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Leno Cavalcanti de Oliveira

@Leno__Cavalcanti · desde 2021

28 anos, tanguaense, RJ.

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Poesia

Maioria

Entristece-me o anonimato Mas é ainda pior ser reconhecido Por espíritos moribundos que não desejam nada além de algo fugaz e pequeno - é o auge da tristeza saber que faço parte dessa galeria de mortos-vivos, e que meus desejos são tão fúteis (ou até mais) que os da maioria. "Maioria", Leno. 26/06/26

Poesia

O antes e o avora.

Há quantos invernos se foram nossos melhores momentos? A única lembrança é guardada a sete chaves, uma parte minha morre. Minha melhor lembrança não basta... Meu melhor amigo se foi, foi-se a muito tempo. Mas esse, a quem pertence o sentido das coisas, não me pertence... Não ligo pro tempo que passa. Não ligo pro tempo que cura. Meus melhores momentos estão exclusivamente no pretérito... Perfeitamente alojados na lembrança dos invernos... Perfeitamente conectado com os nervos centrais dessa forma sem forma... Humanamente formado, mas onde fica a alma? Uma parte minha morre. Por aqui não há nada... Por aqui não há sinal de vida... Você vem mesmo assim? Surpresa. Devíamos ter ficado e aproveitado um pouco mais... Devíamos ter nos beijado e nos aquecido sob a lembrança... Devíamos, mas não o fizemos, deixamos passar e nos permitimos aceitar. Passou, foi-se, embrulhou-se e desapareceu em algum lugar entre isso e aquilo, aqui e lá - um acolá misterioso, estranhíssimo, sei lá. Quem realmente liga? Eu não. Quem realmente estenderá a mão? Você eu sei que não. Dance então para refugiar... Dance então para agitar o espírito e espantar o medo. Se é tão real quanto o reflexo que te espera no espelho, dance - mas lembre-se, uma parte minha morreu. Se é tão real quanto a dor que te explode e te transforma em sombra, dance. Mas por aqui não há nada. Por aqui há somente as coisas que não foram levadas, tomadas, consumidas, destruídas, tornadas más. Você ainda vem? Surpresa... Devíamos ter ficado lá atrás, quietos... Mas não podíamos deixar a oportunidade de viver passar, podíamos? Eu não, nem você. Nenhum de nós tem o direito de desistir, embora algo em mim já esteja morto... Há quantos invernos se foram nossos melhores momentos? A única lembrança resta somente no imaginário - imagine perder até isso. Eu imaginei, e de tanto imaginar tornou-se verdade, e assim morreu uma parte minha. Minha reação não existe. Eu apenas estou aqui, mas não estou realmente. É como uma mancha na lente, um borrão sobre o dito escrito... (...)

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Poesia

Eu matei ele.

Imperador, traga-me a cabeça do desgraçado a quem sirvo. Quero beber do sangue, provar da carne, batucar com os ossos desse e cantarolar com suas vísceras enroladas em meu pescoço. Traga-me suas opulências, queimarei tudo até não sobrar nada. E do nada refazerei o tudo pelo qual ele viveu e morreu. E no quadro de sua morte pintarei com a tinta da leviandade a maldade, para que todos saibam quem foi ele - o tolo a quem servi. Tragam-me o seu chicote, o cajado e os sapatos. Usarei esses itens enquanto danço sobre o seu túmulo. Tragam-me o maior berrante do mundo, quero fazer ecoar a risada engasgada de uma vida toda. Imperador! Imperador! Imperador! Eu matei ele.

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Poesia

Factal.

Fatos que negamos saber... O estranho fascínio pela ignorância é algo intrigante. No vão das palavras é onde reside o poder... O estranho atraente ignorante. Há uma fome sinistra dentro de mim. Há um ódio disforme, que conforme eu me movo, ele se move, sem fim. São os fatos que negamos conhecer.... A estranha obsessão pelo conhecimento é algo verdadeiramente importante. No meio do silêncio é onde eu irei morrer... O estranho estrago aparentemente elegante. Há um tempo cujo o fluxo eu nego... Há uma voz cujo o som eu não escuto. Há uma dor cujo a origem eu vedo... Há um fato cujo a face eu deixo no escuro.

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Poesia

A mancha.

Dentro do coração está a mancha. A mancha que não se lava, não se apaga, não se esquece. Dor é a palavra que ressoa, sem limites. Olho para trás, sabendo que não devia. Mas ao olhar para dentro e não encontrar nada, quais direções buscar? Em quem confiar quando a tempestade chega até você? A mancha permanece. Ela vive, sobrevive, dança com a morte e blefa com a luz. Olho para trás, sabendo que não devia... Mas ao olhar para mim e ver apenas um estranho, quais rostos devo desejar reconhecer? A mancha permanece. Eu, dentro do coração, desapareço.

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Poesia

Barreira.

A barreira se desfaz. Pardais ganham cores, antes imperceptíveis. O sol brilha contra o ferro. A luz reflete um novo aspecto da vida. Finais de tardes celebrados... Pôr dos sois devidamente cortejados. A luz reflete um novo aspecto de mim. Agora, sem barreiras. Deslimitado pelo próprio consciente. Vivo demais para desejar morrer. Frio demais para encarar as chamas da verdade. Mas a luz ainda brilha, e eu agora estou sorrindo. Quem dirá que não existem milagres? Só aqueles que ainda estão presos na barreira. Só aqueles ainda abraçados pelas sombras. Mas eles logo sentirão a luz. Logo, antes que percebam, da noite pro dia, a luz os alcançará também.

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Poema

Caminhe comigo e tudo ficará bem.

Caminhe comigo através da floresta sombria. Pegue na minha mão e escute apenas a minha voz. Concentre-se no tempo, sinta-o fluir como um rio. Negue o eco das árvores. Negue o rugido do Leviatã amargurado. Caminhe comigo, ignore a coisa estranha ao seu lado. Olhe apenas para mim. Pegue na minha mão e siga apenas a minha sombra. Concentre-se no fim da jornada, imagine-a como um abraço quente e reconfortante de alguém que você sempre desejou conhecer. Negue seus medo. Negue a dor das mordidas. Caminhe comigo e tudo ficará bem.

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Poesia

0123

Esse estado de delírio é assombroso. Por vezes é ridículo de tão simples. Outras vezes é apenas uma voz... Mas ela diz a única coisa que eu sou incapaz de aceitar. Estou lutando contra mim mesmo. Estou perdendo todas as batalhas. É hora de abrir a concha e expelir o que quer que tenha restado de mim. É hora de viver e reviver. É hora... Mas não agora. Esse estado de delírio é assombroso. Por vezes é ridículo de tão simples. Outras vezes é apenas um par de olhos flutuando na escuridão do quarto. Mas eles me encaram, e eu sou incapaz de desviar o olhar. Eu sou incapaz de dizer não.

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Poesia

Sintoma de loucura.

O amor é um sintoma de loucura. Estou louco de amor. Perdido na vasta gama da dor. Rejeite-me, ignore-me. Faça de mim o teu servo. Crie-me, destrua-me. Faço de ti minha única deidade. Observe-me, siga-me. Faça de mim o teu mundo. Estruture-me, desfabrique-me. Faça deste sentimento o único pelo qual vale a pena viver .

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...

Sou resguardo. Pêndulo e amnésia. Voou através de ti estruturando-me nas células do teu corpo arauto. Minando sua alma bela. atiçando sua louca fera. Sou resguardo. Arca e dimensão. Sou suspiro de névoa Voando através de ti estreitando-me no átomo vindouro Minando sua auréola. Ateando ao frio o calor de suas velas. E ela diz... "Tenha-me" E eu o faço. Pois antes Fui resguardo Agora, aguardo! És ventre e placenta. Tem-se em mim como deus do arauto Estruturando-se. Estreitando-se. Minh'alma está à espera

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