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@tiagofehagan · desde 2021

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Poesia

Era uma vez sem fim

ERA UMA VEZ SEM FIM Por curiosidade, ela se aproximou — como se eu fosse aquele velho e empoeirado livro estacionado na estante, cujo início ela só entenderia depois de conhecer o final. Mas ela disse adeus, depois de descobrir que eu não tenho fim. Tiago Fehagan

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Poesia

De que vale a vida?

De que vale um céu sem estrelas, um fim de tarde sem horizonte, um bom filme sem companhia? De que vale o dinheiro, o reconhecimento e a fama, se uma alma já não puder tocar a de quem ama? Tiago Fehagan

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Poesia

O inestimável

⁠⁠O que ela tirou de mim, senhor Wendel, ultrapassa os valores de todos os bens da terra. Não sei se alguém me compreenderia— nem mesmo o senhor. O que ela tirou de mim foi a dignidade. E esse tipo de coisa, meu caro, não costuma ter preço. Tiago Fehagan

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Poesia

Homenagem fúnebre

Eis aqui agora, dentro deste féretro, o homem que me fizera enxergar na escrita uma profissão possível — ainda não o perdoei por isso. Presenteou-me com sua primeira máquina de escrever nos meus 14 anos e disse: "Disto aqui, guri, ainda tirarás o teu sustento". E eu ingenuamente acreditei. Poeta sempre acredita. É feito criança, acredita. Se não por emoção, por sonho. Tiago Fehagan

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Poesia

Poesia de estado

⁠Ao final, registra-se: fora todo o esforço em vão. E os amores se vão, como se nunca tivessem estado. E eu volto a discutir o Estado, em meu estado vegetativo, onde eu sou o passivo, e a vida, o que me fode.  Tiago Fehagan

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Poesia

Dois tempos

Um tempo cura outro tempo E nada semelhantemente voa Algumas vezes ele diz amém Confesso que eu também Tiago Fehagan

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Poesia

Falando às paredes

A minha velha humanidade dói Porém são invisíveis as marcas Geme, enquanto às paredes falo Entre o caos e os calos que calo Tiago Fehagan

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Poesia

De volta ao caminho sem volta

Éramos dois, e, de repente, já não éramos mais; e eu, às portas de ser tudo, voltava a ser ninguém. Dividi sonhos, confiei planos, acreditei ser possível acreditar. Mas foi tudo ilusão, fantasismos. Amar me matou outra vez. Tiago Fehagan

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Poesia

Anjo mulher

Olhos belos e tristes tinha E achava não ter valor Porque alguém um dia falou Que sem amor nada se é Mas era mulher, mulher e anjo E que bela plumagem era a sua Quando nua, era sol e era lua Entre serafins, era arcanjo Tiago Fehagan

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Poesia

Bisness

As dores de um possível adeus ainda me desassossegam o peito; é que o meu futuro — aquele que ganhei de presente — parece agora fadado a repetir um passado. Tiago Fehagan

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