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Júlia

@Julia_S · desde 2019

Alguns devaneios.

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Morte

aMorte

Tu me tocas sem perceber Me desatina sem querer Um borrão nas minhas lentes Eu não deveria te querer Tu me inunda de repente Como o vento a assoviar Eu não queria te esquecer Queria te viver Mas minha dor é dada De vida em vida Eu não posso te querer Carrego tuas falhas Até a próxima vida Mas Tu me envolve De lamúrias polidas De uma calma macia Dentro de um abraço Um bálsamo peculiar Amor de morte, aMorte de tanto amar. J.S

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Verdade

Escárnio

Me deixei consumir, Fechei as mãos Por favor, me deixem aqui Hoje Sou o asco e o blefe Sou o escudo sob a espada E quem sou eu, A carne que sangra Sou o dito cujo maldito Com a capa fechada Sou o que me convém Sou a espada, Quando sou desdém Em cárcere, Sou fardo sujo e ingrato Não se cospe no mesmo prato Mas eu sou algo mal dito, Sou um escárnio —memorável. J.S

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Drama

Cura

Não tem jeito, Não tem cura, E não tem conserto. J.s

Morte

Flutua.

Sinto as ondas vindo. Pequenas ondulações no fundo azul frio, tremedeira, pés frios. O fúnebre céu atordoado, estômago vazio. Angústia alastrada. Estática, nuca encadeada, densa, dura, travada. Vomito. Percurso todo o mal súbito, ando de mãos dadas. Frias. Perdi o caminho de casa. Quero o refinado puro egoísmo, de tirar as amarras, perder cada gota de água, encontrar cada lágrima. Fonte, hora, data. Como uma maldição a ser quebrada. Um corte a ser costurado. Um coração a ser reanimado. Um fardo a ser queimado. Pois choro sem destinatário. Meu peito dói ao contrário, ósmio, caído na areia, áspero. Pulmão raso, dilacerado, mastigo o ar que pede pra entrar, mastigo de volta, mastigo até doer, até o corpo mastigar junto, até sangrar. Inútil. Meu pecado é a preguiça clássica. A melancolia cravada. A água parada. A única que flutua, a mente. Esqueci-me, para sentir um mormaço, alento, quente. Queria ser mais presente. [...] J.S

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Arte

Poesia

Escreve porque tu és fervorosamente, Poesia. Aclama vida, Destrincha, Sacia a alma — Vazia. Por onde passei, Por quem fui, Para onde vou. Ociosa, Inconsistente, Dura, macia e eloquente. Amo-te, Desalinhada e pertinente, Indomável, Presente. Indecente hoje, Morta amanhã. Brevemente, Serás poesia. J.S

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Silêncio

Caos

Num sopro, O caos é quente No outro, A paz destoa Inquietude colhida De desfrutar Desamores. Um dia fui, Pra nunca mais ser Branca folha, Sem dor nem dizer O lar emudece, E a quietude me cutuca Estranhice — O silêncio me culpa, E o sussurro da brisa me assusta. J.S

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Vida

Esconder

Sonho em me esconder, Dentro do travesseiro Debaixo da terra, No armário, No núcleo da Terra No país das maravilhas, Num singelo nevoeiro Entre o real e o pesadelo Tropeço em muitos eu's Hiberno no meu paraíso Descamo em passados Me encolho, Olho torto, Odiava a todos O breu não perturbava os outros Olho no relógio, Meia noite de novo Sexta-feira, Agosto de novo Eu escrevo com desgosto Tudo mudou Tudo vazou Mas ao mesmo tempo Nada passou. J.S

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Amor

"... o amor de muitos se esfriará."

Que fique pretendido, Há amores enrustidos Há bocas preguiçosas E olhares de soslaio Bicho do mato, apático Foi ontem que eu vi O sol mais raio Eu vi, ouvi e vivi Dizem: já morri Porque menti, Pra mim, eu e ti Desacostumei a ser, Descolorir. Para o romeno, A tal da dor Para o covarde, Não resta nem saudade. J.S

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Vida

Dias rios

Águas cristalinas De uma íris, um dia translúcida Limpa de calos e terra suja Fecho os olhos e perco a tramontana Encontro-me no profano Olho o azulino, Poderia me cantar algo entre os rios Num suspiro, poderia ser meu riso Um breve colírio, Desafortunado de ruídos Na calada, Há a verdade límpida, enxuta, bruta Vejo ela no azulino Mas ele não canta, Voou entre as brandas lembranças Entre o olhar e o pesar Num estalar e no meu pensar Sem luar a vida era crua e imunda Aninhada na alma lânguida Qualquer Ondina tinha mais vida Toco no fundo da quietude Na areia adormecida arranhada Minhas fissuras eram doces e rubras Ondulada das águas nuas Estava cansada de me sentir tão... Tão turva. J.S

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Silêncio

O choro da melancolia

Pensava nas sete maravilhas Um banho quente numa noite fria Me derretendo em desprezares Minha alma pendia melancolia Como uma criança chorando Querendo ser ouvida Ando ausente de fazeres Porque de "se" eu me abatia Minhas pálpebras andavam caídas Minhas asas molhadas O ar quente me escondia Faz muito tempo que de mim Nada eu queria Irreconhecível, Eu me esqueci. J.S

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