Dobrei cada camiseta
E a cada camiseta que eu via
Me perguntava se realmente usava
E realmente eu não sabia
Chegando no guarda-roupa
A cada camiseta que havia
Era uma gaveta que não fechava,
Era outra gaveta que não abria,
Era a camiseta que eu usava
Que no meio das antigas se perdia...
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Não leia este soneto, ele é inútil,
Nada agrega em ti, que lês, coitado,
Estes versos têm sentido fútil,
Que partem do meu peito machucado.
Não trago nele ideia construtiva,
E nem alma da arte que se eleva,
Não partem de uma mente criativa,
É vão, vazio, dor... E sombra e treva.
Não leia este soneto, eu o desprezei...
Até o décimo quarto verso triste,
Que nem eu mesmo entendo onde encontrei.
São frutos de uma mente perturbada,
É o choro preso que eu jamais chorei.
São só palavras tristes e mais nada.
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Olla meu amor, eres tan tenra,
i eres tan envexada que te envexo,
que o meu corazón por ti s'enferma
i outra cóm'a ti xa non máis vexo.
O moito que m'amarga per non vela,
non tela aquí tamén o peito inferna,
Porque eres fermosa i eres bela,
Na túa graza interna i externa.
Tí és na fermosura o mal camiño,
I eu cá per tí que son enamorado,
Te probo rosa, espiño trás espiño,
E non sei ser feliz por exiliado,
Nen téñoa sorte como tela soño,
Pero probas do amor que eu te expoño.
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Que ar que tem teu cheiro, simplesmente,
que eu posso não senti-lo e inda distante,
se penso no teu celestial semblante
recordo-me então sinto-o docemente.
Que fim se deu meu riso neste instante!
Que o tempo que passou por entre a gente,
nos fez ter muitas mágoas e ciente
que tudo que passou era inconstante.
Não sei o que será daqui pra frente,
se o cheiro que eu recordo-me inda volta,
e estraga o que restou, e me destrói.
E eu quero não penar disso somente,
assim como uma folha que se solta,
e a queda não lhe fere e nem lhe dói.
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Senti-me da mesma forma há muito tempo,
com o coração apertado como quem nunca viveu
e de repente viveu tudo de uma vez.
Nos últimos momentos quando a esperança acaba,
quando a fantasia se rompe tudo que era feliz
se torna uma agonia constante,
é quando a gente percebe que toda alegria merece um luto
pois a inconstância é uma lei inevitável.
Eu senti-me da mesma forma quando percebi
a solidão cósmica, como quem leva um soco no peito
por estar cego e conseguir ver depois de muito tempo.
Como quem toma a angústia como primeira impressão
do mundo. Busquei conforto na monotonia e ela me feriu,
e dentro dela tudo ficou cinza e nublado, porque na monotonia
tudo é assim. E quando você sai da monotonia e acha conforto
no imprevisível e a monotonia machuca mais quando você volta
a ela. Foi assim que me senti quando olhei para os trilhos
e pensei coisas que me assustaram a mim mesmo.
Quando de repente pensamentos ruins inundaram a minha cabeça
sem deixar claro o motivo.
Eu senti-me da mesma forma no passado, quando pensei que tinha
morrido e algo despertou em mim e me mostrou que a morte é uma
ilusão distante e que eu ainda estou vivo, porque estar morto
por dentro é sentir dor e mais dor e nada mais. E não passa
disso, porque a morte é ausência da dor mas também a ausência
da alegria e da existência. Eu senti-me da mesma forma
no passado, quando percebi que a infância acabou e que a vida
adulta se resumia em tristeza. Porque quando se cresce a
monotonia é inevitável, e a existência se torna uma ânsia
constante de quem espera a morte e vê a vida passar lentamente,
e pensa que o fim do dia (que é o descanso) traz alguma esperança,
porque a esperança é a última que morre. Mas quando ela morre,
não sobra mais nada. E a gente morre junto.
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No circo um mágico louco
Tirou da cabeça a cartola
Mas dela não saiu coelho
Saiu o seu falso cabelo
Depois de alguém passar cola.
Depois ele entrou numa caixa
E disse que iria sumir
Três voltas pra lá e pra cá
E todos - Aonde ele está?
Depois da tal caixa se abrir.
A caixa depois de aberta
Estava inteirinha vazia
E o pé do mágico ao fundo
Saiu diante de todo mundo
E viram como ele fazia.
O mágico já muito triste
De tudo ter dado errado
Olhou pra platéia agitada
E vendo tanta gargalhada
Acabou ficando animado.
O mágico então vendo aquilo
Sorrindo largou do coelho
Pegou uma peruca engraçada
De tanto fazer palhaçada
Ganhou até nariz vermelho!
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Eu sei que este mundo é desumano,
que dele só existe uma saída,
eu olho pro caminho de descida
e ando para trás de ano em ano.
Espero que o amanhecer profano
Que aguardo ansiosamente quando deito
não venha machucar mais o meu peito
com tudo que se diz por ser mundano.
O mundo é um sofrimento, isso que vejo,
trovão que acompanha o relampejo,
o choro que se segue pós ferida.
É tudo sofrimento e quando acordo,
Começo a ver que quanto mais transbordo,
mais enche-se de dor toda minha vida.
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Eu fiz muitos poemas nesta vida,
Fiz versos sobre tudo o que eu não digo,
Fiz deles este meu único abrigo
Onde entro com a alma dolorida.
Fiz deles minha casa e meu jardim,
É neles onde eu vivo o tempo inteiro,
É neles... Como se fosse o roteiro
do filme que a vida fez pra mim.
É neles... Miserável sou embora,
Que o tanto que minha alma dentro chora,
nem um milhão de versos traduzira.
Pois isto que eu carrego me dói tanto,
Que mesmo que eu escreva sobre o quanto,
Nenhum tira de mim... Nenhum me tira...
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Se tudo este soneto há de contar-lhes,
conte-lhes então o que eu não digo,
que tenho um pesar aqui comigo
que arrasto para todos os lugares.
Diga que é o maior dos meus pesares
(de muitos) este é um, que é o inimigo
dos dias e das noites, sendo antigo,
vivido entre os tempos seculares.
Eu chamo este pesar neste soneto,
ele ergue-se de mim como um zumbi
que vive em corpo nu, como esqueleto.
Que esteve em tudo aquilo que eu vivi.
Que foi o braço esquerdo e o direito
em todos os poemas que escrevi.
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Se foi o coração triste sozinho
teve sorte porque não sofreu de amor
não há pois a lembrança de um carinho,
somente há o desejo (que é uma dor).
Se pôde viver só, sofreu calado
Livrando-se do pranto da partida,
não teve mal-me-quer preso ao seu lado,
não teve a mente triste e dolorida.
Mas não teve o carinho antes do pranto,
não teve o beijo à boca nem o toque,
não teve nem a cama de acalanto.
Feliz, no entanto é quem não teve o choque
do término após ter amado tanto,
e nem a solidão que lhe provoque.
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