Leno Cavalcanti de Oliveira @Leno__Cavalcanti
Poesia

O antes e o avora.

Há quantos invernos se foram nossos melhores momentos? A única lembrança é guardada a sete chaves, uma parte minha morre. Minha melhor lembrança não basta... Meu melhor amigo se foi, foi-se a muito tempo. Mas esse, a quem pertence o sentido das coisas, não me pertence... Não ligo pro tempo que passa. Não ligo pro tempo que cura. Meus melhores momentos estão exclusivamente no pretérito... Perfeitamente alojados na lembrança dos invernos... Perfeitamente conectado com os nervos centrais dessa forma sem forma... Humanamente formado, mas onde fica a alma? Uma parte minha morre. Por aqui não há nada... Por aqui não há sinal de vida... Você vem mesmo assim? Surpresa. Devíamos ter ficado e aproveitado um pouco mais... Devíamos ter nos beijado e nos aquecido sob a lembrança... Devíamos, mas não o fizemos, deixamos passar e nos permitimos aceitar. Passou, foi-se, embrulhou-se e desapareceu em algum lugar entre isso e aquilo, aqui e lá - um acolá misterioso, estranhíssimo, sei lá. Quem realmente liga? Eu não. Quem realmente estenderá a mão? Você eu sei que não. Dance então para refugiar... Dance então para agitar o espírito e espantar o medo. Se é tão real quanto o reflexo que te espera no espelho, dance - mas lembre-se, uma parte minha morreu. Se é tão real quanto a dor que te explode e te transforma em sombra, dance. Mas por aqui não há nada. Por aqui há somente as coisas que não foram levadas, tomadas, consumidas, destruídas, tornadas más. Você ainda vem? Surpresa... Devíamos ter ficado lá atrás, quietos... Mas não podíamos deixar a oportunidade de viver passar, podíamos? Eu não, nem você. Nenhum de nós tem o direito de desistir, embora algo em mim já esteja morto... Há quantos invernos se foram nossos melhores momentos? A única lembrança resta somente no imaginário - imagine perder até isso. Eu imaginei, e de tanto imaginar tornou-se verdade, e assim morreu uma parte minha. Minha reação não existe. Eu apenas estou aqui, mas não estou realmente. É como uma mancha na lente, um borrão sobre o dito escrito... (...)

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