Júlia @Julia_S
Morte

Flutua.

Sinto as ondas vindo. Pequenas ondulações no fundo azul frio, tremedeira, pés frios. O fúnebre céu atordoado, estômago vazio. Angústia alastrada. Estática, nuca encadeada, densa, dura, travada. Vomito. Percurso todo o mal súbito, ando de mãos dadas. Frias. Perdi o caminho de casa. Quero o refinado puro egoísmo, de tirar as amarras, perder cada gota de água, encontrar cada lágrima. Fonte, hora, data. Como uma maldição a ser quebrada. Um corte a ser costurado. Um coração a ser reanimado. Um fardo a ser queimado. Pois choro sem destinatário. Meu peito dói ao contrário, ósmio, caído na areia, áspero. Pulmão raso, dilacerado, mastigo o ar que pede pra entrar, mastigo de volta, mastigo até doer, até o corpo mastigar junto, até sangrar. Inútil. Meu pecado é a preguiça clássica. A melancolia cravada. A água parada. A única que flutua, a mente. Esqueci-me, para sentir um mormaço, alento, quente. Queria ser mais presente. [...] J.S

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