Nós sempre estaremos aqui
Tínhamos estelar auriflama em arenosa apoteose aluindo o rijo álveo sob nossas angústias, delírios onívoros à flor da pele, enquanto o inexorável fruto recolhíamos com as bocas salobras e os corpos nus. Sonhamos mais rápido que crescíamos, em hesterna placidez à contraluz da fronde argêntea, com a morta matéria do fogo ardendo em desejos através das translúcidas veleidades de modernas lentes, desvirtuando nossa infantil ignorância enquanto ufanávamos do oblívio. Quem pôs mar nesse sal? A diáfana efusão da vinca subequatorial? Atiramos à imagem da chama a ave, mas do instante denegriu-se a inteireza e não existe a vida, então reinou o silêncio atrás dessas cortinas penumbrais, e nós sempre estaremos aqui, findando sem ter existido. O céu está quebrado e o chão está fora do alcance da vista, enquanto mãos sem rosto nos levam ao futuro. Boia em suas tristezas a musa, com toda a verdade do mundo em seu olhar e nada a inspirar além de nossa fuligem, enquanto houver brasa para libação na indissolúvel ideia de estrela. —————————————————— poema inspirado no filme "Ainda estou aqui" de Walter Salles
Ricardo N. Reis
sensacional, belíssimo poema👏👏👏👏👏👏👏👏
Aurélio Raposa
Agradeço 🫂