Florescer (Talyta)
Eu que pinto meus pensamentos com cores reais, te vi obra de arte, musa, mulher… Não foi só beleza. Foi reconhecimento. Fecho os olhos e te vejo branca de luz, colares tocando teu peito como pequenas luas, a cabeça ornada de mistério, girando leve, como se a mata soubesse teu nome antes mesmo de você nascer. Há água nos teus gestos. Há floresta no teu silêncio. Há algo ancestral na tua presença que não se explica, se sente. Teus olhos verdes de onça são passagem. Quando me olham, alguma coisa antiga desperta em mim como se eu também lembrasse de uma vida onde já caminhamos juntos. Doçura que afaga e instinto que atravessa. Delicadeza e fogo contido. É sobre o que eu senti. Te encontrar foi reconhecer que certas conexões não começam, continuam. Quando nossas bocas se tocaram, não foi só beijo. Foi mergulho. Foi correnteza levando embora qualquer dúvida. Tua boca macia abria em mim como rio claro depois da chuva. Teu cheiro de flor aquecida na pele me desarmou inteiro. Era como se o mundo parasse só para que eu respirasse você. Entre música, risos e verdades, eu não escondi nada. Te dei meu sentir inteiro, não deixei nada subentendido. E tu sorria… com aquele mistério bonito de quem pertence à mata, mas escolhe, por instantes, ficar. Tu partiu como quem conhece o próprio caminho, sem pressa, sem dúvida. Como onça que entra na floresta sabendo que a floresta é extensão do seu corpo. E eu fiquei ali, com o coração ainda pulsando no ritmo do teu, sentindo que algo em mim tinha florescido. Não senti o fim. Senti trilha. Porque nossas almas não se encontraram por acaso. Elas se lembraram. E quando duas energias se reconhecem, o universo não desfaz, ele prepara. Se a floresta decide, se as águas consentem, se teus olhos voltarem a me procurar, eu estarei. Não como quem espera. Mas como quem já sabe que o reencontro já começou.
POEMICIDA®
Isso foi muito bom, parabéns!
T. Rosário
Valeu de mais!