Vago
Copos. Sempre quebro copos. Quase todos os dias. Costumo sempre deixá-los sobre a escrivaninha ao lado de algumas notas de rascunho. Sou canhoto e costumo deixar o copo ao lado de meu braço esquerdo. Quinze segundos e já me esqueço que o pobre coitado está lá. Levanto o braço e acaricio meu queixo para pensar melhor e esbarro no copo que se espatifa pelo chão. Copo, para mim, é sinônimo de ideia nova. Sempre que tenho alguma ideia nova, acaricio levemente o queijo. Mania normal demais para alguém nem tão normal assim. Imagine só, quantos copos eu já quebrei nessa vida? Na maioria das vezes o copo está cheio de água, que de tanto que espera para ser bebida, só falta evaporar. Às vezes penso que sou maldoso demais com os copos, não só por viver quebrando-os, mas principalmente por esquecê-los, mesmo eles ali, ao meu lado, ao lado da mão esquerda que escreve a esmo e reproduz o que a mente planeja. Desprezar o que está tão perto da gente. O ser humano tem dessas. Os copos lá, se quebrando, e eu sempre indiferente. Confesso que nas primeiras vezes eu até me surpreendia com meu excesso de distração, mas depois se tornou normal. Vou me conhecendo mais a cada copo que se quebra. Acho que é assim na vida, também. Algo por perto, querendo me chamar a atenção, enquanto estou com a cabeça longe. O simples aos meus olhos e eu querendo resolver o que não precisa. Preciso dar mais valor aos copos. Eles estão sempre ao meu lado e eu vivo quebrando-os. Faz parte. Eles se quebram enquanto junto os cacos em minha mente. E quem junta os cacos dos copos? Sim, sou eu vivendo a reparar o erro de quebrar distraidamente o que está sempre ao meu lado. (Daniel T.)
Escrevo sentimentos 🌹✨✨✨✨
Parabéns pela bela composição!
Daniel Tavares
Muito obrigado! ⭐