Júlia @Julia_S
Vida

Dias rios

Águas cristalinas De uma íris, um dia translúcida Limpa de calos e terra suja Fecho os olhos e perco a tramontana Encontro-me no profano Olho o azulino, Poderia me cantar algo entre os rios Num suspiro, poderia ser meu riso Um breve colírio, Desafortunado de ruídos Na calada, Há a verdade límpida, enxuta, bruta Vejo ela no azulino Mas ele não canta, Voou entre as brandas lembranças Entre o olhar e o pesar Num estalar e no meu pensar Sem luar a vida era crua e imunda Aninhada na alma lânguida Qualquer Ondina tinha mais vida Toco no fundo da quietude Na areia adormecida arranhada Minhas fissuras eram doces e rubras Ondulada das águas nuas Estava cansada de me sentir tão... Tão turva. J.S

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