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Viviane Ramos

@viviramos33 · desde 2023

Compartilho momentos de alegria e dor transmutados em letras de poesia, poema e versos, com carinho e amor.

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Biografia

Eu

Estou aqui, no silêncio, na paz, na calma, no escuro, somente eu, somente a sombra, somente o que restou. O que sobrou de mim após tantos anos, o mar ainda tem o mesmo cheiro de sal, o mesmo frio que gela a alma, a areia ainda é fofa, as ondas ainda puxam e empurram, conforme a maré. A cidade tem o mesmo nome, porém algo mudou, as pessoas, os prédios, a ponte. Tudo evoluiu assim como eu. O barulho das ondas, me lembram a primeira vez que pisei na areia, que você me mostrou a praia, seu sorriso era simples e alegre, como poucas vezes vi na vida. A sensação de que você vai chegar do trabalho, ou vou passar no teu serviço e te ver, ainda persiste, sinto que esse lugar, registrou boa parte das nossas vidas, convivência, e lembranças. Um pedaço da sua alma, ficou aqui, preso na egregora dessa cidade, ela cheira a você, o tempo foi curto e injusto conosco. Tanto tempo dedicado ao trabalho, e pouco dedicado a ser e fazer, o que se dá prazer na vida. Não que o trabalho não seja importante, contudo a sua encarnação, lhe consumiu uma boa fatia do tempo. Anoiteceu e eu choro, a saudade de um tempo que não volta, mas também a alegria, de estar aqui novamente, andei tanto por essa cidade, conhecia cada esquina, contudo agora, me soa tão diferente e grande, as ruas cresceram ou era eu, que via tudo tão pequeno. Está tudo tão lindo, sinto tanta gratidão, contudo agora vejo, que o trabalho, também me come uma fatia, do que eu poderia estar vivendo. A história se repete, ouvi isso ontem a mesa, mas com outra família, não quero ser essa estatística ou estar, nessa roda de repetições. Por isso, me permiti estar aqui, me permiti ao menos por pouco tempo, respirar e um banho de mar, por isso estudo, por isso evoluo, por isso o terreiro, por isso choro e sinto as dores de nossos ancestrais. Porque busco a cura, busco limpar a sujeira, busco o conhecimento, busco a essência da leveza de viver, por isso vivo o intenso, vivo o medo, vivo a coragem que me cabe, pra sanar a dor e transmutar a vida, eu estou aqui, eu sobrevivi.

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Amor

Existir

Eu existo, existo sem vc, existo sem os pensamentos turbulentos que atordoam. Existo sem o barulho e a confusão do mundo, existo sem o eu, que precisa dizer, o que tenho, o que sou, o que quero e o que preciso. Eu estou aqui, por baixo de tantas máscaras e tantas camadas, não sou meus pensamentos, não sou o julgamento, não sou o buraco que ficou depois que vc me negou. Eu sou o momento, sou um banho quente, sou uma xícara de chá ao sol, sou o instante de silêncio que incomoda muitos, mas ao qual fui o obrigada a conviver, integrar, e aceitar. Sou o que esses momentos né tornaram, sou o que vivi, o que posso viver, e o prazer, de estar aqui, independente do que vêm ou do que foi. Eu sobrevivi, sobrevivi a vc, sobrevivi a todas as perdas, sobrevivi aos traumas, sobrevivi a vida em si. O que sobrou é o que se tem, e o que eu posso cuidar, amar, respeitar, e recomeçar, sou livre, sou imperfeita, sou a busca que nunca acaba, sou além da vida, sou além da morte, sou a consciência que viaja por experiências. E continuo, não por vc, nem por mim, mas pela evolução do que ainda não sei, mas um dia irei de saber, o sentido do ser vivo, o sentido das vivências e das experiências. Eu existo e persisto, vivo e aceito, continuo e nunca, nunca desisto.

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O olhar

Ela seguia, com o olhar cansado, um rosto que carregava as marcas de uma vida inteira, não era nova nem velha, creio que na casa dos 55 anos. Limpava as mesas, atenta a cada uma que desocupava. Fazia os pedidos e os servia, o corpo por um momento vacilou, talvez cansaço, ou o peso da idade. Me contara, que no dia anterior, trabalhou até às 23 horas. Pensei comigo, como consegue, ela sorriu, me tirou a xícara, limpou a mesa, e seguiu com a vassoura. E sim, ela era negra, carregava todos os fartos e preconceitos de sua raça, contudo, essa mesma mulher, remetia uma força sobrenatural. Seguir com um sorriso, mesmo cansada, era a essência do seu brilho. A desigualdade, a desvalorização do trabalho, as contas, a pagar, e os filhos a criar. Talvez, seja a sua motivação, eu, nunca irei saber, contudo, honro seu sorriso, honro seu trabalho, sua dignidade e sua força, que a percepção e reverência a essas mulheres, e toda nossa ancestralidade nunca morra, eu poderia continuar, linda e plena, tomando meu café, sem emprego a me preocupar, e sem preocupação com quanto pagar, mas no momento de curtir a manhã. Também, me vi no espelho, do reflexo, do olhar dessa senhora, pois se ver em outros olhos, também me faz evoluir, e seguir meu passo, com presença, gratidão e dignidade. Pois hoje foi ela, ontem minha avó, em outra vida, talvez até eu, já tenha sentido na pele, o que é essa realidade. Não penso, no intuito de voltar a esse lugar, mas de ter consciência, que o minuto de escuta, e o sorriso que devolvi a ela, também deixe, um singelo respeito, a sua pessoa, ao seu trabalho, e a força da mulher, que segue firme, sem perder a sua essência. Assim, como eu sigo, sem perder o meu olhar, sensibilidade, e respeito a todas as mulheres.

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Biografia

Sem título

Não estou inerte, por não ter o que fazer, ou por não o saber, estou assim, parada e estagnada, por ter feito tanto. Eu vivi demais, doeu demais, cuidei demais, sangrei mais do que podia, dei a vida por quem não merecia. Vivi uma vida que eu não queria. Hoje fadiga, hoje me habita a exaustão mental. O peso do fardo saiu, e um buraco ele deixou, esse vazio sufoca, esse vazio me enforca, esse vazio me cansa. Pesa o olhar, cansa o respirar, afoga a alma, leva a calma, e grita a raiva e a tristeza. Como é horrível, como é chato, como é repetitivo. Eu vejo a saída, ela me olha, me encara, oh filha da puta, não vai levantar. Quando foi simples, quando foi fácil, quando foi engraçado, quando deixou de ser solitário. Você sempre sentiu, e sempre se levantou e existiu apesar de tudo isso. O tempo te deixou mole, ou a força lhe assusta. Ela sempre esteve à sombra, sempre trabalhou na sombra, ela sempre esteve lá. Você que não via, ou fingia que não sabia. Agora olha pro lado, sente o cajado, respira no vento, volta pra presença, a mão no copo, a quentura da xícara. Fica na presença, pois ela é tudo que você tem, e tudo que você controla agora. Ouve o som, firma o pé no chão, foca na fé, fica no sentir, está tudo aqui, sempre esteve. Volta pra você, volta pro ser, ama teu corpo, tuas mãos, tua alma, tua sensibilidade. Tua intuição e tua firmeza, acalma o pranto que tem louça na pia, tem serviço pra fazer, talvez sim, coisas que você não queria, mas essa é a graça. E senta aqui e olha, firma o passo e continua, vai na fé menina, que essa vida é tua, olha pra frente e anda, que tem pedra pra lapidar, caminho pra andar, e leões para matar. Não se esquece de onde veio, mas não paralisa por anceios, que o que já foi, só te fez mais forte pra encarar o que ainda não veio. Pensa que é lindo, pensa positivo, pensa que vai virar, tira a culpa, tira o peso, tira tudo que não é seu, e segue, sem medo e sem anceio.

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Eu

Eu te amei tanto, te amei mais, do que deveria ter amado, me entreguei, quando deveria ter me fechado, e te idolatrei mais do que você merecia. Não foi por querer, não sei em qual momento, você se tornou tão importante assim. Não sei em qual momento, eu me perdi de mim, acho que foi nos abraços apertados, no sorriso fácil, no pouco tempo que tínhamos, que isso se tornou tão especial e tão raro. Tão intenso e tão claro, que pouco a pouco, foi tomando conta da rotina, foi criando uma linha, que o tempo que ficamos afastados não apagou, se eu tinha dor, a distância você sabia, se eu não tava bem, você sempre sentia, se eu chamava no pensamento, quase que dê imediato você correspondia. Pra que telefone, se por pensamento e sonhos a gente conversava e, até mais do que pessoalmente, pois juntos, tua boca calava a minha, minha língua não dizia, somente o seu corpo ela percorria, e deslizava a mão sobre todo seu corpo, creio que lhe acalmava, pois com leves toques, voce dormia e roncava. Engraçado lembrar, e triste o vazio da tua ausência, sempre achei que era ruim com você e pior sem você, contudo não quero mais nem um nem o outro. Os dois dói, a dor da ausência de não receber mais suas visitas, ou a dor do vazio de quando você ia embora. Ficou o silêncio, o fogo e a anciã de te ver, deram espaço a uma inércia de silêncio, que sussurra coisas, que me confundem, e que não quero ouvir. As borboletas na barriga ao te ver, e ao ouvir sua voz, agora foram substituidas por um enjôo, um enjôo da vida, um pensamento constante de, que será, que agora é o fim? Será que ainda, pensa em mim? Em qual momento, que você irá sair e fluir do meu pensamento. Aquele sopro de vida, que nos preenchia, será só uma lembrança, esse laço sagrado, pois não veio pro mal, veio pra ensinar, veio pra apoiar e amparar, e será com amor e respeito, que elevo essa dor, que você transborde amor, e sei que sente, pois a mensagem no pensamento, sempre chega primeiro, entrego ao universo e aos guias, a pessoa a razão, será sempre o meu coração.

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Biografia

Aos meus Pais

Depois de tanto tempo, eu compreendi, depois de tantos anos eu entendi. A dor sempre vêem, independente das nossas escolhas, independente do caminho, o sofrimento, sempre estará no nosso destino. Sempre queremos dar o nosso melhor, porém poucas vezes somos entendidos, poucas vezes somos compreendidos nas escolhas que tomamos. Vocês tomaram uma decisão, com isso teve uma reação, que não era a esperada, que não foi a melhor entrada. Que gerou uma consequência, e causou a maior ausência. Isso gerou um fim, que poderia ter tido um recomeço, que não era no fundo da garrafa, que estava o apreço, e nem o amor. Mas sei que foi lá, que você afogou a sua dor. Eu não lhe julgo, ali eu também estive, e mergulhei muito mais profundamente do que um dia você possa imaginar. Sou grata por ter encontrado a saída, e essa vida não é mais a minha vida, eu lhes compreendo e lhes perdoou, eu sempre fui o meu melhor consolo, sempre achei a saída e sou grata por vocês terem me dado a vida. Aprendi, que a maior cura, está no amor, que estejamos livres do que passou, das amarras que a vida criou, do sofrimento que foi causado e que o dolor, não venha mais a ser lembrado. Que o amor por todos nós seja glorificado, e o perdão, de espaço a um novo nascer, que se abra um novo viver, pois estando aqui, ou do outro lado, sempre há possibilidade de uma nova evolução. Com a mesma ancia, de que dessa vez, seja feito direito, pois aqui não é o fim, e nem aí que se acaba, cada vida, traz uma morada, de amor e aprendizado. Recomeçar de novo, se libertando de todas as prisões, sejam visíveis ou não, sem lamúrias no coração. Sejam felizes, sem culpa, sem razão. Fazendo brotar amor, em todas as direções. Pois só o amor, quebra as amarras de qualquer maldição e faz, que nos aceitemos, seja qual for o pecado que condenamos. Não há culpa, não há dor, não foi por mau, tudo foi por amor, e será esse amor, a cura, a libertação, a prova viva de que tudo na vida, merece o perdão.

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Você

Seria tão fácil me entregar a você, seria tão fácil esquecer o mundo e deixar seus dedos passearem, pelas curvas do meu corpo. Sentir o calor da sua boca, que tem gosto de quero mais, que tem um gosto que me satisfaz. Sentir seus braços me aquecendo, o calor do seu corpo, me fazendo-me me sentir, desejada e dominada. Me falando que sou sua, e implorando pra me ver nua, se perdendo entre meus seios, fazendo enlouquecer meu corpo inteiro. Seu olhar me seduz, seu cheiro me conduz a um caminho que eu conheço o fim, então fujo e te mando embora. Mesmo sem querer, mesmo sem poder, eu penso consciente e no futuro da gente, pois você não é meu, a realidade me bate à porta, e fasso o correto e fasso o certo. Porém não fazer e não querer, não satisfaz a vontade, nem tira você da minha mente e nem da minha cabeça. Oh Deus será meu eterno karma, amar somente quem eu não posso ter.

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Eu

Se desligar dos barulhos tem sido bom, me deixar levar pelo silêncio opaco, pelo brilho do sol ao entardecer, tem aquecido meu coração. Pensamentos intrusivos insistem em me atormentar, mas com respirações curtas me acalmo. Esse silêncio me lembra a infância onde era entediante ver as horas passarem. Onde eu não sentia falta, dos prazeres da carne como tenho hoje, dos dias em que não eram regados a cigarro e café. Das noites que meu único temor era o escuro, e não as crises de abstinência, as lembranças horríveis das noites de loucura, regadas a pó e a reveria. Sem comer, sem dormir, sem sentir. Esse tempo se foi, e não faz falta nenhuma, contudo é como um fantasma e que ainda me encara, pela fresta da porta. Será que ainda lhe devo algo, senhor demônio da noite, será que tudo que você já levou não fora o suficiente. Se foi minha vida, pelo ralo sombrio e frio da encruzilhada. Se é isso que quer, eu me rendo, abraço a minha amargura e a minha tristeza, abraço a solidão por ter afastado todos que eu amava e abraço a culpa da minha responsabilidade sobre isso. Eu as vezes posso sentir como era, é tão forte que posso até vê-la, a minha versão de sonhos, a minha versão de esperança, a minha versão que pedia tanto para ser feliz. Eu estou aqui, contudo eu sobrevivi, não foi como a Amy Winehouse que eu morri, eu ainda tenho tempo, eu ainda tenho tempo, eu ainda tenho tempo...

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Caminho.

Sigo meu caminho, andando às vezes meio sem rumo e sem direção. Pelas ruas da cidade, eu sigo a caminhar, às vezes sonhando em te encontrar. Pelas praças, ruas e avenidas, por entre as barracas da feirinha, onde era já de costume, nossas manhãs de domingo. Você virou o meu mundo, não posso voltar a ser o que eu era antes de você, não posso mais ser o que eu era quando estava com você. E não serei, nunca mais a mesma pessoa, depois de você. Estou fazendo às coisas, às quais necessito fazer, mas não significa que eu não lembro, mais de você. Continuo a pensar e a lembrar, e quero o sorriso no seu rosto, um dia voltar a olhar. Você trouxe alegria, me fez delirar, em um mundo de fantasia, onde nós éramos felizes, onde podíamos nos entregar, onde podíamos nos encontrar e nos olhar, com os olhos da alma a qual temos a memória e a lembrança um do outro. Eu sabia que você viria, só não sabia o quanto iria doer te encontrar, o quanto iria doer, ter que reviver toda essa dor. Mas pra isso que vêm o carma, pra isso que estamos aqui, se não para fechar, todas essas portas que ficaram, entre abertas no fundo de nossas almas. Não sabemos de onde viemos, e nem para onde vamos, porque fazemos o que fazemos e porque estamos onde nós estamos. Mas qual o sentido, se não o de tocar o coração. Se não o de liberar o perdão. De criar a comunhão, das boas ações, das boas visões, do dar sem receber, do encarar sem temer, do apanhar sem devolver. E principalmente, do amar sem esperar, sem cobrar nem cogitar. Do somente entregar e confiar, que esse amor volte, nem que seja, como um amor próprio. Que nós mesmos aprendemos, a cultuar por nós mesmo.

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Nublado

Quando a tristeza invade e as lágrimas rolam, eu ouço Bob Dylan. Hoje não vim rimar, hoje vim desabafar. O vento frio e a garoa se entrelaçam e entorpecem minha alma, será hoje mais um dia triste como tantos outros. Será hoje um dia frio, como o pouco contato que tenho com a humanidade, sozinha estou e sozinha morrerei. Mas não deixa de ser belo, o frio, a chuva, lava minha alma e meu coração. Quem eu amei me magoou, quem eu amei me odiou. Quem eu amei me abusou. Eu disse que te perdoava, mas o ódio ainda me assola, você não me entendeu e de ingratidão me acusou, porém não revidei, não consegui ser carrasca como você. Um dia ainda vou te perdoar e desse sentimento horrível eu hei de me livrar, mas até lá, eu ainda irei te odiar. Assim como essa chuva irá passar eu sei que algum dia eu ainda vou me regenerar.

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