Penumbra
Fascínio
Nada mais sei
Em qual estado habito
Latente prisão
Por vezes
Ainda penso se vivo
Como se algo anunciasse
Por que ainda pensa?
É como se eu vestisse uma veste
De cruel julgamento
Eu me aproprio
Vendo tudo sem movimento
Medíocre;
Com caminhos conhecidos
De inevitáveis obstáculos
Nem consigo manifestar
É abstrata e assombrosa
Afasta a plenitude
Sem esforço
Sem tentar
Pode ser tédio
Ou falta de objetivo
Falta de paixão
Ou alguém pra dar adjetivo
Ainda não entendi
Onde vai essa viagem
Onde repousa o velejar
Ainda saio do corpo
Procurando luzes
Sem rastros
Ocultas
Desejos
Sentimentos
Que deveriam explorar
Encontrar refúgio
Apenas conflitem entre si
Com inspiração
E falta de vontade
Sem deixar oportunidade
Sem permitir
Que neste céu nu
Ainda voe alguma ave
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Sem dúvidas
Sem qualquer chance de ser diferente
Sem atestar nada fora disso
O que mais me nutre
Sustenta meu espírito
E a ligação com meu corpo
Se faz pela música
Queria eu que fosse diferente
O ápice da satisfação ser em outra ocasião
Em um encontro
Ou em qualquer conversa simplória
Mas é tão raro
Parece tão distante
Nem sequer há conexão a tal ponto
Meu acalanto ainda é na música
Cada mais fascinado
Surpreso com os sentimentos expressos
Se sua satisfação se faz pelos convívios
Não vou julgar
É realmente mais fácil
É mais prazeroso de se doar
Na solidão
Nos ecos na mente
Vagam os pensamentos de tortura
Que nada podem fazer
Pois a música segura
Que maravilha de se admirar
Bom se todos pudessem apreciar
O conforto da boa música
Que a marcha incessante da desordem
Por um momento faz pausar
07/12/21
22:02
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Sinto uma confusão
Imensa confusão
Repetina e cruel
Que me impede de pensar
De ver por outro ângulo
A face boa da moeda
Desoladora tempestade
De fatais pensamentos
De prontidão me invade
Desfigurando a vitalidade
Me retornando ao nada
Como se somente o nada existisse
Atordoa e castiga
Sem pudor
Lenta e sufocante
Me folhando este livro
Que nada tem de interessante
O livro do pior cenário
De folhas manchadas
E eu vendo atento
Cada pôr do sol
Sem beleza
Como se passos
Já não fossem o suficiente
Para chegar onde se deve
Que o destino alerte
Ao menos tente
Repercutir os desprazeres
E todas suas vertentes
Pois algo de determinado deve existir
Não há sofreres em vão
Toda má-energia
Deve de alguma forma fluir.
02/01/22
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Perdão, por eu não aspirar certeza.
Por não consolar mais do que amedrontar
Por parecer somente uma presença
Assim como número decimal
Não faz tanta diferença
Eu não sou tão anunciador
Não falo demais
Quase nunca desligo a mente
Apenas pareço um qualquer
Talvez peça do ambiente
É que as situações são confusas
E as pessoas muita ocupadas
Pensam por si
Não quero mudar isso
Seguem o cotidiano besta
De poucos esforços e muitas recompensas
Tornando tudo uma troca
De sacrifícios e ócio
'Se tal faço, tal mereço"
E assim se faz a mediocridade
De eventos desgastantes
Que de tão comoventes
Nem se revelam para quem já acostumou.
Perdão...
Eu não espero o churrasco do final de semana
Me fadiga o sabor
Me assustam as horas
Que sempre parecem
Por gosto jogadas fora.
Perdão...
Por eu não falar sobre meu futuro
E deixar a lacuna
Cabível a qualquer interpretação
Ou pensamento
Na real mesmo
Eu não penso no amanhã
Já me aflige o hoje
E seu tempo obrigatório.
Perdão...
Por eu não marcar sua vida
Passar discreto
Sem intervir
Sei que pareço nem ligar
E pertencer à aqueles
Do tanto faz, tanto fez...
Mas é que não faço questão
Tenho meus gostos
Diversos e nobres
Que não saciam qualquer um
Ainda amo a solidão
E nem sei se isso é bom
Se me livro dos julgamentos por um instante
Ainda caio na incerteza
Será que estou aprendendo a agir
A conviver
Ou apenas respirando
Fazendo uma realidade sem saber?
Por enquanto
Posso oferecer minha dúvida
Minha isenta contribuição
Que para os perdidos
Ainda soa como canção.
Dai-me a chance de ser claro
Um pouco a frente desta confusão...
Só não sei quando
Nem se vai passar
Desde já
Perdão.
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Mais um dia acabado
Como sempre
Nada novo
Muito menos raro
As ruas ainda carregam suas vítimas
E as luzes festejam sem motivo
Risadas e promessas ao vento
E quanto mais eu vejo
Tenho certeza que isso é perca de tempo
Seus eventos são vazios
Por mais que cheios de gente
Só formam uma fachada
Porque ninguém é lúcido e contente.
Ainda sigo na espreita
Sei que não devo me despojar assim
Tenho coisas para viver
E falando bem a real
Eu não tô afim.
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O amor se esconde
Ante a podridão do mundo
Pois é assim que acontece
E tal qual é o seu turno.
De pouco em pouco
Para poucos e raros
Ele está ali
Diga-se de passagem
Comovendo algum plebeu
Enfeitiçando algum corpo
Talvez provando de algum cálice
Revitalizando mais um afoito.
Ante as sombras
Pois é ali que pode se esconder
Ficar imóvel
Que ninguém vai ver
Passam por ali apenas alucinados
Seres corrompidos pelas mágoas
Reclamando ao contar dos passos
Como se fossem definitivos magos.
Maestria em enganar
Facilidade em não ver
A felicidade passa longe
Pois não há de carecer.
De longe o amor se esconde
De perto o amor se nega
E nada pode ser feito
Ninguém sabe de onde veio esta moeda.
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Seria loucura
Uma intenção longínqua
Entender porque tais pessoas
Ao acaso aparecem na minha vida
Sempre com a mesma história
A mesma intenção
"Quero alguém interessante"
Mas nunca estendem a mão
Receio
Trauma
Nunca entendi jamais
O quão aflita é sua alma
Se ao menos eu tivesse oportunidade
Uma chance de me importar
Te traria de volta
Para nunca mais se afastar
Mas de tal situação
Tenho pouco controle
Se nada posso fazer
Se tudo acaba em julgamento
Não tentarei te tirar dos espinhos
Nem repetir as frases de afeto
Você nunca confiou em mim
Nunca fui alguém correto
Eu só lamento pelo seu desprezo
De egoísmo e orgulho
E de fadigante silêncio
Você vai carregar o seu peso
Espero que na estrada não se perca
E nem se arrependa no meio
Á base de lágrimas secas
Irás conformar seu receio
Não pude ser seu ideal
Me julgas carente
Um convencido qualquer
De emoções dependentes
Não direi que mentiu
Nem farei mais esforços
Deixe seguir assim
As coisas vão se ajeitar
Você sem mim
Eu sem você
Muita angústia envolvida
Mas seguimos assim
De mentiras absurdas se faz mais um desfecho
Sempre uma fuga de responsabilidade
De meus males eu já sabia
Mas não imaginava isso de vós.
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Foi em um sábado que a gente se conheceu
Se assim posso dizer
Uma ocasião comum
Sem tanto a oferecer
Mas de conversa em conversa
Foi se moldando o interesse
Quem era aquela ali?
De acaso apareceu
É confuso
Não sei porque você
Não sei porque eu
Seria ironia?
De tantos caminhos
E outros trajetos
Por que esbarrar no seu?
De qualquer forma
Não é preciso tanta resposta
Foi o melhor que aconteceu.
Parecia que eu já te conhecia
Mesmo sem ter te visto
O fascínio e a lembrança dançavam juntos
Ao que parece
Nem desta vida.
Se de erros é que se aprende
Estou disposto
Vou confiar uma vez
Na serenidade brilhosa de seu rosto
Que só ilumina
Porque conversa com meus olhos
E de alegria faz sua química
No silêncio
É possível ouvir os muitos elogios
Que perante a cautela
Ainda não foram ditos
É de admiração
Que aos poucos
Vamos desdobrando nossa relação
Progredindo para conhecer
Saber um pouquinho mais...
Porque é tanto mistério
Que a gente não sabe o que faz.
É fosco o véu que cobre o sentimento
Ainda é cedo para se entregar
Ei de chegar o momento
Que de intimidade poderei te contemplar
(...).
Vou me esforçar por você
Assim espero
Ei de engradecer cada dia
A forma como te quero
Digo que anda não é amor
De minha parte seria muita pressa
Deixarei o tempo cuidar
E que seja na intensidade do seu dispor.
Você ainda precisa pensar
Ainda precisa se decidir
Quando for sua vontade
De braços abertos pode vir.
Até lá
Pode pensar com carinho
E amadurecer suas ideias
Eu sou acostumado a viver sozinho
Mas seja pra onde for
Onde quer que sua mente queira repousar
Me dê esperança
Que de mim não vai enjoar.
Assim
O mesmo vento que irá te aconselhar
Em uma calma e sublima brisa
Sem tantas anunciações
Vai te fazer retornar.
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Talvez ainda posso viver como se deve
Aproveitando as pessoas
Enquanto a realidade não massacra o desejo
Sem vínculos
Não há porque se ter
Não há suspiros.
(...) Ainda há pessoas com interesse em mim? É meio cômico, não vejo tantos olhares de interesse.
No máximo algum de surpresa ou encanto.
E essa falta de conectividade, essa falta de ter alguém com quem eu possa depositar minhas alegrias e prazeres, têm feito de mim um tanto quanto sombrio.
Não que eu já não esteja acostumado com isso, nem que eu não goste da solidão.
Mas lhe pergunto. Quem engana a si mesmo? Eu não posso me auto-aconselhar, se não de maneira previsível.
Que toda má-fé e indignação vire arte e mágicos momentos, que estão em falta, aliás. Pessoas que não sejam vazias, de mentes desligadas e cheias de profanação.
Falta alguém que eu possa contemplar, de mesma forma, ou quase, como eu (...)"
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