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Augusta Benício ( Guta)

@Augusta_B39 · desde 2020

Conteúdo autoral LEI n° 9. 610/98

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Versos fúnebres

Esses versos que a ti escrevo Já foram escritos em outrora Na encruzilhada da minha vida Nos impasses da minha juventude Minha alma está inquieta, nua Sinto falta do calor do teu corpo O frio me faz sentir a nova realidade A saudade do teu beijo consome Não sabes quanto é difícil Saber que não voltarei ao tempo Choro arrependido De lembrar que por ti, me matei Nunca mais te deixarei só Nossas almas estarão sempre unidas Por causa do pacto de sangue Seremos eternos amantes! Fui ao céu, fui ao inferno Andei por caminhos floridos Quando estava eu vivo Por nenhuma mais apaixonei

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Boto

Há quem acredite no boto Ele é moço raparigueiro À noite aparece para as moçoilas Na fazenda do seu Zé Mineiro Moça de pele cor de jambo Que entra n'água, para se distrair Mas não sabe que nela está de olho O boto tucuxi Seu Zé Mineiro já disse Que moça bela não pode nadar Porque o moço do chapéu vem E ele, ela raptar E se caso isso acontecer Nunca mais bela moça voltará O Boto safado é ciumento E com ele terá que se casar

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Morte

Se a vida é uma doce viagem A morte é uma amarga chegada Caminhamos tanto... Ao fim morremos na estrada Um passo para o invisível Carne e ossos ficarão Todo instante é imprevisível Nosso destino é o caixão Não temos porto seguro Nem seguro de vida Quando a conta chega Não têm mais saída Preso no espaço ficaremos Voaremos para outra dimensão Seremos eternos andarilhos Em uma mais nova versão Se existe céu ou inferno É impossível descobrir Pois Deus não te responde E o Diabo só te sorri Almas que ficarão nuas Seus bens serão confiscados Os entes queridos choram Mas nenhum quer morrer ao seu lado Os anos continuam passando As lembranças permeiam Nada é para sempre Nem o nosso inescrupuloso apego Desta vida não levaremos nada É em vão lamentar-se Se morres hoje ou amanhã O seu destino é o impasse

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Anonimato

Difícil é viver no anonimato O olho que tudo vê nos persegue Nada é escondido Mas subtendido Tiramos e colocamos máscaras Escondemos as feridas Em vão Pois tudo é ilusão Fechamos as portas Nos vestimos Desligamos a televisão Não adianta Há sempre um dedo apontando Uma fofoqueira falando Um vigia de plantão Seguimos em frente Tentando esconder as feridas, os dentes Mas um leve sorriso Denota uma alegria ausente Em nosso inconsciente Estamos caminhando Vivendo Somos seres doentes À procura de uma cura inexistente!

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Vento

O vento limpa nossa alma Senti-lo, sem tocá-lo É como amar E ser amado Vento que leva embora sentimentos... Nos faz pensar como somos breves passageiros... Porque tudo aquilo que passa Tanto leva de nós Como traz a vós ...

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Criança

Começa do ventre Aquele sentimento de nada Acompanha nossa jornada Quando vem a luz Choramos Em seio farto mamamos De quatro andamos Balbuciamos Crescemos Então a magia do ser e conhecer Nos rodeia Tropeçamos... Caímos... Como toda criança Então esse sentimento de apego Não nos abandona Nos apegamos A tudo e a todos Não podemos deixar morrer Essa criança interior Que tanto quer Que tanto ama Verdadeiramente Seremos Eternas crianças Procurando saber A real existência do ser!

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Umbigo

Um leve suspiro Não sei se sugiro Só sei que ao redor do mundo Somos apenas um umbigo Sujo!

Mundo vil

Esse mundo está perdido Desde que a humanidade existe Ela não deu certo Mundo vil! Desde que mundo é mundo Já vimos os mais terríveis absurdos Guerras ! Pai matando filho Filho matando pai Mãe abortando filho E a vida continua assim Com os mais toscos comportamentos Eu já vi, tu já viste? O Mundo viu... Leões ferozes e famintos Dinheiro sendo o ópio do mundo Religião que ao invés de salvar vidas, as destrói Mundo vil! Suicídio como moda Fornicação como diversão Eu vi, tu viste, ele viu O mundo vê, o mundo vil!

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Dilema

Enquanto uns choram Outros vendem lenços Infelizmente a vida Não é um conto de fadas Existirá sempre dois lados de uma história Duas faces de uma mesma moeda Uns estão do lado certo Outros do oposto Uns estão em cima do muro Na iminência de cair Não há porque lamentar a realidade Isso jamais mudará Só resta se conformar...

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Caminhando

Meus pés estão cansados de caminhar O caminho é árduo A vida não é facil Mas continuarei caminhando De batom vermelho, de rosto levantado, Ombros rígidos , mãos na cintura e salto alto Diblando os obstáculos Cabeça erguida, sempre bela, alegre e com sorriso no rosto Continuarei caminhando... Não sei por quanto tempo Se o caminho é longo ou curto Não sei... Só sei que sigo, arrastando- me, às vezes pegando chuva e sol Tropeçando, caindo e levantando Porém sigo... A trilha é difícil Mas minha força e vontade é maior O tempo pode ser curto ou longo O que interessa é a vontade de chegar Enquanto que no caminho prossigo...entre um descanso e outro Recarrego as baterias Volto a caminhar Não sei aonde estou indo Mas sei que um dia, chegarei lá!

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