Cores (Parte II)
Gulp
Era uma resposta que não sabia, cansada de fazer tanto, recebeu um copo d' água bebendo metade em um gole, guardando para o depois. Sua boca abriu para falar da falta de educação dos moradores da cidade, falando de tantos problemas, até mesmo aqueles que não costumava dizer. Nunca ouvi ela falar tantas coisas que nunca imaginou sair de sua boca, envergonhado se impressionava pela inteligência e dedicação da Dama, uma lado que poucos viam da mesma, querendo perguntar mais uma vez o que houve? Mas não consegui, já que se encantava com a Dama que conhecia naquele momento.
Tic Tac Tic
Estava na hora, ela deveria voltar para descansar, pela manhã estaria no salão arrumando todo o evento para sua exposição, enquanto pela tarde se arrumaria, pois já estaria atrasada
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Cores (Parte I)
Em um bater de asas de uma borboleta a dama chegava ofegante na loja, essa que despia das apresentações formais, um jovem com tanto de vergonha, vergonha para não ser mal educado, vergonha para não fazer uma grosseria. Ela adentrava esquecendo seu cansaço, olhando todos os enfeites que escolheu, tanto de vermelho, tanto de laranja, tanto de amarelo, tantas cores quentes que não faziam ela se decidir. O envergonhado via pela primeira vez a dama que tinha sempre a certeza de tudo, parar para olhar sem ter certeza alguma, olhava tanto que não sabia mais o que escolher.
Tic Tac Tic
Tac Tic Tac
Tic Tac Tic
Até que parou em frente a um preto azulado, aquele silêncio que trazia dúvidas se rompeu em um toque brusco aos panos azuis, brancos, cinzas, pretos, roxos e várias cores fora do tom que havia começado para enfeitar toda sua festa. O envergonhado corria de um lado para o outro sem saber o que fazer, pegando cada coisa e mudando cada plano que ela havia feito, mas parecia satisfeito, pois pela primeira vez os planos da Dama haviam enfrentando mudanças! O envergonhado queria ficar sem um momento sem dizer uma palavra, mas em cólicas esperou o entardecer para na finalização das escolhas perguntar: Senhorita, hoje você está diferente, o que houve?
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Encaro
Não há palavras para descrever meu desejo
Devoro com os olhos as curvas que lhe constituem
Não desejo a carne que se mostra
Mas a alma que se amostra
Em palavras não ditas
Em gesto que gritam
Quero! Ah como quero você
Silenciados em nossas vozes, vivendo os fervores de nossos corpos!
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Um sonho entrelaçado
Em pés cansados e descalço
De tanto andar se fere
Pouco a pouco esperando que supere
Aquele que foi amado
Sempre quer se cuidado
O que foi estragado
Será superado
Infelizmente ou felizmente
Bença ou maldição
Felicidade ou tristeza
Cicatriz ou ferida
O tempo cura as feridas
Das bolhas estouradas
Dos cortes que sangraram
Das porradas que marcaram
É só ser amado
Aí sim será curado
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O peito se abre
O corpo sofre
Sem ar para poder respirar
Em um dia que nunca vai acabar
Em expectativas de uma outra vida
Entre amores que vão são idas
Dores que são de voltas
Me sufoca saber das coisas
Sufoca ainda mais as expectativas
De nossos sonhos construídos
Realidades destruídas
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*Pequeno texto de reflexão
Tentar lhe definir era a coisa mais fácil, dois lados e um todo.
O que vejo são pessoas com duas faces, tudo tem seu oposto e esse oposto é o significado do existir, pois do que seria do baixo sem o alto? Do que seria o amor sem o ódio? Do que seria eu sem você?
Percebi que quando amo odeio, pois sempre que amei me entreguei, quando tentou se apossar me perdeu. Não lhe enganando dizendo que seria minha primeira, mas seria honesto em dizer que se teve minha atenção, teria um tratamento especial como se fosse a primeira vez.
Sempre perguntei para saber os limites, ouvi seus contos, cai em seus encantos e ainda me perdi ao olhar para você, ao afundar entendi, entendi que independente de qualquer coisa eu não seria tão especial como você era para mim.
Eu era um objeto de seu pulsante desejo, algo passional que nunca seria realizado, por isso mesmo indo embora em prantos digo que lhe amei.
E amo como amo, pois feliz é o ser que chora por amor e infeliz é aquele que nunca amou!
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Quando os olhos se encontram
As mãos não tem calor
Olho com certo temor
Corações que se abandonam
Por amores iludidos
Em paixões perdidas
Não temo amar o desamor
Pois feliz é aquele que amou
Triste seria o que nunca amou
O que temo é não esquecer
Essa sensação que é querer
Mas nunca poder ter
Por isso preciso partir
Tenho que ir
E peço para não me seguir.
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[Pela Eternidade]
As desconfortáveis risadas se silenciam em um ato altruísta, tanta maldade corrompida pela solidariedade. Para a Dama era um ultraje aquele monstro mostrar empatia, aceitando momentaneamente a ajuda e virando o rosto, enquanto ao monstro só o silêncio lhe agradava em um cidade de sussuros.
Tum. Tum. Tum.
Este é um barulho do coração saltitante, revivendo a memória, uma memória dádiva da ignorância de ter saído por cima daqueles que riram dela, sem perceber como um ato tão gentil atiça um coração quebrado
Tum... Tum...
O toque delicado de uma pele fina para uma grossa, uma fragrância sutil de uma essência doce. Seus beiços se mordem, sua boca saliva imaginando o gosto de sua futura presa, ainda mais percebendo que pela primeira, pela sua primeira vez não prenderia ela em um ato de compaixão. Pela primeira vez alguém veria o monstro antes do homem, isso alegrava, isso depois de tanto tempo sustentava um desejo sincero.
Escrita expirada na DAF
Por Daniel Docasar
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Afundar
Profundo é aquilo que afunda
Das águas me deito
Respirando sufocado
Em temor solto borbulhas
Frágeis com paredes estremecendo
Sem estourar, nem mesmo explodir
Feridas gritantes e doloridas.
Flutuam para a superfície
Me fazendo questionar:
Torna-se ar ou explodir ao ar?
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Por que tantos vivos?
Mesmo todos parecendo tão mortos
E por que tantos mortos vivos?
Suas lembranças dão cores
Tão fortes que ofuscam aqueles vivos
Mortos tão presentes no meu dia
Vivos tão ausentes no hoje
Tão mortos como aqueles que vivo