Esses versos que a ti escrevo
Já foram escritos em outrora
Na encruzilhada da minha vida
Nos impasses da minha juventude
Minha alma está inquieta, nua
Sinto falta do calor do teu corpo
O frio me faz sentir a nova realidade
A saudade do teu beijo consome
Não sabes quanto é difícil
Saber que não voltarei ao tempo
Choro arrependido
De lembrar que por ti, me matei
Nunca mais te deixarei só
Nossas almas estarão sempre unidas
Por causa do pacto de sangue
Seremos eternos amantes!
Fui ao céu, fui ao inferno
Andei por caminhos floridos
Quando estava eu vivo
Por nenhuma mais apaixonei
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Há quem acredite no boto
Ele é moço raparigueiro
À noite aparece para as moçoilas
Na fazenda do seu Zé Mineiro
Moça de pele cor de jambo
Que entra n'água, para se distrair
Mas não sabe que nela está de olho
O boto tucuxi
Seu Zé Mineiro já disse
Que moça bela não pode nadar
Porque o moço do chapéu vem
E ele, ela raptar
E se caso isso acontecer
Nunca mais bela moça voltará
O Boto safado é ciumento
E com ele terá que se casar
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Se a vida é uma doce viagem
A morte é uma amarga chegada
Caminhamos tanto...
Ao fim morremos na estrada
Um passo para o invisível
Carne e ossos ficarão
Todo instante é imprevisível
Nosso destino é o caixão
Não temos porto seguro
Nem seguro de vida
Quando a conta chega
Não têm mais saída
Preso no espaço ficaremos
Voaremos para outra dimensão
Seremos eternos andarilhos
Em uma mais nova versão
Se existe céu ou inferno
É impossível descobrir
Pois Deus não te responde
E o Diabo só te sorri
Almas que ficarão nuas
Seus bens serão confiscados
Os entes queridos choram
Mas nenhum quer morrer ao seu lado
Os anos continuam passando
As lembranças permeiam
Nada é para sempre
Nem o nosso inescrupuloso apego
Desta vida não levaremos nada
É em vão lamentar-se
Se morres hoje ou amanhã
O seu destino é o impasse
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Difícil é viver no anonimato
O olho que tudo vê nos persegue
Nada é escondido
Mas subtendido
Tiramos e colocamos máscaras
Escondemos as feridas
Em vão
Pois tudo é ilusão
Fechamos as portas
Nos vestimos
Desligamos a televisão
Não adianta
Há sempre um dedo apontando
Uma fofoqueira falando
Um vigia de plantão
Seguimos em frente
Tentando esconder as feridas, os dentes
Mas um leve sorriso
Denota uma alegria ausente
Em nosso inconsciente
Estamos caminhando
Vivendo
Somos seres doentes
À procura de uma cura
inexistente!
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O vento limpa nossa alma
Senti-lo, sem tocá-lo
É como amar
E ser amado
Vento que leva embora sentimentos...
Nos faz pensar como somos breves passageiros...
Porque tudo aquilo que passa
Tanto leva de nós
Como traz a vós ...
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Começa do ventre
Aquele sentimento de nada
Acompanha nossa jornada
Quando vem a luz
Choramos
Em seio farto mamamos
De quatro andamos
Balbuciamos
Crescemos
Então a magia do ser e conhecer
Nos rodeia
Tropeçamos...
Caímos...
Como toda criança
Então esse sentimento de apego
Não nos abandona
Nos apegamos
A tudo e a todos
Não podemos deixar morrer
Essa criança interior
Que tanto quer
Que tanto ama
Verdadeiramente
Seremos
Eternas crianças
Procurando saber
A real existência
do ser!
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Um leve suspiro
Não sei se sugiro
Só sei que ao redor do mundo
Somos apenas um umbigo
Sujo!
Esse mundo está perdido
Desde que a humanidade existe
Ela não deu certo
Mundo vil!
Desde que mundo é mundo
Já vimos os mais terríveis absurdos
Guerras !
Pai matando filho
Filho matando pai
Mãe abortando filho
E a vida continua assim
Com os mais toscos comportamentos
Eu já vi, tu já viste?
O Mundo viu...
Leões ferozes e famintos
Dinheiro sendo o ópio do mundo
Religião que ao invés de salvar vidas, as destrói
Mundo vil!
Suicídio como moda
Fornicação como diversão
Eu vi, tu viste, ele viu
O mundo vê, o mundo vil!
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Enquanto uns choram
Outros vendem lenços
Infelizmente a vida
Não é um conto de fadas
Existirá sempre dois lados de uma história
Duas faces de uma mesma moeda
Uns estão do lado certo
Outros do oposto
Uns estão em cima do muro
Na iminência de cair
Não há porque lamentar a realidade
Isso jamais mudará
Só resta se conformar...
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Meus pés estão cansados de caminhar
O caminho é árduo
A vida não é facil
Mas continuarei caminhando
De batom vermelho, de rosto levantado,
Ombros rígidos , mãos na cintura e salto alto
Diblando os obstáculos
Cabeça erguida, sempre bela, alegre e com sorriso no rosto
Continuarei caminhando...
Não sei por quanto tempo
Se o caminho é longo ou curto
Não sei...
Só sei que sigo, arrastando- me, às vezes pegando chuva e sol
Tropeçando, caindo e levantando
Porém sigo...
A trilha é difícil
Mas minha força e vontade é maior
O tempo pode ser curto ou longo
O que interessa é a vontade de chegar
Enquanto que no caminho prossigo...entre um descanso e outro
Recarrego as baterias
Volto a caminhar
Não sei aonde estou indo
Mas sei que um dia, chegarei lá!
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