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VersosbyAzula

@simoratales · desde 2021

inconsistente. se contente com esse presente: um pequeno pedaço do que se passa em minha mente

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Modo Difícil

Eu nunca tomei decisões fáceis Não parei de fumar no ano novo Parei no dia primeiro de dezembro Eu nunca tive vidas fáceis Tenho traumas de infância Dos quais não me lembro Eu nunca tive mortes fáceis Gastei um rim com veterinário E meu cachorro moreu Eu nunca tive atitudes fáceis Não parei de pecar Virei ateu Eu nunca tive soluções fáceis Não emagreci Meu corpo cresceu Eu nunca tive sorrisos difíceis Eu não fiz terapia Minha irmã nasceu

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Costura

Eu lembro de ter dito que não te escreveria Precisava te ver primeiro Talvez tenha te dado ira Mas se me disser: "Essa poesia não foi pra você" Um tapa encontra sua face Enquanto te digo que é mentira A violenta madrugada me separou de você E antes havia sido uma doença E não mais consigo ser ateu A ti não nego crença Eu não nego que prego conserta chinelo Que fita conserta objeto Que meu peito voou como jato E se encontrasse o seu era abjeto Nojento, e indesejável de se descrever O que com você por cima pode acontecer A forma como alguém de baixo gosta de crescer A forma como esses versos quero te ceder Como nossos dias quero suceder Como me afetas até o cerne Eu paguei pra ver se tu me quer e foi no carnê E dessa forma minha mente entulha E quase foge jogando emoções para um canto da rua Eu decidi transformar minhas palavras em agulha Pra ver se nossa relação atravessa a pele e se minha carne merece a sua

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Metas de um futuro velado

Eu vou fazer todo mundo me odiar E aí NINGUÉM vai chorar No dia que eu morrer Tipo vou só incomodar E flores para velar Ninguém vai trazer Eu vou ser paciente Acontecerá lentamente E me tratarão como um erro Irei me camuflar Em podridão inundar Lágrimas não regarão meu enterro Serei motivo de ódio Número um do pódio E conduzirei fúria em correnteza Eu prefiro ser inexistente Invisível e quase ausente Do que para-raio de tristeza É como pretendo ser Ruim de conviver E muito mal amado Como cão inadestrado Trauma do passado Um caixão ignorado.

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Mais uma poesia sobre elogios

Pelo seu beijo minha boca coça Como se fosse sarna Retina maçã do rosto caça Procura sarda Mensagem te leva à praça E tu manda em mim sem farda Eu obedeço sem fardo Me ofereço sensato A gente dança, sente salsa A gente valsa, sente sal Sem vestimenta, descalsa Investe à meta, com tal Sentimento sem alça E como flecha, real Eu sou sincero, leal Deu 2 a zero em mim Até espero, legal Mas só falo o sim Até me dar letal Silêncio, berro ou fim.

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Lágrimas

Intangível

Eu sempre quis ser irrelevante Pois relevância tem consequências Responsabilidade constante Eu nunca quis estar em evidência Por isso eu ajo tão pivotante Eu quero fugir da consciência Por isso escondo minha deiscênscia E tanto falo sobre sentir Por isso falo sobre aparência E tanto finjo que sei fingir Meu ponto virou reticência E tanto fujo de concluir Me sinto sujo ao dormir Pois o sono compete com a culpa Ao acordar tento redimir Mas o sol logo me insulta Eu tenho trauma em competir E ainda assim entro em disputa Não há sentimento que discuta Com a voz da aparente racionalidade Não há forma de desculpa Não tenho autosororidade O que me sobra é a luta Na busca por maturidade Enquanto busco irresponsabilidade No sentido de me tornar menino Não falo apenas de idade Falo de ser mais envolvido E encontrar felicidade Até no aparente mínimo.

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Amor

Sobre a beleza dela

Ela é linda, no sentido que, Se fosse afrodite se enfeiaria, Ao acabar de acordar é bonita Não há maquiagem que melhoraria E para melhorar À indústria da moda não se renderia Sua casca compete com conteúdo Um presente que nem a embalagem se descarta De exagerado ela me alegava Mas até o mais triste ela alegrava Quem não vê o belo nela em nada vê Ou vê só no subconsciente Até cego a sente E busca a ela estar rente Paradoxalmente atraente Evita chamar atenção Mas de visão alguma escaparia Fala suave quase sussurro Mas ouvido algum não captaria Odor naturalmente agradável Perfume não acompanharia Com meus sentidos brinca Por que me provocaria? Observe as evidências da acusação Aquele cabelo volumoso Sua empatia traz consolo Seu colo suave quase aquoso E humildade sem dolo Seu encanto é um crime culposo Pois anda E tanto encanta Que faz o inferno ser duvidoso Pois se ela existe e o inferno existe Eu só posso estar no céu Ou fui esquecido pelo diabo Ou sequer me tornei réu Como atestado de superação E enfrentamento de trauma Ela veste tristeza com incompetência Ao despir a minha alma.

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Sobre a desprovida de beleza

Ela é feia, no sentido que Se parecesse com um zumbi seria bonita Se ela se maquiar fica mais feia Se a beleza piorar fica linda E ela ainda se maqueia Parece um descartável Mas em embalagem de presente Ofende, a minha visão sente Me repreendem Mas quem vê o belo naquilo é doente Ou sequer é consciente Nem cego direciona a lente A uma imagem tão estridente Ela é sinestesicamente incompetente Ocupa o maior espaço que consegue Só para espetar melhor minha visão Fala o mais alto que pode Só para prejudicar minha audição Passa perfume e só piora Meu olfato pede rendição Ela apodrece meus sentidos Não provoca boa emoção Olhe os autos do processo Ela assassinou minha motivação Para viver E para crer Que ainda existe salvação Porque se ela existe e o céu existe Ou eu estou no inferno Ou o criador me abadonou Ou ver ela é um processo Tipo uma prova de resistência Talvez seja só o Purgatório Veste felicidade com decadência Da sensualidade faz velório

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Som tem muito

Minhas falas são ecos De falas que ouvi Minha vivência é um eco Da vivência que não vivi Emoções se tornam ecos Dos afetos que senti Minhas poesias se tornam ecos De poesias que escrevi Ecos aprenderam a interagir Aprenderam a criar cacofonia Minha garganta é próxima do ouvido E minhas expressões são surto de microfonia Os meus versos soam como ecolalia Pois repercutem sons apreciados Meus traumas são como efeito doppler Pois são tão graves quanto são afastados Meus decibéis já foram alterados E hoje grito o sussuro da dor efêmera Enquanto escondo o grito da dor tamanha Expresso em falas com entonação boêmia A voz que me consola é fêmea A que me desola é máscula Aliterei o A de minhas atuações Fiz de fingidas emoções anáfora Tranquilidade só alcanço em metáfora Pois percebo apenas em ideia Sentimentos são tão sonoros Que expresso até em onomatopeias.

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Depois eu penso

Quando criança, meus problemas eram simples Eu sabia como resolver Só não sabia que sabia E me desesperava Pensando em cono os resolveria Pensava no futuro e na areia movediça Achava que aquilo sim seria Um problema maior na vida E hoje poemas crio Vivo sem pingos de brio E percebo que a pior areia É o pó de ferro que respiro Pó que não vale o meu espirro Criança achava impossível emagrecer Hoje julgo inaceitável engordar E nunca achei que poesias fosse escrever Gostava de batalhas de rima Nunca achei que iria rimar Quando criança meus pais estavam lá E eu julgava a falta de auxílio como negligência Hoje me quebro e não volto a clamar Vejo valor na vivência Não só a de tentar resolver Mas a de perceber Quando criança eu também achava impossível Isso não pode ser coincidência Reli meus poemas Vi reincidência De temas como a constância na incoerência Percebi que mudo muito de tema Mas mudo pouco de essência Eu exagero na antítese No paradoxo e no como se pensa Minha mente é propensa A idealizar, na corda bamba andar Tensa A ponto de novamente cair na sua crença A de que pouco faz e muito inventa Pouco inventa e muito copia Ou copia mais que tenta A mentira tá em evidência Mas a corda bambeia mais O passo mais suave que de anos atrás Mas O peso é o mesmo E aliás Não Há cama de elástico Só há chão em baixo Tão concreto quanto a razão, prático

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Poesia

Jogos mentais

Não se mete e não se mente Na mente, sensciente Da semente, proveniente De subservientes do subconsciente Réplica ácida acética da métrica que a torna consciente Dos inconvenientes que dentre Os quais sempre sente Que pouco foi envolvente Envolvida e novamente Paciente por um novo presente Pressente, que virá consequentemente Um novo remetente De mensagens convergentes Com interesses que consente Em dar com ausente Resistência consistente Logicamente, se torna impaciente Ao ver que estranhamente O que tanto pressente Se torna invariavelmente Uma ilusão persistente E de tanta mente que mente Sobre o tanto que mente As mentes logo se metem em crise.

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