Mortis
Batidas que antes coerentes, agora irregulares, quase estagnadas. A ausência da consciência permite ao líquido da vida vagar na lentidão da carne — casca carregada da essência que foi impulso. Já não é levado à vida: esvai-se como o fim do entardecer. Recolhe-se na frieza da pele que um dia foi morna de presença. O mármore se instala na ausência do fluxo que antes habitava. Não é dor. Ainda resta um pingo de vida, orvalho tardio. Pequenas bolhas de existência se desfazem. Sou, por instantes, limitadamente consistente. Sensível, repouso. Entro fundo no sonhar da vida. Cesso o movimento. Circular já não é opção. O fim me vê como o mais profundo dos mares: lá, já não me reconheço. Não há dor. Apenas o desacelerar daquilo que um dia foi movimento.
𝑿𝑬𝑵𝑨 𝑩𝑳𝑨𝑪𝑲𝑾𝑶𝑶𝑫 / 𝑪.𝑸 😁☀️
Escrita excelente 👀👏🏻❤️
Eco da minha Voz
muitíssimo obrigada ❤️❤️
Arturo
Um verdadeiro prazer ler seus poemas. Seu estilo é muito leve e profundo ao mesmo tempo. Parabéns!
Eco da minha Voz
fico lisonjeada, em saber que está gostando. ❤️ muito obrigada mesmo.