Flauta
A flauta é tocada em cifras de devaneio E as costas descansam do fardo pesado Poesia esta que me salva do anseio E das mazelas que tornam-me abespinhado O que era para sempre foi-se com o vento Enquanto apanho feio do desconhecido Hoje os calos cobrem-me de doce acalento Enquanto a flauta cura um pobre adoecido Fragmentos do que já foi um regozijo Rasgam a pele como farpas de madeira De quem um dia revelou seu esconderijo E agora recorre novamente à esgueira Apenas na companhia da doce flauta E do vento que não hesita em levar tudo A vida e suas sucessivas trocas de pauta Sopro de pesar na flauta de um homem mudo (Daniel T.)
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