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Eco da minha Voz

@J_Oliveira · desde 2025

Acredito que compartilhar experiências e ideias faz a arte pulsar mais forte. Cada poema que escrevo é um gesto, cada gesto um afeto.

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A dor

A dor que um dia deixaste aqui, uma manhã tornou-se um eco, que ecoava pelos cômodos do meu ser. A angústia que em um momento me consumia, a insegurança dos passos dados, o medo do trovão era minha maior preocupação. Onde deveria haver afeto, houve questionamentos. Onde deveria haver amor, migalhas recolhi do chão. Onde errar não era uma opção, era também onde a punição habitava. Amor, afeto, carinho e acolhimento, todos deixados de lado. A neblina cobria seus olhos, o mar agitado naufragava seus pensamentos, e lá, em maré alta, tudo e todos afogados. Perdido na ilha do abandono, no eco frio da solidão, voltar já não era uma opção. A dor que um dia eu senti, hoje você sente. Espero um dia conseguir tirar-te dessa ilha deserta, estender-te a mão mais uma vez, mas não outra vez em vão, e sim para sempre. Que, de hoje em diante, o sol venha nos visitar, amanhecer após amanhecer, e que meu amor jamais seja naufragado outra vez.

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Desculpa

Hoje venho apenas pedir desculpas. Desculpa por reclamar do sol. Desculpa por reclamar da chuva. Desculpa pela mistura que se repete. Desculpa por reclamar tanto… Mesmo tendo tanto. Desculpa por não enxergar o privilégio que nem todos têm a oportunidade de viver, nem sequer uma gota desse oceano de bênçãos que, no fim, em mim, eu insisto em ver como tempestade, como descaso de Deus. As desculpas de hoje não são apenas para o Senhor, mas para todos aqueles que um dia sonharam em ter, por um único dia, o privilégio que me acompanha.

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Fé

Jesus sofreu, chorou, foi humilhado, apedrejado, crucificado… tudo para que hoje fôssemos livres do pecado. E mesmo assim nos agarramos às coisas mundanas, sem nem pensar em todo o sacrifício que Ele passou. Não agradecemos pelo dia, pela chuva, muito menos pela vida. Só reclamamos, murmuramos, fazemos birra como crianças mimadas. Temos o privilégio do sopro de vida e, ainda assim, tapamos os olhos para Cristo e abrimos para o pecado. A porta espaçosa é muito mais apetitosa do que a estreita, cheia de espinhos. Mas o Cordeiro não se importou em usar uma coroa tão simples — e ao mesmo tempo tão carregada de ódio, rancor e julgamentos. Mesmo passando por tudo isso, Ele preferiu a dificuldade, a crueldade, a traição dos Seus. E, ainda assim, Ele nos espera de braços abertos: “Vinde a Mim todos os que têm sede.”

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Bíblia

Judas

Eu O amo com todo o meu coração, mas minha mente está tão cheia de mim mesmo que não cabe mais uma gota de Ti. Por que me amas infinitamente, mesmo sabendo o que eu faria a Ti no final? Por que, mesmo rejeitado, me queres por perto? Por que, mesmo Lhe apontando, me acolhes com tanto amor? Eu, Judas, Lhe apunhalhei pelas costas… e mesmo assim me amas infinitamente.

Bíblia

Deus

Deus, como um nome tão pequeno, mas ao mesmo tempo tão grandioso. É tão vasto o Teu amor por mim. “Vinde a mim todos os que têm sede”, eu sou a Verdade e a Vida. És o fôlego de vida, a esperança que reina no mundo, a paz dos desesperados, a calmaria dos corações. És o mais belo entre as nações, és o Cordeiro que morreu em meu lugar. Me fazes vagar por lindos pastos verdes. Regozijas a minha alma. És respiro de sabedoria, tens nas mãos o milagre, e em Tua voz, só a luz.

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Drama

Estorvo

O amargo nos olhos era instintivo. Não havia sequer uma palavra a ser pronunciada. Mas no olhar já se notava o ódio guardado ali. O som feito do incômodo é a grande insatisfação que me corrói por dentro, impregna como ferrugem das más palavras. Inaudível é a gratidão de não ser nada além de um estorvo. Não há nada que se faça que lhes dê o prazer da satisfação. É o desgosto mascarado de sorriso, é a má-fé misturada de certezas — certezas de que jamais darão o braço a torcer. Observo a indiferença na boa vontade de nada querer. A socialização é dificultada por grunhidos irritantes e constantes naquele mesmo local de sempre. É como escutar alguém comer uma faca em vez de comer o queijo. Tapados — eu diria com total certeza. Não olham para os lados, não veem o copo meio cheio: ele está sempre totalmente vazio, e ainda assim cheio de rancor. Pergunto-me o que eu fiz para que jogassem toda a sua frustração sobre meus ombros, como se fossem meu fardo mais pesado. Me sobrecarrego de todo o ódio lançado em mim. Pesado é o fardo de quem nunca fez mal algum a vocês.

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Morte

Mortis

Batidas que antes coerentes, agora irregulares, quase estagnadas. A ausência da consciência permite ao líquido da vida vagar na lentidão da carne — casca carregada da essência que foi impulso. Já não é levado à vida: esvai-se como o fim do entardecer. Recolhe-se na frieza da pele que um dia foi morna de presença. O mármore se instala na ausência do fluxo que antes habitava. Não é dor. Ainda resta um pingo de vida, orvalho tardio. Pequenas bolhas de existência se desfazem. Sou, por instantes, limitadamente consistente. Sensível, repouso. Entro fundo no sonhar da vida. Cesso o movimento. Circular já não é opção. O fim me vê como o mais profundo dos mares: lá, já não me reconheço. Não há dor. Apenas o desacelerar daquilo que um dia foi movimento.

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Poesia

Dor

Memórias passadas beiram a saudade. Paira nelas a dor da longitude que se instala a cada noite acordada. O peito se retorce em angústia diante do tempo que, implacável, jamais aprenderá a retroceder. Como um grande relógio-cuco prestes a gritar o horário, o instante anuncia o que já não volta. Essa dor me corrói como a ferrugem no metal, desgastando a matéria do afeto até restar apenas a memória do que jamais existiu por inteiro. Ah, dor, peço apenas que vás — não olhes para trás. A mágoa de ter lançado fora o que havia de mais vivo já é, por si, o último fardo.

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Amor

Carta ao amor que levava dentro

Meu pequeno, antes mesmo de eu te segurar nos braços, você já cabia inteiro em mim. Eu ainda lembro do dia em que descobri que meu corpo te guardava em silêncio, te moldando com cuidado, enquanto meu coração aprendia um novo jeito de bater. Foram meses de espera doce, de cantarolar canções baixinho, só para ver se você se mexia, como quem responde: “eu também estou aqui”. Arrumei cada coisinha pensando no seu sorriso, imaginando o jeito que você franziria a testa, como seria sua voz ao chamar "mamãe" pela primeira vez. Eu sonhei com os seus passos antes mesmo de você aprender a ficar durinho, sonhei com sua mãozinha no meu rosto enquanto mamava tranquilo, me olhando com aquele amor que só existe entre mãe e filho. Sonhei com o seu primeiro banho, com o cheiro de sabonete, com a sua gargalhada fácil, com as madrugadas em que eu ficaria acordada te ninando, mesmo cansada — mas feliz. Sonhei com você engatinhando pela casa, com seus pezinhos pequeninos batendo no chão, com o primeiro aniversário, com o brilho nos seus olhos descobrindo o mundo devagar. E embora você não tenha ficado, meu amor, eu agradeço. Agradeço cada enjoo, cada chute, cada silêncio que anunciava que você crescia, cada esperança que brotava dentro de mim. Agradeço por ter sido seu lar, por ter sido seu começo, por ter te amado antes mesmo de te ver. Foi pouco o tempo que tivemos — mas foi inteiro. E no breve que vivemos juntos, você me ensinou que o amor não precisa durar muito para durar para sempre. Você passou pela minha vida como um sopro de luz, e deixou em mim uma eternidade. Obrigada por existir em mim, mesmo que por tão pouco. Obrigada por me escolher como casa, por me fazer mãe, por me mostrar que o amor atravessa a vida, e continua. Sempre sua, mamãe.

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Cigarra

A fêmea deposita seus ovos nos galhos tensos da vida, como quem confia ao vento o que jamais verá crescer. Eclodem para o mundo, mas escolhem o avesso da luz. Enterram-se vivos no ventre escuro da terra. Viver no fundo do chão não é castigo — é um pacto silencioso. Ali, longe do espetáculo, a cigarra aprende a durar. São anos duros, anos exatos, medidos não pelo calendário, mas pela espera. Nutro-me da seiva escondida, do sangue lento das raízes. O que me sustenta não brilha. Em êcdise após êcdise, rompo a mim mesma, cresço quebrando, mudo sem sair do lugar, úmida, cega, paciente. Até que um dia o corpo pede altura. Subo a grande árvore da vida como quem sobe para morrer. E lá, no limite entre o peso e o ar, abandono o que fui. O passado fica preso ao tronco: um exoesqueleto vazio, uma pele sem pulso — prova muda de que sobreviver também cansa. A vista é bela, mas breve. A única urgência, então, é cumprir o gesto antigo: cantar. Pobre cigarra-fêmea — jamais verá o eco do próprio esforço. Mas a vida, para ela, sempre foi assim: o sentido vem depois. Da sua trajetória mínima, não restam feitos, nem monumentos. Fica apenas, na árvore, a marca da maior mudança: a casca aberta como ferida seca no corpo do mundo. E se me perguntas por que continuo mesmo sabendo que o fim antecede a glória, respondo simples: há existências que não nascem para ficar, mas para alterar o que tocam. Meu canto não é abrigo. É vestígio. E a conclusão é esta: somos, afinal, como a cigarra — gastamos a vida inteira para deixar no chão apenas os ossos e no ar aquilo que nunca mais se cala.

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