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Daniel Tavares

@DanielTavares · desde 2020

@tavares.dt

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Poema

Constante

Guiado pela direção do vento E acompanhado pela história Vivo os rascunhos do momento E consumo as migalhas da glória As praças me alimentam Quando cheias de sorrisos Enquanto certezas atormentam Os seres indecisos Me tranquilizo com o amor Dos que amam de graça Pois quando deixa criar bolor Até amor vira desgraça Aprendizado é meu valor E meu sonho, uma cachaça Me mantém com fervor E me serve de couraça (Daniel T.) 🌹

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Poema

Olhos Cegos

Ei, consegue me enxergar? Se sim, segure minha mão. Minhas lágrimas escorrem, mas não vou enxugar. Só preciso de um pouco de compreensão. Meus olhos são cegos, minhas lágrimas, não. Elas enxergam até mais do que os olhos de qualquer um. Dizem que o céu é azul. O azul deve ser aquilo que senti ao levantar as mãos. Neste certo momento me senti, sim, no céu. Ei, você consegue dizer-me a cor do sangue? Dizem que é vermelho.Em um jogo de adivinhação onde eu era o único jogador, concluí que o sangue tem a mesma cor de minhas lágrimas, pois ambas doem quando saem de mim. Por isso não as enxugo mais. Deixo escorrer para logo passar a dor. Será que minhas lágrimas são vermelhas? Ei, você consegue sonhar? Dizem que as nuvens se parecem com algodões-doces. Será que é doce, também? Mais doce que o lugar onde vivemos? Acredito que sim, pois minha vida é amarga. O que adocica meus dias são meus sonhos doces, andando nas nuvens. Andar e correr sem precisar enxergar, pois eu nunca cairia. Confesso que também não sei o formato das nuvens, mas se é doce como dizem, pode largar minha mão, pois quero andar para sempre nelas.

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Poema

Vago

Copos. Sempre quebro copos. Quase todos os dias. Costumo sempre deixá-los sobre a escrivaninha ao lado de algumas notas de rascunho. Sou canhoto e costumo deixar o copo ao lado de meu braço esquerdo. Quinze segundos e já me esqueço que o pobre coitado está lá. Levanto o braço e acaricio meu queixo para pensar melhor e esbarro no copo que se espatifa pelo chão. Copo, para mim, é sinônimo de ideia nova. Sempre que tenho alguma ideia nova, acaricio levemente o queijo. Mania normal demais para alguém nem tão normal assim. Imagine só, quantos copos eu já quebrei nessa vida? Na maioria das vezes o copo está cheio de água, que de tanto que espera para ser bebida, só falta evaporar. Às vezes penso que sou maldoso demais com os copos, não só por viver quebrando-os, mas principalmente por esquecê-los, mesmo eles ali, ao meu lado, ao lado da mão esquerda que escreve a esmo e reproduz o que a mente planeja. Desprezar o que está tão perto da gente. O ser humano tem dessas. Os copos lá, se quebrando, e eu sempre indiferente. Confesso que nas primeiras vezes eu até me surpreendia com meu excesso de distração, mas depois se tornou normal. Vou me conhecendo mais a cada copo que se quebra. Acho que é assim na vida, também. Algo por perto, querendo me chamar a atenção, enquanto estou com a cabeça longe. O simples aos meus olhos e eu querendo resolver o que não precisa. Preciso dar mais valor aos copos. Eles estão sempre ao meu lado e eu vivo quebrando-os. Faz parte. Eles se quebram enquanto junto os cacos em minha mente. E quem junta os cacos dos copos? Sim, sou eu vivendo a reparar o erro de quebrar distraidamente o que está sempre ao meu lado. (Daniel T.)

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Frases

Fenix

O vento e o tempo foram o impulso necessário para que as cinzas tomassem o rumo certo para serem matéria forte novamente. ✨ (Daniel T.)

Poema

Crosta

Perdoe-me por tremer as mãos Mas carrego tudo nas costas Das mazelas do mundo aos grãos De promessas decompostas Que ludibriam cidadãos Escrevo buscando respostas Para perguntas que atormentam A alma que acumula crostas Que doem mas não alimentam Mais um caído nas encostas Pedido de perdão que vem Através de letras tremidas Que esbravejam como ninguém Que sinto demais outras vidas Menos a que meu corpo tem A ponta da caneta aperta O papel borrado e rasgado E cutuca a ferida aberta Nas costas de um ser abalado Que enxerga uma vida deserta (Daniel T.)

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Poema

Flauta

A flauta é tocada em cifras de devaneio E as costas descansam do fardo pesado Poesia esta que me salva do anseio E das mazelas que tornam-me abespinhado O que era para sempre foi-se com o vento Enquanto apanho feio do desconhecido Hoje os calos cobrem-me de doce acalento Enquanto a flauta cura um pobre adoecido Fragmentos do que já foi um regozijo Rasgam a pele como farpas de madeira De quem um dia revelou seu esconderijo E agora recorre novamente à esgueira Apenas na companhia da doce flauta E do vento que não hesita em levar tudo A vida e suas sucessivas trocas de pauta Sopro de pesar na flauta de um homem mudo (Daniel T.)

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Poema

Serena

Folhas que secas caem Fim que se vai com o vento Vidas de corpos saem E perdem-se ao relento Serena como a voz De uma mulher querida A morte é a ressaca De quem está bêbado de vida (Daniel T.)

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Poema

Apostasia

Minha dor é parcelada Com juros e correções Uma alma abjurada Abri mão de orações Amargo e sem aperitivo Que esmiúça por inteiro De medo de morrer eu vivo Molhando a pena no tinteiro Para o prato principal (Daniel T.)

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Poema

Clamor

Crianças morrem na vala da plena intolerância Enquanto bandeiras queimam em seus corpos A paz é gravemente ferida pela sã arrogância Na guerra diária da vida que se vai dos mortos O terno que nunca é lavado no tanque de pedra É vestido por quem comanda tanques de guerra O mundo chora nas duras mãos de quem prega As mentiras que fazem pobres comerem terra O imponente verde predominante das florestas Sucumbe à enorme planície morta e incolor E a tão querida fauna se torna status nas festas Casacos de pele das madames do desamor Preta é a pele dos que pelos olhos sangram E também a mãe solteira largada por outrem Cor da eterna resistência dos que estancam A hemorragia do ódio que os humanos têm O mundo é do mundo e não de dez ou vinte Uma flor aos inocentes que se vão aos prantos Salvemos a Terra dos lordes do plano seguinte Ou a dor perdurará arrastando-se pelos cantos (Daniel T.)

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Poema

Livre

O amor é um pássaro Que prendem na gaiola O amor é um bom livro Que deixam criar mofo O amor é um céu limpo Que poluem sem hesitar Que façamos do amor uma lua Livre, bela e iluminada Até no mais escuro dos escuros (Daniel T.)

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