos céticos. O incerto é loucura, o demérito — uma pulga sobre o ego. Me descabelo sobre a careca do pretérito, exposto a um futuro de Nero. A frieza me acompanha nos dias, desde que a vi, ao chão, trêmula. Imóvel, com espuma nos lábios... E me comovo: sou parte irresponsável do mistério. Não resolvo, não crio, não prego. Sou um morto que anda sobre a vida. Sou culpado, à espera do martelo.

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Silêncio

18 de Junho

Perdido e atônito, A perseguição tem face fria. É rouca e miserável — Um grude pegajoso embaixo das botas. Cada dia, um sol cansado. Cada noite, uma cegueira. E a coragem vem no vagão moribundo, atrás do medo — Aquele, disfarçado de agonia. Talvez seja um detento, acorrentado em mim. Preso em uma cela vazia, Carandiru da meia-noite ao meio-dia, Comendo o tempo que arredia e se bambeia. Queria uma morada, mas o cobertor nem “a de bem-vindo” ainda. Penso que poderia ser melhor se vós não existisse. E que sou veneno: da experiência, o contágio. Escuro verde, olhar obtuso, inconsequente, desimportante, desinformado, desinteressante — Menino em corpo de bicho, Homem em pele louco, Um louco em máscara sã. Será eu um anjo fantástico, fantasiado de puro? Ou uma criatura escondida, tentando fazer parte do rebanho? Descido pensar e me afogo. Há tanto tempo que não escrevo. Mais vadio que vejo, mais vadio que vivo, Mais em silêncio em casulo, tráfego. Mas o silêncio grita meu nome em agrados suspeitos. Um silencioso suspiro... Estou afastado. Um deserto sereno de areia cinza. Me queixo sobre a vida pelos queixos. Debaixo do nariz, tudo passa. Meus olhos mentem. Meus ouvidos, não vejo — Como uma bacia de tonelada. Já não sei mais se sofri ou se sofro. A fraqueza, desmiolada. Minha córnea, de lata. Meu peito, rugoso de brasa. Meu sorriso de açafrão e medalha de prata. Um crucifixo medíocre, que creio. Minha mente, oficina. Fantoche no recreio. Se não ocupa ocitocina, rasga-te no meio. Um bom julgado. Réu, aqui me encontro sobre a tribuna social. Diferente são até minhas vísceras. Mas penso eu, como mortal, Que, por esse tributo — Sacrifício divino, jogado no fio — Guilhotina em faca afiada, ciência natural: O forte sobrevive. Agrada-te o próximo — o mais desleal. Imperfeito. Mentecapto. Zero encosta na esquerda, Varado de fome, com dedo apontado. Meu dedo apontado, de ferro polido. Ressoar de pólvora sobre meu pupilo. Eu me mato sozinho, no vagão à frente da coragem: Um alvo. Um cego. Um tiro. Amanhã, um novo castigo

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Poema

28 de Setembro

Da pele que hábito, a dúvida Do chão que me ronda, sacro Da mão que afaga, mundo Da boca que julga, vigário Do mar que afronta, afundo, Meu crânio em pleno compasso, Se senta em cadeira de palha, E se queixa a goteira e descaso, Até as narinas metade que vejo, Dicotomia entre o arcanjo e o pecado, Se puro demais a ser cego, Ou imundo, um escravo ignaro, Na lona vieses impuros, Oriundo de um mundo quadrado, Da raiva que põe no sepulcro, De um dia eu ter lhe deixado.

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Sanidade

PEDRINHO 2

... Lutando todo dia comigo, A inveja nem sempre é ruim, E dentro do fim, o dia começa, A festa de quem morreu, e o nascimento de quem não interessa, Meu amigo morreu com tiro na testa, Versão brasileira, Do mundo que nos resta. Do filho bastardo de Deus Até o irmão de Jesus depois da reza, Boa noite mãe, dorme bem Ja já eu volto... Bença! Ei pedrinho Ei pedrinho, até que enfim, Hoje a gente não passa fome pedrinho Do mundo que nos resta... LEIA A PARTE 1

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Sanidade

PEDRINHO

O mundo é novo na minha janela, Pixo na casa de cera, Voando pelo mundo entre as estrelas, A lua me guia Escrevo muito pouco do que vivo a cada dia Vivo aos 20 O ódio da morte alivia Quero o mundo hoje, tão sempre, todo dia Cada ida até o Sol de cada dia, Se evoluo... minto, Crescendo tão mudado pensando no que acredito,. Sigo indo. A brisa passa entorno dos olhares, Caminhando eixo e mares, Até Doroti me conhecer vai ser tarde, Cai a chuva minha, cai a chuva nossa, Sobrevoando as caricias das vizinha, Amore é mio, amore é minha, Escrevo claro no escuro calmo, Leio salmo e não entendo, Tattuo meu corpo a liberdade, Uma paz passageira, Caos da segunda feira, Me beija no meio da orquestra, Passaro azul no céu, Não tenho tempo, Muito pouco pra ser pra sempre, Muita coisa pra ser sincero, Mãe te espero na volta, Se voltar não quero, Quero de tudo um pouco, Não quero pouco nunca mais, Amores intensos, amores de varais, Entre a loucura e a brahma, Entre o caos e o drama, Beija meu pescoço na cama, Durmo com duas pra equilibrar os pensamentos, Escrevo o que sinto, O brinde de quem não cresce, Vinhos em taças de vidro, Conhaque no copos descartál, Bebendo não se esquece, Abraçar outro mundo que a gente não esquece, Saudades delas, No meio da noite falta o carinho, A raiva é o castigo da miséria, Sobra os pedaços, Sou humanos de fita e cacos, Quero tudo na minha mão de sexta pra segunda, Não sei de nada, Quem pega na quadrada não tem nada, Queria que todos tivessem minha vida, Queria que todos não tivessem minha vida, Leio livros de poeira, O sucesso é o sonho de quem dorme com o capeta, Apertar o balão de cereja, 8 cervejas na mesa, Eu sou mais que homem, sou humano entre o meio das pequenas cabeças, Quero um carro pra ser o cara da mesa, Eles me olham mãe, Eles me olham.... Não tenho nada, Sempre em busca de carinho, Sozinho nunca tô, mesmo quando não tem sentido, Entre brancos e negros sou Rodrigues Rodrigues, Muitos sonhos na caveta, O cigarro acalma os esquecidos, Capitães de areia a minha vida ...

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......

Sodoma e Gomorra De tintas espichada em nanquim Ora dor de que arde no peito, Ora dor que sobes em mim. As músicas que tocam a cabeça, São sintonias irradiadas por batidas de galho vairado Minha angústia é peso encabrunhado por não ter ideia do destino e por onde ele anda Destino é rapaz bêbado que circula ciranda, Bambo de camisas amassadas brancas. Talvez a angustia sejas a mulher que o espera em casa. Pânico de cabelos de fogo, Pés tortos e dores de cabeça. " Saia desse mundo capeta fermentado. Sua cabeça caí de manso se não te olhas os pés" E essas mensagens que escuto pra mim fumando cigarros na varanda. Bicho de sete cabeças estirado na garganta, Espreguiça da dor que me cega qual vem do nada, Beijais essa boca e mordeis esses lábios a deixa o seu veneno, Paralisa minha visão a enxergar um passado ou futuro ignaro. Meter as unhas em minhas carne e diga Que não tenha medo de morrer, Afinal; Nunca vos deixamos de sentir o que sentimos.

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Silêncio

COZINHA DE VIDRO

Tomamos café com as pernas cruzadas Ouvimos boas músicas com as mãos apoiadas no rosto Sentamos na cozinha para darmos abraço no tempo, por pareceis que estamos o deleitando A conversa flui enquanto as frutas caem, O costume abre as janelas O costume um dia vai, Hoje é segunda feira, talvez ela quisesse ser um domingo algum dia Sentimos que o café estava bom, Aquelas conversas também se davam bem, Mas agora... já dar-se-ei o horário de sair, Voltemos a primeira linha.

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