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OrgasmicosmicO

@willisleite · desde 2023

Sou um poeta solitário, louco e místico. Santo Babilônico, faminto de pão e amor. Poesias ácidas, sarcásticas e cômicas. Theleite-se

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Efêmero

Na lida

Vejo um pôr do sol por onde olho. Embaixo das carretas com suas cuícas vazando ar pelas caçambas cheias de indigesto suor pela caneta falha anotando minhas falhas por menor. Vejo um pôr do sol no arraste seco dos pés cansados. No ônibus cheio de sonhos corrompidos na sirene diária com seu ruído abafado nos caminhões pingando óleo pela estrada onde me deito Sou um elemento pequeno que faz parte de um todo. Procurando por um pôr do sol, que só existe no meu pensamento, com um remanso sereno ameno que pelo desgaste, já não sei se mereço. Willis Leite

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Efêmero

Prenúncio da podridão

Pressinto a anunciação das sombras Cobra rastejante num mar de escuridão Antítese da palavra verdadeira Poesia sem sentido que não se nomeia Prenúncio da podridão Prevejo o escárnio do enunciado A balbúrdia da incitação Sua poesia sem significado Palavra com falsa inspiração Profetizo o mau augúrio Que de súbito, nada tem Transborda de um profundo esgoto Da forma que lhe convém. Willis Leite

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Efêmero

A eternidade é o diabo

Tenho medo de morrer. Não pela passagem predestinada a cada "fih" de deus ou pela forma sádica e irônica do destino: não mexam comigo, a eternidade é o diabo! Toma teu rumo peão, apruma teu corpo a coragem é um falso deus que te vende Te encara atiçando sua audácia Uma única moeda para sua passagem O que vale a sua coragem? Endireita seus passos, peão! Onde guardará a saudade de quem fica? quem levará o peso do teu corpo sem vida? quando se abrirá a vala que findará sua fadiga? Acorda pra vida peão, pega teu beco Pra tudo se arruma seu jeito mas da morte, ninguém escapa do beijo Acorda pra vida peão, pega teu beco. Willis Leite ∆

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Efêmero

Quintal

Um pássaro pousa no galho verde Da trinca da janela eu vejo — trinca ferro Canta a chuva que vem vindo Eu espero, eu espero. Sento no chão lodo de concreto cinza Escuto agora um Quero-quero Quero-quero o sol pra secar minhas roupas Eu espero, eu espero No quintal abro caminho com rastelo Pousa arisco, canário-do-império Outono colorindo as folhas De amarelo, amarelo Willis Leite

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Efêmero

Âmago Absorto

O espelho da autocrítica se quebrou, sete anos atrás. O azar busca meu nome. A culpa não se encontra com o ego. O orgulho se afunda na cama macia, sob plumas da incoerência. Nada de novo sobre a terra — nem acima do céu Encobrindo os rastros que perambulam entre Estados — também o de espírito. Eu encho o peito de minério Tossindo farelos de pão. Quem me dera uma cama nesse chão. O espelho quebrado numa moldura nova. Para enfeitar a parede cinza Nesse céu sem cor Willis Leite

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Efêmero

Cortina opaca

Escrevo para afastar meus demônios, ou aproximá-los. Não há resquícios de candura. Apenas sentimentos expostos — palavra nua e crua Busco na altivez dos sonhos, a lucidez outrora perdida. Recolho minha insignificância na pequenez de minha poesia Há em minha consciência, uma profanação através da escrita. Que vai de encontro, e contra a anestesia. E não por desprezo ao sagrado — mas por recusa à mentira Contra a máscara da poesia falida e seus cr(IA)dores iludidos. Perdidos na própria hipocrisia em falsas virtudes e moralidades na mania de grandeza em pequenas frases E apesar do desgaste do mundo permaneço sem me perder e sem nada ser. Willis Leite ∆

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Efêmero

Ragnarok

Como deus de ti evoca para si, poesias em sacrifícios Como se toda palavra, fosse altar devocional feito um sol Maia requerendo corações Escarnecendo da idolatria cega de mentes crédulas cercadas de carências. Espalha seus dogmas manchados de mentiras pelo deboche da falsa presença, fria. Willis Leite ∆

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Efêmero

Faça silêncio

Procuro o silêncio, não encontro. Ele se esconde no tremular do ar condicionado No barulho irritante dos grilos da minha cabeça na hora do sono que passa e não chega A alma silencia o corpo inquieto balançando os pés, buscando refúgio na memória do berço. da sensação de conforto do silêncio que antecede o beijo Quando finalmente o ar condicionado cessa suas vibrações e os grilos findam-se as estridulações Turbinas rompem o silêncio dos meus pensamentos. Willis leite Manaus ∆

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Efêmero

I-ntenções A-bstratas

Entendo completamente toda revolta do mundo, quando revistas renomadas nomeiam o fútil como exemplar. Enquanto a mente criativa e curiosa carrega a cruz, pelos que antes, não sustentavam seus próprios corpos. Entendo a revolta dos que caminham por entre as pedras de suas criações. Vendo que a mentira, caminha firme abrindo estradas tortuosas, bradando a arrogância de ser o que não é. A poesia perde o brilho da pureza digitado por dedos mecanizados. Pelo sentimento forjado do que não é possível sentir. Enquanto isso, palhaços em circo de horrores vomitam palavras que não entendem, ditando regras em rimas mal feitas, do palanque podre de suas ruínas. A poesia vos abomina, cercados de palmas e curtidas. Willis Leite ∆

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Efêmero

Estado ilhado

Em seu aconchego, seu dengo Sinto minha alma acalentada Mirando o horizonte de eventos frente a vida, frente a alma lavada Não é descida, não é subida É retidão dos passos acalorados O desejo frente ao desespero A vontade de estar presente, de cultuar a presença Presença física dos sentimentos compartilhados O estado ilhado do desejo não latente desejado estado, desajeitado amado O desespero de amar incondicionalmente Aproximar além do Estado E saber que em uma vida não é suficiente Nas vidas passadas me perdi, no futuro, te encontrarei Cultuando seu altar, o mais belo que sonhei Minha estrela, minha vida Por ti sempre estarei. Willis Leite ∆

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