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Aurélio Raposa

@Wolves · desde 2020

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Para ser poeta

• Poema dedicado a um amigo ___________________ De los pájaros en un cielo pequeño no busca la turba de volúvel folia por las paredes húmedas del sueño, que en cada flor marchita de alegría del corazón vierte su licor risueño, y aunque el arrebol trace su letargo en los lúgubres ramajes del viento, no cesa el diáfano pulso del largo cántico que magnifica el pensamiento, por más cítrica la vida en saber amargo el suelo, que desvela la transparencia intacta de la aurora los pies descalzos sobre el fuego perlado de las espumas, profusión refracta de los salvages siglos que, en silente ruego, se deshacen en la arenosa lengua abstracta del fado, como si fuese insuficiente el humano idioma para contemplar el tránsito de lo eterno, donde rompe con alas el fino límite mundano para ser libre, para ser poeta, para ser fraterno a la miríade de voces en harmonioso llano con el gesto de compartir la risa devota al alma, repartida y multiplicada alma rota.

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Nós sempre estaremos aqui

Tínhamos estelar auriflama em arenosa apoteose aluindo o rijo álveo sob nossas angústias, delírios onívoros à flor da pele, enquanto o inexorável fruto recolhíamos com as bocas salobras e os corpos nus. Sonhamos mais rápido que crescíamos, em hesterna placidez à contraluz da fronde argêntea, com a morta matéria do fogo ardendo em desejos através das translúcidas veleidades de modernas lentes, desvirtuando nossa infantil ignorância enquanto ufanávamos do oblívio. Quem pôs mar nesse sal? A diáfana efusão da vinca subequatorial? Atiramos à imagem da chama a ave, mas do instante denegriu-se a inteireza e não existe a vida, então reinou o silêncio atrás dessas cortinas penumbrais, e nós sempre estaremos aqui, findando sem ter existido. O céu está quebrado e o chão está fora do alcance da vista, enquanto mãos sem rosto nos levam ao futuro. Boia em suas tristezas a musa, com toda a verdade do mundo em seu olhar e nada a inspirar além de nossa fuligem, enquanto houver brasa para libação na indissolúvel ideia de estrela. —————————————————— poema inspirado no filme "Ainda estou aqui" de Walter Salles

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Poesia

Hiraeth

Por ocas crisálidas ergue-se a esfera solar, como vangloriosa criança que brinca de girar onde jaz a suave névoa, pelo beijo do rocio adornada, e resplandece novamente nesta manhã encantada. O cuco sonha mais que dorme, santo cofre monetário de falsos alarmes inauditos, vestido pela suntuosidade da esperança, alçando vôo da boca fastia de hinos comerciais da primavera. Bonaçosos riachos balbuciam em eloquente sabedoria, costurando a pradaria, e talvez muito mais, abraçando a ternura de um Junho tardiamente florescido, onde os canoros ascendem em um júbilo ressequido cantado por anjos cativos no painel terreno, seguindo o balanço do zéfiro no feno... _________________________________ [Esse poema foi originalmente escrito em inglês. Segue a versão original: Through hollow chrysalises rises the sun like a vainglorious child in a play of spun where the soft mist lies, adorned with dew's kiss, and glistens anew in this morning's bliss. The cuckoo dreams more than sleeps, saintly coin box of unspoken crywolves, dressed as hope's might, taking flight from the spring's mouthful of sold anthems. Quiet streams babble in silver-tongued lore, weaving the meadows, yet forever more, embracing the warmth of the late-blooming June, where the lark ascends with a jubilant tune sang by angels pinned in panes of today, following the sway the zephyr cast in the hay...

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Poema

Ixia

A flor se solidarizou com a menina solitária e bebeu suas lágrimas para amenizar a própria seca, mas sem voz não pôde preencher o abismo da solidão e suas raízes se tornaram náufragos afundando mais e mais na vasta e desconhecida escuridão.

Poema

Mãe

Deidade solar com as confidências da urdidura, suas mãos sempre ternas de aura abraçável, traz da flor ao fruto a constância sem ranhura e o faz no monólito distante, aurora afável. Além da árvore, sua dádiva única engendrou horizontes; personificada, seu seio é moradia. Além da casca, sempiterna como fênix amou da flor ao fruto; é a natureza e sua sabedoria.

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