Guiado pela direção do vento
E acompanhado pela história
Vivo os rascunhos do momento
E consumo as migalhas da glória
As praças me alimentam
Quando cheias de sorrisos
Enquanto certezas atormentam
Os seres indecisos
Me tranquilizo com o amor
Dos que amam de graça
Pois quando deixa criar bolor
Até amor vira desgraça
Aprendizado é meu valor
E meu sonho, uma cachaça
Me mantém com fervor
E me serve de couraça
(Daniel T.) 🌹
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Ei, consegue me enxergar? Se sim, segure minha mão. Minhas lágrimas escorrem, mas não vou enxugar. Só preciso de um pouco de compreensão. Meus olhos são cegos, minhas lágrimas, não. Elas enxergam até mais do que os olhos de qualquer um. Dizem que o céu é azul. O azul deve ser aquilo que senti ao levantar as mãos. Neste certo momento me senti, sim, no céu.
Ei, você consegue dizer-me a cor do sangue? Dizem que é vermelho.Em um jogo de adivinhação onde eu era o único jogador, concluí que o sangue tem a mesma cor de minhas lágrimas, pois ambas doem quando saem de mim. Por isso não as enxugo mais. Deixo escorrer para logo passar a dor. Será que minhas lágrimas são vermelhas?
Ei, você consegue sonhar? Dizem que as nuvens se parecem com algodões-doces. Será que é doce, também? Mais doce que o lugar onde vivemos? Acredito que sim, pois minha vida é amarga. O que adocica meus dias são meus sonhos doces, andando nas nuvens. Andar e correr sem precisar enxergar, pois eu nunca cairia.
Confesso que também não sei o formato das nuvens, mas se é doce como dizem, pode largar minha mão, pois quero andar para sempre nelas.
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Copos. Sempre quebro copos. Quase todos os dias. Costumo sempre deixá-los sobre a escrivaninha ao lado de algumas notas de rascunho. Sou canhoto e costumo deixar o copo ao lado de meu braço esquerdo. Quinze segundos e já me esqueço que o pobre coitado está lá. Levanto o braço e acaricio meu queixo para pensar melhor e esbarro no copo que se espatifa pelo chão. Copo, para mim, é sinônimo de ideia nova. Sempre que tenho alguma ideia nova, acaricio levemente o queijo. Mania normal demais para alguém nem tão normal assim. Imagine só, quantos copos eu já quebrei nessa vida? Na maioria das vezes o copo está cheio de água, que de tanto que espera para ser bebida, só falta evaporar. Às vezes penso que sou maldoso demais com os copos, não só por viver quebrando-os, mas principalmente por esquecê-los, mesmo eles ali, ao meu lado, ao lado da mão esquerda que escreve a esmo e reproduz o que a mente planeja.
Desprezar o que está tão perto da gente. O ser humano tem dessas. Os copos lá, se quebrando, e eu sempre indiferente. Confesso que nas primeiras vezes eu até me surpreendia com meu excesso de distração, mas depois se tornou normal. Vou me conhecendo mais a cada copo que se quebra. Acho que é assim na vida, também. Algo por perto, querendo me chamar a atenção, enquanto estou com a cabeça longe. O simples aos meus olhos e eu querendo resolver o que não precisa. Preciso dar mais valor aos copos. Eles estão sempre ao meu lado e eu vivo quebrando-os. Faz parte. Eles se quebram enquanto junto os cacos em minha mente. E quem junta os cacos dos copos? Sim, sou eu vivendo a reparar o erro de quebrar distraidamente o que está sempre ao meu lado.
(Daniel T.)
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O vento e o tempo foram o impulso necessário para que as cinzas tomassem o rumo certo para serem matéria forte novamente. ✨
(Daniel T.)
Perdoe-me por tremer as mãos
Mas carrego tudo nas costas
Das mazelas do mundo aos grãos
De promessas decompostas
Que ludibriam cidadãos
Escrevo buscando respostas
Para perguntas que atormentam
A alma que acumula crostas
Que doem mas não alimentam
Mais um caído nas encostas
Pedido de perdão que vem
Através de letras tremidas
Que esbravejam como ninguém
Que sinto demais outras vidas
Menos a que meu corpo tem
A ponta da caneta aperta
O papel borrado e rasgado
E cutuca a ferida aberta
Nas costas de um ser abalado
Que enxerga uma vida deserta
(Daniel T.)
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A flauta é tocada em cifras de devaneio
E as costas descansam do fardo pesado
Poesia esta que me salva do anseio
E das mazelas que tornam-me abespinhado
O que era para sempre foi-se com o vento
Enquanto apanho feio do desconhecido
Hoje os calos cobrem-me de doce acalento
Enquanto a flauta cura um pobre adoecido
Fragmentos do que já foi um regozijo
Rasgam a pele como farpas de madeira
De quem um dia revelou seu esconderijo
E agora recorre novamente à esgueira
Apenas na companhia da doce flauta
E do vento que não hesita em levar tudo
A vida e suas sucessivas trocas de pauta
Sopro de pesar na flauta de um homem mudo
(Daniel T.)
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Folhas que secas caem
Fim que se vai com o vento
Vidas de corpos saem
E perdem-se ao relento
Serena como a voz
De uma mulher querida
A morte é a ressaca
De quem está bêbado de vida
(Daniel T.)
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Minha dor é parcelada
Com juros e correções
Uma alma abjurada
Abri mão de orações
Amargo e sem aperitivo
Que esmiúça por inteiro
De medo de morrer eu vivo
Molhando a pena no tinteiro
Para o prato principal
(Daniel T.)
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Crianças morrem na vala da plena intolerância
Enquanto bandeiras queimam em seus corpos
A paz é gravemente ferida pela sã arrogância
Na guerra diária da vida que se vai dos mortos
O terno que nunca é lavado no tanque de pedra
É vestido por quem comanda tanques de guerra
O mundo chora nas duras mãos de quem prega
As mentiras que fazem pobres comerem terra
O imponente verde predominante das florestas
Sucumbe à enorme planície morta e incolor
E a tão querida fauna se torna status nas festas
Casacos de pele das madames do desamor
Preta é a pele dos que pelos olhos sangram
E também a mãe solteira largada por outrem
Cor da eterna resistência dos que estancam
A hemorragia do ódio que os humanos têm
O mundo é do mundo e não de dez ou vinte
Uma flor aos inocentes que se vão aos prantos
Salvemos a Terra dos lordes do plano seguinte
Ou a dor perdurará arrastando-se pelos cantos
(Daniel T.)
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O amor é um pássaro
Que prendem na gaiola
O amor é um bom livro
Que deixam criar mofo
O amor é um céu limpo
Que poluem sem hesitar
Que façamos do amor uma lua
Livre, bela e iluminada
Até no mais escuro dos escuros
(Daniel T.)
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