Aurélio Raposa @Wolves

Nós sempre estaremos aqui

Tínhamos estelar auriflama em arenosa apoteose aluindo o rijo álveo sob nossas angústias, delírios onívoros à flor da pele, enquanto o inexorável fruto recolhíamos com as bocas salobras e os corpos nus. Sonhamos mais rápido que crescíamos, em hesterna placidez à contraluz da fronde argêntea, com a morta matéria do fogo ardendo em desejos através das translúcidas veleidades de modernas lentes, desvirtuando nossa infantil ignorância enquanto ufanávamos do oblívio. Quem pôs mar nesse sal? A diáfana efusão da vinca subequatorial? Atiramos à imagem da chama a ave, mas do instante denegriu-se a inteireza e não existe a vida, então reinou o silêncio atrás dessas cortinas penumbrais, e nós sempre estaremos aqui, findando sem ter existido. O céu está quebrado e o chão está fora do alcance da vista, enquanto mãos sem rosto nos levam ao futuro. Boia em suas tristezas a musa, com toda a verdade do mundo em seu olhar e nada a inspirar além de nossa fuligem, enquanto houver brasa para libação na indissolúvel ideia de estrela. —————————————————— poema inspirado no filme "Ainda estou aqui" de Walter Salles

Comentários · 1

  1. Ricardo N. Reis

    sensacional, belíssimo poema👏👏👏👏👏👏👏👏

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    1. Aurélio Raposa

      Agradeço 🫂