Sobre a desprovida de beleza
Ela é feia, no sentido que Se parecesse com um zumbi seria bonita Se ela se maquiar fica mais feia Se a beleza piorar fica linda E ela ainda se maqueia Parece um descartável Mas em embalagem de presente Ofende, a minha visão sente Me repreendem Mas quem vê o belo naquilo é doente Ou sequer é consciente Nem cego direciona a lente A uma imagem tão estridente Ela é sinestesicamente incompetente Ocupa o maior espaço que consegue Só para espetar melhor minha visão Fala o mais alto que pode Só para prejudicar minha audição Passa perfume e só piora Meu olfato pede rendição Ela apodrece meus sentidos Não provoca boa emoção Olhe os autos do processo Ela assassinou minha motivação Para viver E para crer Que ainda existe salvação Porque se ela existe e o céu existe Ou eu estou no inferno Ou o criador me abadonou Ou ver ela é um processo Tipo uma prova de resistência Talvez seja só o Purgatório Veste felicidade com decadência Da sensualidade faz velório
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