Versos de Despensa
Me perfumo de ervas finas, Exagero na pimenta, Me recubro de colorau, E de nada vale minha carne. Cortam, mastigam e cospem: Continua me faltando o sal. --- De mim, não mais que poucas gotas: Senão, amargo arrepender-se. Sentem o retrogosto no final! Bem pior que não substituir: Faço recordarem, saudosos, As delícias do açúcar cristal. --- Você me olha, castigador, Larga minha cintura fina, Me acusa de sem graça, Diz que queimei tua língua. Chama-me aguada e deprimente: Maldição de café sem cafeína. --- Me acostumei à despensa, Fico no aguardo da tua fome. Repouso na poeira, grito seu nome. Qualquer dia você vem, afetuoso, Me morde até cansar, e, farto, Dispensa-me e some... - Ventania
POEMICIDA®
Nossa, Ventania, que delícia ler isso...😋🤤
Aurélio Raposa
Magnífico ✨
Ventania
Obrigada, poeta!