Luis Rodrigues @LuisRodrigues
Silêncio

18 de Junho

Perdido e atônito, A perseguição tem face fria. É rouca e miserável — Um grude pegajoso embaixo das botas. Cada dia, um sol cansado. Cada noite, uma cegueira. E a coragem vem no vagão moribundo, atrás do medo — Aquele, disfarçado de agonia. Talvez seja um detento, acorrentado em mim. Preso em uma cela vazia, Carandiru da meia-noite ao meio-dia, Comendo o tempo que arredia e se bambeia. Queria uma morada, mas o cobertor nem “a de bem-vindo” ainda. Penso que poderia ser melhor se vós não existisse. E que sou veneno: da experiência, o contágio. Escuro verde, olhar obtuso, inconsequente, desimportante, desinformado, desinteressante — Menino em corpo de bicho, Homem em pele louco, Um louco em máscara sã. Será eu um anjo fantástico, fantasiado de puro? Ou uma criatura escondida, tentando fazer parte do rebanho? Descido pensar e me afogo. Há tanto tempo que não escrevo. Mais vadio que vejo, mais vadio que vivo, Mais em silêncio em casulo, tráfego. Mas o silêncio grita meu nome em agrados suspeitos. Um silencioso suspiro... Estou afastado. Um deserto sereno de areia cinza. Me queixo sobre a vida pelos queixos. Debaixo do nariz, tudo passa. Meus olhos mentem. Meus ouvidos, não vejo — Como uma bacia de tonelada. Já não sei mais se sofri ou se sofro. A fraqueza, desmiolada. Minha córnea, de lata. Meu peito, rugoso de brasa. Meu sorriso de açafrão e medalha de prata. Um crucifixo medíocre, que creio. Minha mente, oficina. Fantoche no recreio. Se não ocupa ocitocina, rasga-te no meio. Um bom julgado. Réu, aqui me encontro sobre a tribuna social. Diferente são até minhas vísceras. Mas penso eu, como mortal, Que, por esse tributo — Sacrifício divino, jogado no fio — Guilhotina em faca afiada, ciência natural: O forte sobrevive. Agrada-te o próximo — o mais desleal. Imperfeito. Mentecapto. Zero encosta na esquerda, Varado de fome, com dedo apontado. Meu dedo apontado, de ferro polido. Ressoar de pólvora sobre meu pupilo. Eu me mato sozinho, no vagão à frente da coragem: Um alvo. Um cego. Um tiro. Amanhã, um novo castigo

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