Eu nunca tomei decisões fáceis
Não parei de fumar no ano novo
Parei no dia primeiro de dezembro
Eu nunca tive vidas fáceis
Tenho traumas de infância
Dos quais não me lembro
Eu nunca tive mortes fáceis
Gastei um rim com veterinário
E meu cachorro moreu
Eu nunca tive atitudes fáceis
Não parei de pecar
Virei ateu
Eu nunca tive soluções fáceis
Não emagreci
Meu corpo cresceu
Eu nunca tive sorrisos difíceis
Eu não fiz terapia
Minha irmã nasceu
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Eu lembro de ter dito que não te escreveria
Precisava te ver primeiro
Talvez tenha te dado ira
Mas se me disser:
"Essa poesia não foi pra você"
Um tapa encontra sua face
Enquanto te digo que é mentira
A violenta madrugada me separou de você
E antes havia sido uma doença
E não mais consigo ser ateu
A ti não nego crença
Eu não nego que prego conserta chinelo
Que fita conserta objeto
Que meu peito voou como jato
E se encontrasse o seu era abjeto
Nojento, e indesejável de se descrever
O que com você por cima pode acontecer
A forma como alguém de baixo gosta de crescer
A forma como esses versos quero te ceder
Como nossos dias quero suceder
Como me afetas até o cerne
Eu paguei pra ver se tu me quer e foi no carnê
E dessa forma minha mente entulha
E quase foge jogando emoções para um canto da rua
Eu decidi transformar minhas palavras em agulha
Pra ver se nossa relação atravessa a pele e se minha carne merece a sua
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Eu vou fazer todo mundo me odiar
E aí NINGUÉM vai chorar
No dia que eu morrer
Tipo vou só incomodar
E flores para velar
Ninguém vai trazer
Eu vou ser paciente
Acontecerá lentamente
E me tratarão como um erro
Irei me camuflar
Em podridão inundar
Lágrimas não regarão meu enterro
Serei motivo de ódio
Número um do pódio
E conduzirei fúria em correnteza
Eu prefiro ser inexistente
Invisível e quase ausente
Do que para-raio de tristeza
É como pretendo ser
Ruim de conviver
E muito mal amado
Como cão inadestrado
Trauma do passado
Um caixão ignorado.
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Pelo seu beijo minha boca coça
Como se fosse sarna
Retina maçã do rosto caça
Procura sarda
Mensagem te leva à praça
E tu manda em mim sem farda
Eu obedeço sem fardo
Me ofereço sensato
A gente dança, sente salsa
A gente valsa, sente sal
Sem vestimenta, descalsa
Investe à meta, com tal
Sentimento sem alça
E como flecha, real
Eu sou sincero, leal
Deu 2 a zero em mim
Até espero, legal
Mas só falo o sim
Até me dar letal
Silêncio, berro ou fim.
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Eu sempre quis ser irrelevante
Pois relevância tem consequências
Responsabilidade constante
Eu nunca quis estar em evidência
Por isso eu ajo tão pivotante
Eu quero fugir da consciência
Por isso escondo minha deiscênscia
E tanto falo sobre sentir
Por isso falo sobre aparência
E tanto finjo que sei fingir
Meu ponto virou reticência
E tanto fujo de concluir
Me sinto sujo ao dormir
Pois o sono compete com a culpa
Ao acordar tento redimir
Mas o sol logo me insulta
Eu tenho trauma em competir
E ainda assim entro em disputa
Não há sentimento que discuta
Com a voz da aparente racionalidade
Não há forma de desculpa
Não tenho autosororidade
O que me sobra é a luta
Na busca por maturidade
Enquanto busco irresponsabilidade
No sentido de me tornar menino
Não falo apenas de idade
Falo de ser mais envolvido
E encontrar felicidade
Até no aparente mínimo.
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Ela é linda, no sentido que,
Se fosse afrodite se enfeiaria,
Ao acabar de acordar é bonita
Não há maquiagem que melhoraria
E para melhorar
À indústria da moda não se renderia
Sua casca compete com conteúdo
Um presente que nem a embalagem se descarta
De exagerado ela me alegava
Mas até o mais triste ela alegrava
Quem não vê o belo nela em nada vê
Ou vê só no subconsciente
Até cego a sente
E busca a ela estar rente
Paradoxalmente atraente
Evita chamar atenção
Mas de visão alguma escaparia
Fala suave quase sussurro
Mas ouvido algum não captaria
Odor naturalmente agradável
Perfume não acompanharia
Com meus sentidos brinca
Por que me provocaria?
Observe as evidências da acusação
Aquele cabelo volumoso
Sua empatia traz consolo
Seu colo suave quase aquoso
E humildade sem dolo
Seu encanto é um crime culposo
Pois anda
E tanto encanta
Que faz o inferno ser duvidoso
Pois se ela existe e o inferno existe
Eu só posso estar no céu
Ou fui esquecido pelo diabo
Ou sequer me tornei réu
Como atestado de superação
E enfrentamento de trauma
Ela veste tristeza com incompetência
Ao despir a minha alma.
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Ela é feia, no sentido que
Se parecesse com um zumbi seria bonita
Se ela se maquiar fica mais feia
Se a beleza piorar fica linda
E ela ainda se maqueia
Parece um descartável
Mas em embalagem de presente
Ofende, a minha visão sente
Me repreendem
Mas quem vê o belo naquilo é doente
Ou sequer é consciente
Nem cego direciona a lente
A uma imagem tão estridente
Ela é sinestesicamente incompetente
Ocupa o maior espaço que consegue
Só para espetar melhor minha visão
Fala o mais alto que pode
Só para prejudicar minha audição
Passa perfume e só piora
Meu olfato pede rendição
Ela apodrece meus sentidos
Não provoca boa emoção
Olhe os autos do processo
Ela assassinou minha motivação
Para viver
E para crer
Que ainda existe salvação
Porque se ela existe e o céu existe
Ou eu estou no inferno
Ou o criador me abadonou
Ou ver ela é um processo
Tipo uma prova de resistência
Talvez seja só o Purgatório
Veste felicidade com decadência
Da sensualidade faz velório
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Minhas falas são ecos
De falas que ouvi
Minha vivência é um eco
Da vivência que não vivi
Emoções se tornam ecos
Dos afetos que senti
Minhas poesias se tornam ecos
De poesias que escrevi
Ecos aprenderam a interagir
Aprenderam a criar cacofonia
Minha garganta é próxima do ouvido
E minhas expressões são surto de microfonia
Os meus versos soam como ecolalia
Pois repercutem sons apreciados
Meus traumas são como efeito doppler
Pois são tão graves quanto são afastados
Meus decibéis já foram alterados
E hoje grito o sussuro da dor efêmera
Enquanto escondo o grito da dor tamanha
Expresso em falas com entonação boêmia
A voz que me consola é fêmea
A que me desola é máscula
Aliterei o A de minhas atuações
Fiz de fingidas emoções anáfora
Tranquilidade só alcanço em metáfora
Pois percebo apenas em ideia
Sentimentos são tão sonoros
Que expresso até em onomatopeias.
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Quando criança, meus problemas eram simples
Eu sabia como resolver
Só não sabia que sabia
E me desesperava
Pensando em cono os resolveria
Pensava no futuro e na areia movediça
Achava que aquilo sim seria
Um problema maior na vida
E hoje poemas crio
Vivo sem pingos de brio
E percebo que a pior areia
É o pó de ferro que respiro
Pó que não vale o meu espirro
Criança achava impossível emagrecer
Hoje julgo inaceitável engordar
E nunca achei que poesias fosse escrever
Gostava de batalhas de rima
Nunca achei que iria rimar
Quando criança meus pais estavam lá
E eu julgava a falta de auxílio como negligência
Hoje me quebro e não volto a clamar
Vejo valor na vivência
Não só a de tentar resolver
Mas a de perceber
Quando criança eu também achava impossível
Isso não pode ser coincidência
Reli meus poemas
Vi reincidência
De temas como a constância na incoerência
Percebi que mudo muito de tema
Mas mudo pouco de essência
Eu exagero na antítese
No paradoxo e no como se pensa
Minha mente é propensa
A idealizar, na corda bamba andar
Tensa
A ponto de novamente cair na sua crença
A de que pouco faz e muito inventa
Pouco inventa e muito copia
Ou copia mais que tenta
A mentira tá em evidência
Mas a corda bambeia mais
O passo mais suave que de anos atrás
Mas
O peso é o mesmo
E aliás
Não Há cama de elástico
Só há chão em baixo
Tão concreto quanto a razão, prático
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Não se mete e não se mente
Na mente, sensciente
Da semente, proveniente
De subservientes do subconsciente
Réplica ácida acética da métrica que a torna consciente
Dos inconvenientes que dentre
Os quais sempre sente
Que pouco foi envolvente
Envolvida e novamente
Paciente por um novo presente
Pressente, que virá consequentemente
Um novo remetente
De mensagens convergentes
Com interesses que consente
Em dar com ausente
Resistência consistente
Logicamente, se torna impaciente
Ao ver que estranhamente
O que tanto pressente
Se torna invariavelmente
Uma ilusão persistente
E de tanta mente que mente
Sobre o tanto que mente
As mentes logo se metem em crise.
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