Sara Cruz @sarasferidas

O Lá.

Eu fecho os olhos e vejo, na verdade eu vejo de olhos bem abertos, eu ouço e logo vejo. Vejo uma cidade destruída, tudo é cinza e enxergo tons de marrom também. O cheiro é de poeira, mas é suportável. Entro devagarinho e encaro uma coruja no mesmo tom do cenário, cinza. Ela abre as asas e o bico emitindo um som alto, ela está assustada, mas logo percebe que eu também estou e se acalma. É isso. É o lá, casa. É ver que os nossos sangues vermelhos são iguais e ao invés de guerra, fazer paz. Ela se apoia sobre um parede quebrada e cheia de rachaduras. O tom areia da tinta velhíssima combina com a dona coruja assustada. Eu lembro de Marte, seria ele? Eu acho que não, Marte anda viajando alto pelo céu esses dias. Eu sei que nessa cidade muitas coisas aconteceram e eu nunca serei capaz de contar ou lembrar de tudo. Tudo bem. Uma ou duas histórias virão para mim quando for o momento. Seria pompeia? Eu também não sei. Num “click” eu volto para aqui, saio do imaginário. Eu amo ir até lá, todavia a graça disso é a efemeridade desses momentos de alegria, inspiração, sonho. Casa. A cidade de ruínas e a coruja, assim como Marte e tudo que eu já conheci lá em casa ficarão aqui comigo. O lar comigo, o lá comigo.

Comentários · 1

  1. Caio Graco

    Um Click nostálgico, muito bom👏👏👏

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    1. Sara Cruz

      obrigadaaa =}