Observando o céu estrelado,
Buscando um ponto de fuga.
De foguete os menor alados,
Rasga as avenidas e as ruas.
Quase um cordel encantado
Das novas veredas,
Dos novos sertões,
Dos novos jagunços,
Dos novos capitães.
Somos só areias na ampulheta do tempo.
Aqui não é conto de fadas
Nem história de bruxas.
Aqui é a terra de quem pode luxar,
Quem não pode, busca
Até o infinito até o nunca,
Mas nada muda.
Acorda, vai trabalhar,
Que amanhã é segunda.
E tenta não lembrar
Que aqui quem planta
Não come da fruta.
Questões de uma eterna luta.
A vida aqui é sobreviver,
Sobre viver,
Sub-viver.
É sobre mim e sobre você.
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As pernas dobram como se quebradas.
Desfacelando o todo pelo solo.
O perfume da pólvora exala.
O sangue contempla o externo.
Dizendo a Deus ao chegar.
Rubro, forte, foi o desejo.
De partir para qualquer lugar.
Nada mais belo que o desconhecido.
Nunca soube nada ruim sobre lá.
Estira no chão o todo,
Durante a vida viveu em pedaços.
Estatelado no chão o tolo.
Que não soube ver na vida.
As pequenas alegrias .
Esse foi o seu grande pecado.
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Me enche os olhos
Alimenta o vazio
Se ainda há alguma alma
Ela sorve sem saber o quê é
Vive pela palavra
Não entende a palavra
Se ainda há alma
Mínima, alguma
Ela escorre dos olhos
Esses mesmos cheios
De ânsia, de fome, de lágrimas
Lagos, poços, rios,
Buraco, cratera infinita.
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Sou uma pena que mancha o papel com tinta vermelha por onde passo,
Deixando rastros pelo caminho,
Sou um serial killer que mata os próprios sonhos por medo de não conseguir sustenta-los.
Um poeta que guarda seus melhores poemas no coração com medo que julguem sua ingenuidade.
Sou o amor silencioso que morre de solidão,
Humano demais para aceitar a insignificância dos meus atos.
Humano demais para acreditar no peso das minhas ações.
Sou uma dúvida que flutua como uma semente de bordo, querendo distância da própria raiz.
Eu sou a minha poesia nada mais nada menos que a minha poesia.
Íntima e nua.
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Queria descrever a minha insolência.
Mas é como gravar em palavras as ondas
Posso dizer como fui, e por que fui
Mas não como serei e nem como séria.
Uma tremedeira, uma angústia.
Uma cortina semi serrada, meia face pela janela.
Uma imagem despeitada, um resíduo de alguém.
Entre o construtor e o arquiteto.
Entre o desejo de ser e o ser.
Entre a vontade de viver dez dias ém um.
Entre o vontade de viver nenhum dia.
Entre o medo de querer.
E a coragem de conquistar.
Entre o silêncio.
E a necessidade de falar.
Entre o suspiro e o grito.
Entre a porta e o muro.
Entre a fuga e a presença.
Entre tantas coisa.
E dentro tão poucas coisas.
Entre o brilho das estrelas.
E o vazio do espaço.
Entre as linhas.
Entre as letras.
Entre o falar e o que é entendido
Entre o santo e o maldito.
Entre a angústia da saudade.
E o orgulho sem motivo.
É a dor de não saber.
Na cidade que tudo sabe,
é pouco que podemos ver.
Entre a ilusão e realidade.
Entre as sombras da caverna.
E as luzes lá de fora.
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Uma catástrofe.
Só catástrofe.
Na estrofe.
Uma estrofe.
Simples estrofe.
Pra dizer meu povo sofre.
Sofre de solidão.
Numa Cidade,
Sem alguma solidariedade.
A verdade.
Sobre a cidade.
E que so restou a vaidade.
A catástrofe.
Nesta estrofe.
É que se foi a humanidade.
Só catástrofe.
Na estrofe.
Só catástrofe.
Na cidade.
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Drogas.
Sexo
Vírus e Rock roll
Jovem de 21.
Cheios de atitudes.
Cheios de vontade.
Cheios de vaidade.
Mas isso se vai com a idade.
Moça ri.
Da troça,
Do moço.
Moça chora
A tosse.
Do moço.
Moço morto.
Moça com desgosto.
Corpos cheios de vidas.
Copos cheios na avenida.
Corpos em verticais.
De quem não vive mais.
Cheios de ilusões.
Matando sonhos.
Momentos.
Matando o seus sem querer.
Choram sobre o cal e cimento.
Poderia ser eu.
Poderia ser você.
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Saltar do trem em movimento.
Esse é o seu momento.
Momento.
Fizeram até um monumento.
Do pulo.
Do ato.
Da morte.
Da liberdade.
Da passagem.
Pensar.
Até passaro virar.
Corta o ar.
Não os pulsos.
Chorar.
Soluços.
E de olhos molhados.
Mólho o mundo.
Molho insosso.
Sem gosto.
Mas alimenta.
Sustenta.
Mantém em pé.
Na porta.
Do trem em movimento.
Esperando o momento.
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Queria ser um passaro
Nas nuvem fazer minha morada.
O céu meu cobertor.
E a lua minha namorada.
E se assim fosse seria pássaro cantor.
Zanzando pela sala, cantando para o meu amor.
Em noite de lua cheia esperaria a madruga.
E quando ela chegar no seu apogeo faria uma serenata.
Cantaria a plenos pulmões, para minha deusa prateada.
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