Vaguei em muitos lugares em busca de mim.
Fui em busca de algo que nem sabia ao certo nomear.
Vivi por inércia do cotidiano a vida que disseram que a mim cabia.
Guardei os planos e sonhos não vividos.
Sufoquei meu eu em mim.
Estás satisfeito com esse corpo oco?
Há muito já não sou meu eu.
Queres o pó dessa vida que ainda me resta?
Te peço, te imploro, veja esse sorriso esvair lentamente.
Isso é o que cabe a nós.
O silêncio de uma piada mal contada.
T.P.
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Quero viver a solidão.
Não a solidão do vazio.
Quero me encher de mim.
E então, encontrar o que falta.
Quero ouvir a voz cessada.
Apaziguar a alma cansada .
Quero chorar o choro vedado.
Dar o primeiro passo.
Quero errar sem lamúria.
Aprender a curar cada úlcera.
Quero uma trégua com o anseio.
Não ser metade, ser inteiro.
Quero a desordem de atitude.
E por fim, aceitar de bom grado a solitude.
T.P.
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Prometo a ti lealdade.
Ser leal ao sentimento que há muito carrego. Partindo de honestidade, tenho mais lealdade ao sentimento do que propriamente a ti.
Tu, coberto de liberdade, escolhe teu caminho a seguir, a quem irá deleitear-se de ti.
O amar que tenho é meu, guardo, prendo, sufoco-me do teu eu em mim.
Quero-te por inteiro ou amo a sensação de sentir o que sinto?
T.P.
No tédio iminente que abraço.
No abraço indiferente que encaixo.
No encaixo indiscreto que apoio.
No apoio instável que acomodo.
No acômodo fugaz que deleito.
No deleito indiscreto em que deito.
No deitar algoz que me amparo.
No amparo irrisório que vejo.
No ver embaçado que almejo.
No almejo ilusório que desejo.
No desejo vil me completo.
No completo me encho de tédio.
T.P.
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Desculpe, se a ti incomodo. Se intrometo-me em tua vida sem notar.
Desculpe, a necessidade que de ti carrego, cega-me o discernimento da realidade.
Desculpe, ser fraco diante a felicidade alheia e distorcida, sem recíproca do que a mim não caiba.
Desculpe, ser o intruso que mal notas, a mosca petulante ao pé do ouvido.
Desculpe, usurpar de teu tempo a razão que busco ao respirar.
Desculpe, prostrar-me diante de ti sem de fato sentir culpa alguma.
T.P.
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Tudo o que é e vem de mim, é feio. Não há beleza.
Tudo o que faço, é ruim, é pouco. Não há clemência.
Tudo ao meu redor é errado. Não há verdade.
Tudo é nada em minha existência.
Grandiosamente nulo.
O querer, o ter, em sintonia do absurdo.
Sempre em espera de algo que me conforte.
Nunca atrás do que me faça forte.
Acostumaram-me ao escuro e ceguei a visão.
Esqueci como andar no abismo.
Incerto de cada passo, cai ao chão.
E de lá não ouso sair, mesmo que queira .
Na corda bamba da vida.
Equilibro-me sempre à beira.
T.P.
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Olhe para o céu...
E encontre nele a estrela menos brilhante.
Aquela ofuscada pelo brilho faiscante de milhares.
Ache aquela perdida dentro de seu próprio brilho.
Chamando silenciosamente pelos olhos teus.
Que em seu tímido brilho.
Aguarda o encontro do teu sorriso.
T.P.
Estou cansada, o fardo de outro'ra já não é tão permissivo a mim.
Estou cansada, os joelhos travados e a coluna envergada.
Estou cansada, e o peso de minha dor só aumenta.
Estou cansada, embora sentada e olhando a mim mesma cansar.
Estou cansada de meu cansaço atípico que não passa.
Estou cansada de estar cansada.
T.P.
Empreste-me teus olhos para enxergar com clareza. Não consigo enxergar-me desse modo. A pessoa que recitas com tanta apreço, não sou eu. Não ouso ver-me assim.
Eu sou eu, encoberta de falhas e acertos, coragem e medos.
Anseio esse jeito de viver, mas não posso.
Sou um ser perdido que não se encontra em lugar algum, uma moeda sem cara cujo o valor é nenhum.
Como o nada, bebo o nada, respiro o nada, quero o nada, mas ao mesmo tempo tenho a concepção de tudo.
T.P.
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Onde estou?
Aonde encontro-me de volta?
Já perdi-me há muito tempo e nem sei em que curva.
Saltei em uma estrada vazia e sou incapaz de voltar.
Que horas são? Que dia é hoje? Quanto tempo se foi?
Estou cansada e os pés sangrando.
Tantas direções a seguir e ainda assim acabei perdendo-me.
Persisti nesse maldito caminho, que não ouso sair e, no qual, leva a lugar algum .
Não há luz, apenas escuridão.
Não há som, apenas silêncio. Não há vida, apenas o que restou.
T.P.
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