Depois eu penso
Quando criança, meus problemas eram simples Eu sabia como resolver Só não sabia que sabia E me desesperava Pensando em cono os resolveria Pensava no futuro e na areia movediça Achava que aquilo sim seria Um problema maior na vida E hoje poemas crio Vivo sem pingos de brio E percebo que a pior areia É o pó de ferro que respiro Pó que não vale o meu espirro Criança achava impossível emagrecer Hoje julgo inaceitável engordar E nunca achei que poesias fosse escrever Gostava de batalhas de rima Nunca achei que iria rimar Quando criança meus pais estavam lá E eu julgava a falta de auxílio como negligência Hoje me quebro e não volto a clamar Vejo valor na vivência Não só a de tentar resolver Mas a de perceber Quando criança eu também achava impossível Isso não pode ser coincidência Reli meus poemas Vi reincidência De temas como a constância na incoerência Percebi que mudo muito de tema Mas mudo pouco de essência Eu exagero na antítese No paradoxo e no como se pensa Minha mente é propensa A idealizar, na corda bamba andar Tensa A ponto de novamente cair na sua crença A de que pouco faz e muito inventa Pouco inventa e muito copia Ou copia mais que tenta A mentira tá em evidência Mas a corda bambeia mais O passo mais suave que de anos atrás Mas O peso é o mesmo E aliás Não Há cama de elástico Só há chão em baixo Tão concreto quanto a razão, prático
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